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Avaliação parlamentar

Redação
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Vereadores reagem a notas em V. Cruz

Grupo tem filmado as sessões da Câmara de Vera Cruz desde outubro, atribuindo notas de zero a 10 aos parlamentares

Cinco dos 13 vereadores de Vera Cruz, entraram na Justiça para impedir o Grupo Cristão de Ação e Acompanhamento Político, ligado ao Santuário Sagrado Coração de Jesus, de continuar divulgando notas sobre sua atuação. O grupo tem filmado e gravado as sessões desde outubro, atribuindo notas de zero a 10 aos parlamentares. A maioria tem merecido avaliação inferior a 2.

A entidade sustenta que seu objetivo é despertar a consciência de cidadania na população. Os critérios da avaliação foram definidos com base na Lei Orgânica do Município e no Regimento da Câmara. O desempenho dos vereadores é analisado por 35 voluntários, nos quesitos função legislativa, fiscalização contábil, financeira e orçamentária, julgamento, ação de interesse público e participação na área social.

O resultado do trabalho é divulgado bimestralmente nas edições do jornal "O Arauto", informativo da Igreja. Com tiragem de 3 mil exemplares, ele tem distribuição gratuita.

O presidente da Câmara, Elpídio Oswaldo Ottoboni

(PFL), que ficou com nota 5 por seu desempenho em dezembro, não poupa críticas ao grupo. "A maioria de seus membros pertence a partidos políticos, especialmente o PT, e tem interesse em lançar candidatos nas próximas eleições", afirma. "Há vereadores que não merecem nem o zero que levaram; outros são atuantes e deveriam ser tratados com mais respeito."

Um dos autores da ação, José Carlos Dotti

(PFL), que recebeu nota 0,3, condena os critérios da avaliação e teme ser prejudicado nas próximas eleições. Segundo ele, o grupo não levou em consideração o trabalho desenvolvido fora da Câmara. Dotti diz ter feito 18 viagens à capital e conseguido uma perua e verbas para o município.

Nem todos os parlamentares condenam a iniciativa. "É um exemplo de cidadania que deveria ser imitado", afirma Sônia Tozzi (PPB), que recebeu a maior nota já concedida até agora - 6 6. Ela garante que as avaliações são feitas por pessoas idôneas. O secretário do Grupo Cristão, Geraldo Onofre Dias, e dois de seus integrantes, Valdivino de Moura e Celso Justo do Monte, dizem ter o apoio do pároco da cidade, José Soares de Souza, para a avaliação do desempenho da Câmara. Eles afirmam que o projeto é inspirado em posições da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Os três admitem que existem filiados a diversos partidos no grupo, mas negam haver interesse eleitoral na avaliação.

"Se alguém quiser ser candidato, terá de desligar-se", diz Moura.

Dias garante que os resultados da iniciativa já podem ser percebidos nas sessões ordinárias da Câmara, realizadas a cada 15 dias. "Antes, as sessões duravam cerca de meia hora", diz. "Hoje elas chegam a ter mais de três horas de debates."

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