Escolas estaduais implantam salas-ambiente
Texto: Fabiana Teófilo
Salas-ambiente é a grande novidade nas escolas da rede estadual de ensino em Bauru, que iniciaram o ano letivo de 2000 ontem. Os alunos contam com um sistema diferente de aprendizado, unindo teoria e prática. A escola Christino Cabral, localizada no Jardim Estoril, adotou as salas-ambiente e é considerada pela dirigente regional de ensino, Edinéa Sitta Cucci, uma escola-modelo.
Das 49 escolas estaduais da cidade, em quatro delas - Durval Guedes de Azevedo, Plínio Ferraz e Antônio Guedes e Christino Cabral - os alunos têm aulas em salas-ambientes. Outras escolas estão começando a implantar a proposta. Das 22 salas da escola Christino Cabral, oito foram destinadas para o sistema de salas-ambiente. Diferentes disciplinas são trabalhadas com atividades práticas, desenvolvendo a criatividade do aluno - eles colocam em prática o que aprendem dentro da sala de aula. Nos laboratórios, por exemplo, podem fazer vários tipos de experiências, aplicando os princípios aprendidos em Química e Física.
A diretora da escola, Marise Godoy Rodrigues Boldorini, disse que os estudantes aprovam a iniciativa e melhoram o desenvolvimento disciplinar. "Nós conseguimos fazer com que o interesse pelo estudo seja maior, melhorando o nível de aprendizado", explicou.
Edinéa afirmou que com o sistema de salas-ambiente os alunos ficam mais livres para criar. "São passados diferentes enfoques dentro de um mesmo tema. Os alunos têm a liberdade de criatividade e produzem trabalhos muito interessantes", disse.
Para a dirigente de ensino, a forma de aplicar a verba recebida pelo Estado é que faz a escola melhorar o ensino. "A diretora sabe como investir o dinheiro que recebe", afirmou. Ela disse, ainda, que os alunos da rede estadual têm recursos que são oferecidos em uma escola particular e com a estrutura que dispõem da escola, são concorrentes no vestibular com qualquer aluno da rede particular.
O aluno do 3.º colegial Michel de Assis Santoro, de 16 anos, contou que aprende mais podendo colocar em prática o que aprende na teoria. "Até o ano passado tínhamos esse tipo de aula somente em algumas disciplinas. Esse ano será melhor", disse.
A escola Christino Cabral de ensino médio tem, atualmente, 1.500 alunos e, segundo Edinéa, tem capacidade para 2.500. São mil vagas que poderão ser preenchidas durante o ano. As aulas da rede estadual tiveram início ontem, colocando em atividade cerca de 70 mil alunos.
Alunos especiais
A rede estadual de ensino recebe também portadores de deficiências. De início, eles recebem um tratamento especial e depois são integrados aos outros alunos, em salas comuns. As escolas estaduais Luiz Braga, Mercedes Paes Bueno e Antônio Ferreira de Menezes já recebem esses alunos, realizando o trabalho de educação especial. No total, são 22 classes específicas.
A professora de História Terezinha Zanlochi demonstrou um pouco de preocupação em relação a essa iniciativa do Estado e questionou a dirigente Edinéa sobre a capacitação dos professores que atenderão esses alunos. "Acho um iniciativa muito boa, mas temo por isso porque acredito que não estamos preparados para ensinar os portadores de deficiências", disse. Edinéa afirmou que a capacitação para professores nesse sentido é viável e deverá ser estudada para que os alunos sejam bem atendidos.
Novas salas
O Governo Estadual deverá construir uma escola de 5.ª
à 8.ª série e ensino médio (antigo colegial) até o final do ano no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000). O objetivo é oferecer 12 salas para alunos que vivem na região.
Na escola Ada Cariani, de 1.ª à 8.ª série, localizada no Núcleo Mary Dota, mais duas salas deverão ser disponibilizadas até o final do primeiro semestre, podendo receber mais 80 alunos do bairro.
Edinéa disse que deverá ser feito uma pesquisa para saber quantos alunos residentes nesses bairros estão estudando em locais mais distantes. "O objetivo é deixar os estudantes o mais próximo de suas casas para não terem gastos com o transporte, mas no caso da escola Christino Cabral acredito que é muito válido percorrer uma distância maior para ter um ensino de primeira qualidade. Os que podem fazer esse sacrifício, com certeza não se arrependerão", afirmou.