Cemitério da Saudade não tem vagas
Muitos bauruenses podem achar estranho, mas o cemitério mais antigo da cidade, o da Saudade, em pouco tempo terá que deixar de receber novos sepultamentos. É que não existem mais vagas na necrópole localizada na Vila Cardia.
A Assessoria de Imprensa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) informou que existem 50 mil sepultados nos 5.800 jazigos construídos no cemitério. Restam apenas algumas gavetas - compradas pelas famílias mais tradicionais para que seus entes queridos quando sepultados ficassem no mesmo espaço - que podem receber novos sepultamentos. Não há mais espaços para construções de novos jazigos.
Em geral, são três gavetas por túmulo, havendo também sepulturas com até seis unidades. As vagas na sepultura surgem quando os ossos da pessoa que morreu há mais de três anos foram exumados. Assim, uma próxima pessoa da família que comprou a gaveta pode ser enterrada no local.
História
O Cemitério da Saudade tem uma história curiosa. Os moradores mais antigos contam que o proprietário do terreno onde hoje é o cemitério, João Henrique Dix, doou a área para a Prefeitura. Ele, proprietário do melhor hotel da cidade - O Grande Hotel Dix - acompanhou toda a construção e quando teve certeza da finalização, suicidou-se com um tiro no peito. A lenda é que ele suicidou-se para que fosse o primeiro a ser enterrado no cemitério.
Dix era casado com Adolfhina da Silva Dix, com quem teve cinco filhos. Antes de sua morte, deixou uma carta para algumas pessoas da cidade cuidarem de seus negócios. Além dessa história, o Cemitério da Saudade coleciona outras, como a da menina Mara Lúcia Vieira, 9 anos, que foi raptada em 1970. Quatro dias depois do rapto seu corpo, em decomposição, foi encontrado na rua Professor José Ranieri, quadra 8, em uma casa abandonada. Ela foi estrangulada e estuprada no banheiro de casa.
O caso chocou a cidade e continua sem explicação. Muitas pessoas vão ao cemitério para visitar o túmulo da menina porque acreditam que ela interfere para a recuperação da saúde de crianças e problemas infantis. Essas são algumas das histórias que guardadas na memória dos moradores mais antigos, que estão sendo passadas de geração a geração.
Vicentinos entregam alimentos na Igreja de São Sebastião
Todos os sábados os vicentinos da Paróquia de São Sebastião tornam o final de semana de 30 famílias carentes mais alegre. A Conferência Vicentina da Paróquia de São Sebastião cadastrou as famílias mais carentes da Vila Cardia, Jardim Guadalajara, Vila Nova Paulista, Jardim Redentor e Núcleo Geisel, bairros que estão na região que a igreja atende.
Os carentes tomam o café da manhã e participam da leitura do Evangelho - no caso dos católicas. Os adultos vão para uma sala e as crianças para outra, onde
é dada a aula de catecismo. Após a evangelização, as famílias são orientadas sobre a higiene e há voluntários que cortam o cabelo de quem precisa.
De acordo com o presidente da Conferência, Celso José Ventrice, 62 anos, até medicamentos são distribuídos para os mais carentes. "Alguns voluntários conseguem medicamentos gratuitos com médicos e trazem para aqueles que não têm condições de pagar", disse.
Ventrice conta que tudo o que a Conferência ganha, doa para as famílias. "Temos um controle para saber quais famílias têm carência desse ou daquele produto, o que facilita no momento da doação".
Ainda aos sábados, a Igreja distribui sopa às famílias carentes e também aos andarilhos que vivem no bairro. Após a sopa, os 12 membros da Conferência distribuem sacolas com alimentos para as famílias. Em cada sacola, que dura uma semana, além dos alimentos básicos como arroz e feijão, também há ovos, misturas (como salsicha e frango), hortaliças, frutas, biscoito, doce e café.
A arrecadação dos produtos, que ajudam as famílias carentes a viver melhor, é feita com a colaboração dos vicentinos e da comunidade, ressalta Ventrice.
Áreas verdes são poucas, reclama associação
A praça da Paróquia de São Sebastião, a que fica ao lado do Velório Municipal e a "Luiz Zuiani", localizada no Higienópolis, não são suficientes, reclamam os moradores da Vila Cardia.
Segundo a diretora social e vice-presidente da Associação de Moradores da Vila Cardia, Miraci Luiza Silva Ávila, a primeira reclamação dos moradores é a falta de praças e áreas verdes no bairro. "Terrenos baldios não faltam, mas o que precisamos mesmo é de locais de lazer para os jovens e aposentados", afirma.
Apesar do número de crianças e adolescentes no bairro não ser tão grande, há reclamações, também por parte deles, sobre a falta de lazer. Não há quadras de esportes nem campos de futebol.
O estudante Richard Tenedine Merino, 14 anos, não está contente com a situação. "O mato que tem nos terrenos baldios do bairro estão altos e continuam no mesmo lugar. Ninguém constrói nada para nós, adolescentes, nem ao menos uma quadra poliesportiva", critica.
Moradores antigos confirmam que lembram da vila quando eram crianças e não tinha nenhuma área de lazer. Os filhos cresceram, casaram-se e tiveram filhos, que continuam sem ter onde brincar. Isso mostra que mesmo depois de tantos anos ainda não há espaço para o lazer dos moradores. "Gostaríamos que o silos da ferrovia fosse cedidos para nós construirmos uma área de lazer para a região, já que o espaço é enorme e está desativado", argumenta.
Poços artesianos: alívio da região
Depois da perfuração de três poços artesianos na região, os moradores da Vila Cardia ficou mais despreocupada e deixou de sofrer com a falta de água. Os poços estão localizados na rua Fonseca Osório
(no Comando de Policiamento do Interior-4); na rua Pará e na rua Marcondes Salgado, ao lado da Vila Inglesa.
Esses poços recebem inúmeros moradores, que diariamente, levam garrafões ou grandes jarras para armazenar a água e levar para casa. Segundo o fundador da Associação de Moradores da Vila Cardia, Mauro Landolffi, 63 anos, que vive há mais de 30 anos no bairro, os moradores sempre reclamaram do gosto da água da torneira e, por isso, procuram os poços.
"Mesmo sendo tratada pelo Departamento de Água e Esgoto
(DAE), muitas pessoas acham estranho o gosto da água e preferem a dos poços".