Seccional investiga acidente em Pirajuí
Texto: Marcos Zibordi
Caso do trabalhador rural de Pirajuí que perdeu os órgãos genitais começa a ser investigado pela Seccional de Bauru
O inquérito que vai apurar o acidente ocorrido em Pirajuí, há quatro meses, envolvendo o trabalhador rural Alcir José de Paula, 38 anos, vai tramitar na Delegacia Seccional de Bauru e não na Delegagia de Pirajuí. Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Clementino Sobral, a
"relevância do fato" foi o que motivou a transferência do inquérito da delegacia de Pirajuí para Bauru.
O delegado assistente da Seccional, Clementino Sobral, informou, esta semana, que o inquérito foi instaurado no dia 25 de janeiro. Preliminarmente, as investigações devem ser concluídas em 30 dias, mas esse prazo pode ser estendido em razão da quantidade de pessoas que devem ser ouvidas e da dificuldade em encontrar e tomar o depoimento de todas elas.
O inquérito foi instaurado com base na reportagem publicada pelo JC, em que se conta a história do trabalhador que alega ter perdido os órgãos genitais num acidente de trabalho com um trator, na fazenda São José, de propriedade de Sebastião Walter Pereira, em Pirajuí.
Por enquanto, a acusação da vítima, que diz não ter sido atendida, na delegacia de Pirajuí, nas duas primeiras oportunidades em que teria tentado registrar o Boletim do Ocorrência, será investigada através do mesmo inquérito. Segundo Sobral, dependendo dos rumos da investigação, poderá ser instaurado procedimento específico para este aspecto.
Alcir José de Paula alega ainda ter ficado sem assistência durante os três meses posteriores ao acidente, usando uma sonda provisória para urinar. Além das acusações em relação à suposta omissão do patrão e da delegacia de polícia, o Pronto-Socorro Municipal de Pirajuí não registrou boletim do ocorrência quando a vítima deu entrada no hospital. O delegado Sobral afirma que é obrigatório o procedimento, especialmente quando se trata de fato tão grave. O provedor da Santa Casa negou que este procedimento seria obrigatório.
Tendo como ponto de partida a matéria publicada pelo JC e como referência a história contada pela vítima, a delegacia agora deve ouvir diversas pessoas, até porque várias passagens da história ainda não foram esclarecidas.
O nome de quem socorreu Alcir após o acidente ainda não divulgado. Teria sido esta a mesma pessoa que levou Alcir para a Santa Casa de Pirajuí? Alguém presenciou o acidente? Além destes, há outros pontos ainda obscuros. Qual, ou quais, foram os médicos que atenderam Alcir em Pirajuí e por que nenhum deles comunicou o fato às autoridades policiais? Por que o patrão de Alcir, tendo sido avisado do acidente e passado pela Santa Casa, também não comunicou o acidente de trabalho? Alguém mais, além do patrão, esteve no hospital? Em que estado estavam os
órgãos genitais de Alcir quando ele deu entrada no Pronto-Socorro? Não havia mais chance de reimplante? Por que só depois de várias horas a vítima foi transferida para Bauru? Em Bauru, o que dizem os médicos sobre o estado de Alcir? Os genitais vieram junto?
Por fim, na delegacia de Pirajuí, quem teria atendido Alcir e se negado a atendê-lo? E, o mais incrível, como um acidente desses passou "despercebido" durante quase quatro meses aos olhos das autoridades sindicais, legislativas, executivas e judiciárias da cidade?
Algumas dessas perguntas vão começar a ser respondidas com a tomada do principal depoimento até agora, o da própria vítima, que será marcado para os próximos dias. O Ministério do Trabalho também espera a volta da vítima, que estava sendo operada em São Paulo, para tomar seu depoimento.