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Transporte coletivo

Por Ieda Rodrigues | Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

85% da frota de ônibus estará nas ruas hoje

Texto: Ieda Rodrigues/Fabiana Teófilo

Depois de um dia de ônibus atrasados e superlotados em função da falência da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), hoje o sistema de transporte coletivo deverá estar funcionando mais próximo da normalidade. Dois 244 ônibus que compõem a frota do transporte coletivo, 208 (85%) deverão estar nas ruas - ontem à tarde eram 168 -, segundo informou a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru

(Emdurb).

A Baurutrans (Kuba) e a Cidade Sem Limites (TUA) estão utilizando ônibus-reserva e veículos de suas frotas em outras cidades para suprir os 123 ônibus da ECCB que saíram de circulação na sexta-feira. Antes de entrar em circulação, esses ônibus passarão por manutenção interna da empresa e por fiscalização da Emdurb, que irá lacrar as catracas.

Como muitos dos ônibus são de frotas utilizadas em outras cidades, não estão padronizados. Portanto, o usuário deve ficar atento, pois, provisoriamente, ônibus com cores variadas estão operando no sistema coletivo de Bauru. A falência da ECCB foi decretada, na sexta-feira, pelo juiz Sílvio José Pinheiro dos Santos devido

à falta de pagamento da primeira parcela da concordata solicitada em novembro de 1998.

Ontem pela manhã, momento de maior problema de atrasos e superlotação dos coletivos (veja matéria nesta página), 164 ônibus estavam nas ruas (70% da frota). A estudante Camila Dorigo, 16 anos, por exemplo, disse que esperou quase duas horas para pegar um ônibus ontem pela manhã.

"Fiquei das 7h15 às 9 horas no ponto e ainda não peguei o ônibus de costume, tendo que descer no Centro e pegar um outro", reclamou. Ela mora na Vila Falcão e utiliza o ônibus da linha Estoril/Santo Antônio. Para voltar para casa, à tarde, a espera foi menor: 45 minutos, mas a estudante receia atrasos dos coletivos no período noturno a partir de amanhã, quando a rede estadual volta

às aulas.

Os ônibus noturnos, conhecidos como Corujão, voltariam a circular na noite de ontem, segundo a Emdurb. O diretor da empresa Cidade Sem Limites, Hélio Meneghin, apesar da reclamação dos usuários, disse que não ocorreram grandes problemas no dia de ontem. Segundo ele, algumas linhas estiveram com os

ônibus mais cheios que o normal, mas o movimento foi tranqüilo.

"Eu acompanhei as linhas desde às 5 horas e nenhum grande problema aconteceu. Foi melhor do que o esperado", afirmou logo pela manhã.

A Baurutrans, segundo o diretor da empresa, Luiz Antonio Cavallaro, estava com 18 carros a mais operando no período da manhã, incluindo os reservas, e totalizando 68 veículos em funcionamento. Para eventuais problemas que possam ocorrer com os veículos, a empresa dispõem de duas peruas-socorro com equipes que estão trabalhando nas ruas para qualquer emergência.

"Até o final da semana todas as linhas estarão sendo atendidas normalmente", disse Cavallaro.

Ele afirmou também que a empresa tem o objetivo de melhorar o sistema de transporte coletivo de Bauru. "No mês de março estaremos recebendo mais dez carros zeros. O ônibus mais velho que temos em circulação é de 1993", disse.

Usuários de ônibus enfrentam um dia de atrasos

Ônibus lotados e atrasados. Essa foi a realidade vivida, ontem, pelos bauruenses que dependem de transporte coletivo. O problema só não foi maior porque a Cidade Sem Limites

(TUA) e a Baurutrans (Kuba) colocaram em circulação

ônibus-reserva e de suas frotas de outras cidades. Mesmo assim, muitas linhas operaram ontem com a tabela horária de sábado (intervalos maiores entre um ônibus e outro) e em função disso os coletivos ficaram lotados.

Os ônibus das linhas Nova Esperança/USC e Nova Esperança/Estoril estiveram superlotados ontem porque os carros-extra não rodaram, de acordo com a Emdurb. Já a linha Falcão-IBC/Guadalajara estava sem carro até o final da tarde de ontem.

Trabalhadores, estudantes e usuários em geral, preocupados com o horário a cumprir, reclamaram de atraso e de superlotação dos ônibus que estavam circulando. Quando um ônibus parava no ponto, os usuários empurravam-se uns aos outros para conseguir um lugar, mesmo que fosse na escada de acesso ao coletivo. Sentar, nem pensar. Alguns preferiam esperar mais um pouco a enfrentar o tumulto dentro dos ônibus.

Na avenida Rodrigues Alves, no Centro da cidade, onde se concentram cerca de 16 pontos de ônibus, o movimento foi intenso. Alguns usuários corriam de um ponto a outro na esperança de conseguir pegar um ônibus mais vazio. Nos casos de curta distância, a caminhada foi uma boa alternativa.

Para Maria Helena da Silva, de 56 anos, que está acostumada a pegar o ônibus da linha Popular Ipiranga de segunda a sexta-feira, às 7h30, o melhor a fazer foi caminhar. "Eu não me importo em chegar atrasada, mas não vou subir nesse ônibus lotado desse jeito. Vou passar mal", disse.

Esperar o próximo ônibus foi a solução para José Roberto Gouveia Macedo. Ele levava um bebê nos braços e preferiu não enfrentar o ônibus cheio. "Não tenho condições de subir nesse ônibus com meu filho. Vou esperar um mais vazio", afirmou. Ele aguardava a linha do Jardim Europa, num ponto da avenida Rodrigues Alves, há 10 minutos.

Como fica o sistema

Com a falência da ECCB, 123 ônibus da empresa deixaram de circular na última sexta-feira e transportar cerca de 1,7 milhão de usuários por mês. A previsão da Emdurb é que até o final de semana a situação do transporte coletivo da cidade esteja normalziada.

As empresas TUA e Kuba devem operar atendendo todas as linhas que eram da ECCB por um prazo de seis meses. No final do ano deverá ser aberta uma licitação para a concorrência pública das linhas que eram atendidas pela ECCB. A ECCB absorvia cerca de 52% do mercado e as empresas TUA e Kuba dividiam os outros 52%.

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