Geral

Aumento das mensalidades

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Aumento de 13% revolta alunos da USC

Texto: Patrícia Zamboni

Os alunos da Universidade do Sagrado Coração (USC), de Bauru, estão revoltados com o aumento de 13% na matrícula de todos os cursos. O índice acima da inflação anual, de aproximadamente 9%, está gerando polêmica entre os estudantes. Muitos desistem do curso pelo alto preço cobrado e a maioria desenvolve a cota mínima de créditos

(12) para conseguir custear a faculdade. Porém, isso significa demora na conclusão do curso.

De acordo com Luís Henrique Marques, assessor de comunicação da USC, o aumento é em função dos investimentos da universidade com compra de materiais e equipamentos, aumento do salário dos professores, benfeitorias, entre outros.

"Esse aumento é relativo a dezembro do ano passado, e que ele poderia ter sido dado há mais tempo. Durante todo o ano de 99 não houve nenhum aumento, mas os custos da universidade cresceram muito. Por exemplo, todo o material que os alunos de Odontologia utiliza está embutido no preço da mensalidade. Os preços desses materiais subiu muito, e a universidade segurou o quanto pôde para não repassar esse aumento. Agora não foi mais possível segurar", informa Marques.

Segundo o assessor, a USC colocou à disposição dos alunos um setor da Fundação Véritas - ligada à universidade - que gerencia os casos de concessão de bolsas. "Há uma equipe da Fundação Véritas atendendo exclusivamente no campus da USC. Todos os alunos que quiserem estão sendo atendidos no sentido de estudar a possibilidade de bolsa ou de alguma outra negociação", diz Marques. Segundo ele, outra justificativa fornecida pela reitoria da USC para o aumento de 13% é que a inadimplência está muito alta. "As taxas de inadimplência são muito grandes. A USC faz o possível para contornar essas situações de forma que o aluno não precise largar o curso. O curso de Odontologia, que é o mais caro, é o que mais tem bolsas. Mas os altos índices de inadimplência estão dificultando as coisas", afirma Luís Henrique Marques.

Luís Davi Venturino, 29 anos, aluno do 3º ano do curso de Jornalismo da USC, diz que esse aumento está prejudicando muito os estudantes. "Aumento de 13 por cento, acima da inflação,

é um absurdo. Só que até pra reclamar é difícil, porque nós estamos sem coordenador de curso e os launos não conseguem chegar à reitoria. Esse

é outro problema", diz o estudante.

Segundo ele, desde que ele começou o curso de Jornalismo os alunos enfrentam dificuldades com o valor dos créditos.

"O ano passado também teve um aumento acima da inflação. Desde que eu comecei a faculdade, várias pessoas tiveram que largar o curso por não conseguir pagar. Eu, por exemplo, estou sempre pegando o mínimo de créditos, que são 12, sendo que são oferecidos de 20 a 25. Então, eu vou demorar muito para me formar. Só que eu não posso pegar mais créditos porque não vou conseguir pagar", diz Luís Davi Venturino, que trabalha durante o dia e estuda à noite.

Outras três estudantes quiseram manifestar sua insatisfação mas preferiram não se identificar. Uma delas é colega de Davi no curso de Jornalismo e diz que "a USC é um problema. Esse aumento de 13 por cento é um absurdo, e o pior é que o Ministério Público só aceita denúncia quando a alta é superior à 20 por cento. Só que a USC não pode justificar esse aumento porque não tem professores altamente qualificados, os cursos não têm ementa, nós não temos grade de horário, o laboratório de redação está cheio de deficiências. Então, eu não sei porque aumentar tanto", diz a estudante.

Outra aluna de Jornalismo também critica a qualificação dos professores e a falta de estrutura. "Os professores não têm mestrado, tenho uma professora ensina quatro matérias, nós ainda não temos laboratório de foto, mudam a grade constantemente, enfim, tem um monte de deficiências. Tenho três amigas que largaram o curso por causa do preço", diz outra estudante, que não quis se identificar temendo problemas.

Uma estudante de um dos cursos da área de Ciências Humanas diz que esses cursos são os menos favorecidos.

"Nós não temos áudio-visual, laboratório de informática, não temos equipamentos modernos para usufruir. Então, não tem motivo para um preço tão alto pra gente pagar. Nem uma biblioteca rica nós temos nessa área, e eles alegam que o número de alunos é irrisório para justificar grandes investimentos", diz a estudante.

Comentários

Comentários