ECCB opera normalmente na cidade
Texto: Márcia Buzalaf
Depois de seis dias da liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ), que suspendeu a falência da Empresa Circular Cidade Bauru (ECCB), decretada no último dia 4, o transporte urbano volta ao que era antes. A ECCB volta a operar normalmente com suas 48 linhas.
Os 450 funcionários que estavam trabalhando para as outras duas empresas de ônibus, a Transporte Cidade Sem Limites
(TUA) e a BauruTrans (Kuba), já voltaram a trabalhar na ECCB. O clima, entretanto, ainda é de incerteza: a empresa só está trabalhando através de uma liminar
- que pode ser cassada - e as dívidas com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) ainda não foram nem renegociadas.
O gerente administrativo e financeiro da ECCB, Luís Carlos Gonçalves, 45 anos, garante que a empresa está trabalhando normalmente no campo operacional, ou seja, as linhas e carros voltaram a funcionar da mesma forma. O único problema apontado por ele seria a suspensão das receitas nos cinco dias em que a empresa esteve com a falência decretada, já que parte dos custos continuaram a ser pagos. "Os salários serão pagos integralmente. Nós tivemos que renegociar com todos os fornecedores porque haveria atraso em função da falta da receita", explica Gonçalves.
"Mesa-quadrada"
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru (SindiTran), Elias Pinheiro da Silva, afirma que, na última mesa-redonda no Ministério do Trabalho e Emprego, a dívida da empresa estava computada em R$ 24,8 milhões entre FGTS e INSS.
Gonçalves não quis comentar sobre o valor das dívidas da ECCB, mas garantiu que o novo sócio da empresa deverá ser o responsável pela renegociação das dívidas e pelo saneamento financeiro da empresa (veja matéria abaixo).
O débito com o FGTS e com o INSS é novamente motivo de mesa-redonda no Ministério do Trabalho e Emprego de Bauru, hoje, às 15 horas. Lá, serão discutidas as formas de renegociação, bem como a situação dos trabalhadores que estão desassistidos dos direitos trabalhistas que adquiriram. Funcionários contratados de três anos para cá não teriam nem mesmo registro na Caixa Econômica Federal (CEF) para receber o FGTS, no caso de rescisão contratual.
Linhas cruzadas
Os usuários de ônibus em Bauru continuam reclamando do atraso nos circulares, mesmo depois do fim das mudanças ocasionadas pela falência da ECCB. Agora, com todas as linhas e ônibus circulando normalmente, volta a tona a insatisfação dos moradores de Bauru, apesar da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) ter registrado apenas duas reclamações de atraso este final de semana e uma há 15 dias atrás.
Orestino Gonçalves da Rocha, 70 anos, vendedor de doces
"sonhos" em um ponto de ônibus localizado na avenida Rodrigues Alves, diz que ouve muita gente reclamando dos atrasos nos circulares, e que tudo continua na mesma, com ou sem a ECCB.
"Tem gente que fica no ponto toda a vida esperando", conta.
João Cardoso de Oliveira, 62 anos, aposentado, confirma os atrasos, mas diz que o maior problema é mesmo durante os finais de semana, quando não há ônibus disponíveis e os horários são restritos. Oliveira afirma que já reclamou para a Emdurb da falta de circulares: "Depois das 22h10, não há mais
ônibus. E a gente que quer ir numa missa, ir passear de final de semana, como é que fica?", questiona o morador.
Oliveira também afirma que os circulares, quando estão atrasados, costumam "cortar caminho", e que a Emdurb afirmou que mandaria um fiscal para verificar a reclamação.
Diferentemente dos outros usuários, que não estão satisfeitos com a atual situação do transporte urbano na cidade, Maria Josino da Silva e Souza, 71 anos, afirma que ficou muito contente com o retorno da ECCB, já que este foi o primeiro ônibus que ela tomou na cidade. "A gente sente. Queria que o Quaggio acertasse a vida, tomara que dê tudo certo", espera Maria Josino.
Funcionários devem receber da TUA/Kuba e da ECCB
Elias Pinheiro da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru (SindiTran), afirma que os funcionários deverão receber as diárias relativas aos dias em que trabalharam tanto na Transporte Cidade Sem Limites (TUA) e na BauruTrans (Kuba) quanto na Empresa Circular Cidade Bauru (ECCB).
O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru (SindiTran) diz que as duas empresas que absorveram os funcionários da ECCB durante os cinco dias da falência vão depositar em juízo os valores relativos aos dias trabalhados. Na ECCB, como a paralisação não foi causada pelos funcionários, não haverá alteração no salário deste mês.
Elias Pinheiro da Silva, presidente do SindiTran, afirma que o depósito em juízo será feito pelas empresas apenas para garantia de que não haverá problemas trabalhistas futuros, já que os motoristas e cobradores cumpriram jornadas neste período sem o devido registro.
Silva aproveita para informar que os funcionários da ECCB que trabalharam na TUA e na Kuba devem procurar a respectiva empresa para fazer seu cadastramento. A expectativa do sindicato é que o pagamento saia em uma semana. (MB)
Novo sócio deve sanar ECCB financeiramente
O novo sócio da Empresa Circular Cidade Bauru (ECCB) deve ser o responsável por injetar dinheiro da empresa, sanando suas dificuldades financeiras. A afirmação é do gerente administrativo e financeiro da ECCB, Luís Carlos Gonçalves, 45 anos.
De acordo com o gerente, o novo sócio da ECCB ainda não tem nenhum contrato firmado, e por isso Gonçalves não quis fornecer seu nome. Mesmo assim, ele confirma que há um novo sócio na ECCB.
O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru (SindiTran) vem denunciando desde o ano passado que 62% da empresa teria sido vendida por R$ 2,35 milhões no início do ano passado, dos quais R$ 500 mil foram usados para pagar o 13.º dos funcionários, relativo ao ano de 98. Baltazar José de Souza, segundo o sindicato, é o nome do novo sócio da empresa, a ser confirmado oficialmente nos próximos dias pela ECCB.
Elias Pinheiro da Silva, presidente do sindicato, tem uma posição clara em relação ao assunto, questionando a própria gestão da empresa, que viria recebendo recursos do novo sócio, que ainda tem linhas privilegiadas na cidade, e que arrecadaria, mensalmente, R$ 1,3 milhão.
Além do acerto financeiro que espera-se dele, o sócio seria responsável por encabeçar a negociação com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). "O parcelamento das dívidas envolve garantias e ele (o novo sócio) tem como dar garantias", explica Gonçalves. (MB)