Horário de Verão termina dia 27 de fevereiro
Texto: Paulo Toledo
Serão 148 dias de duração, um recorde nas 25 edições anteriores
Depois de 148 dias, termina à meia noite de sábado para domingo o horário de verão, que teve início no dia 3 de outubro de 1999 e é um recorde, já que nenhuma das 25 edições anteriores durou tanto. Neste dia os relógios deverão ser atrasados em uma hora. Lúcio Esteves Júnior, 41 anos, gerente de Distribuição da regional de Bauru da Companhia Paulista de força e Luza (CPFL) disse que a energia economizada no período em Bauru seria suficiente para abastecer o distrito de Tibiriçá ou o município de Borebi durante três meses.
A CPFL prevê reduzir a demanda em sua
área de concessão (234 cidades do Interior paulista) em 7,56%, com a diminuição do consumo de energia elétrica em torno de 1,06%. Estes números equivalem a uma redução no consumo de eletricidade de 28,2 MW médios, suficientes para abastecer durante um ano e seis meses uma cidade do porte de Pederneiras.
Se comparado com a economia em toda a região
Sudeste, o volume de eletricidade economizado na vigência do horário de verão seria suficiente para abastecer uma cidade do porte de Campinas, perto de 1 milhão de habitantes, durante 9 meses.
Esteves Júnior disse que o horário de verão é de fundamental importância para o sistema elétrico nacional, pois reduz a demanda de energia no horário de pico (considerado crítico), ao longo deste período. De acordo com ele, isso possibilita que sejam adiados os investimentos em geração de energia elétrica, pois com a medida o sistema acaba suportando a demanda. Este efeito alivia o carregamento dos sistemas de transmissão e distribuição de eletricidade, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde o consumo de energia é mais acentuado. "Com o deslocamento do pico do sistema, há a possibilidade de adiar investimentos que seriam necessários sem o sistema. A iluminação entra mais tarde, a pessoa toma banho mais tarde. Há um deslocamento do pico e as pessoas quando chegam em casa, acendem a luz e tomam banho, o processo produtivo já está em uma fase mais tranqüila", destacou.
Esta foi 26º edição do horário de verão. Neste ano, além do Estado de Roraima, no extremo norte do País, a região Nordeste também participou do horário de verão.
Esteves Júnior diz que o mais não
é a redução no consumo, mas sim a queda na demanda do horário de pico, já que o sistema é dimensionado para atender o pico máximo de demanda, quando está tudo ligado - indústria, etc. Os efeitos do horário de verão, entretanto, não se limitam a um desafogamento no sistema elétrico dos Estados de maior consumo de eletricidade. De acordo com a CPFL, a melhor utilização do sistema elétrico permite racionalizar o uso da eletricidade, estimulando a população a ter o hábito de se preocupar com a economia de energia elétrica.
Esteves Júnior destaca que o chuveiro
é, sim, o grande vilão do sistema elétrico nacional, uma vez que possui 4,8 mil watts de potência, que é ligado justamente no pior horário para o sistema elétrico. Ele diz que quem gasta mais em uma casa é a geladeira, uma vez que fica ligada durante 24 horas por dia, com uma potência de 200 watts. Então, 30% do consumo de uma residência se deve à geladeira. Porém, o chuveiro que tem uma potência correspondente a 24 geladeiras fica ligado por curtos espaços, mas no horário de maior demanda. O horário
O horário de verão foi instituído pela primeira vez no Brasil em 1931. Nos dois anos seguintes, ele voltou a ser aplicado para retornar apenas dezesseis anos depois, em 1949. Mais quatro edições foram realizadas. Nos anos 60, a medida vigorou por cinco anos seguidos - de 1963 a 1968.
O horário de verão só voltaria a ser utilizado como mecanismo de economia de eletricidade em 1985. Com a edição deste ano, a 15ª consecutiva, a medida passa a fazer parte da rotina brasileira, uma vez que a grande maioria da população aprova o adiantamento do relógio em uma hora no verão.
Esta edição do horário de verão foi estabelecida através do Decreto do Presidente da República no 3.150, de 23 de agosto de 1999.
Tarifa Amarela deverá punir quem gastar mais no horário de pico
No próximo ano, a CPFL vai fazer um teste com 800 consumidores do Interior do Estado de São Paulo para testar a implantação da chamada Tarifa Amarela, que pune quem utiliza mais energia no chamado horário de pico. Ricardo Ferreira Júnior, 39 anos, especialista de Negócios da CPFL, destaca que, por outro lado, essa modalidade de tarifa deve incentivar, com tarifas mais baixas quem utilizar a energia elétrica fora do horário de maior demanda, das 18 às 21 horas.
Ele disse que esses consumidores serão convidados a participar do projeto piloto, que vai disponibilizar um medidor adequado para a medição do consumo de acordo com o horário. (PT)