Geral

Abertura do comércio

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Trabalhadores votam pela não abertura do comércio aos sábados até 17 horas

Texto: Patrícia Zamboni

Os trabalhadores do comércio em geral rejeitaram, durante votação realizada ontem, a proposta do Sindicato do Comércio Varejista para a abertura das lojas todos os sábados, até as 17 horas, durante o ano 2000. De acordo com o assessor de comunicação do Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru (SECB), Edson Quintiliano Júnior, do total de 1.058 votantes, número que superou todas as outras votações da categoria até hoje, 785 pessoas votaram contra a proposta feita pelo sindicato patronal (Sindicato do Comércio Varejista) para continuar com o funcionamento do comércio todos os sábados até as 17 horas; e somente 269 pessoas concordaram em trabalhar neste esquema mediante a concessão de uma cesta básica e de alimentação. Houve quatro votos nulos. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Walace Sampaio, disse que o departamento jurídico do sindicato vai agir de forma a reverter esse resultado e reinstalar a abertura das lojas do comércio todos os sábados, até as 17 horas.

De acordo com Quintiliano Júnior, diante desse resultado fica valendo, a partir de 1º de março, o horário que foi o vencedor da votação e que é o previsto na legislação municipal. "A legislação municipal diz que o horário mínimo é das 8 às 18 horas de segunda a sexta-feira, e aos sábados até as 13 horas, exceto no sábado que venha após o quinto dia útil de cada mês", diz o assessor.

Para Walace Sampaio, o resultado da votação é lamentável. "Eu lamento profundamente esse resultado, porque o funcionamento do comércio todos os sábados até as 17 horas foi uma experiência positiva para Bauru, que foi sentida por várias outras cidades do Estado. Abrir somente um sábado por mês até esse horário

é inadmissível para uma cidade que depende do comércio", diz Sampaio. Segundo ele, a partir de agora o departamento jurídico do Sindicato do Comércio Varejista vai entrar em ação no sentido de buscar todos os caminhos para preservar a abertura até as 17 horas em todos os sábados. "Nós apresentamos uma proposta superior ao que foi apresentado no ano passado e já no limite do que as empresas comerciais poderiam ceder. Agora iremos tomar as providências para se manter a abertura do comércio todos os sábados. Não fazer isso seria um retrocesso para Bauru", diz Walace Sampaio.

O presidente do sindicato patronal acredita que interferências políticas comandaram os rumos da votação.

"Nós aceitamos a proposta feita pelo Sindicato dos Empregados e mesmo assim a votação foi contrária. Isso demonstra claramente uma interferência política no meio desse processo que deveria ser sindical", conclui Walace Sampaio.

Opiniões

Carlos Augusto Batista Barreto, que trabalha em uma empresa do setor de auto-peças, votou ontem e disse que esperava que vencesse a proposta que fosse ideal para a categoria. Gleice Horn, que trabalha como vendedora em uma loja da Batista de Carvalho, disse ontem, antes da apuração dos votos, que seria prejudicial o comércio parar de funcionar todos os sábados até mais tarde. "Eu acho que se o comércio não abrir mais de sábado, muita gente vai ficar desempregada, porque o movimento é muito bom nos sábados. Então, eu acho que as lojas deveriam continuar abrindo todos os sábados", disse Gleice.

Segundo Patrícia Porfírio Horne, representante do Sindicato dos Comerciários que estava coordenando a votação na urna colocada na quadra 4 do Calçadão, os trabalhadores do comércio estavam participando ativamente da votação. Segundo ela, até as 16 horas de ontem já tinham votado cerca de 400 pessoas naquela quadra. De acordo com Aparecida Rodrigues Rocha Figueiredo, que coordenou a votação na quadra 6, a participação dos trabalhadores foi até acima do esperado.

Havia urnas nas quadras 2, 4 e 6 do Calçadão. Os trabalhadores puderam votar das 8h30 até as 18 horas. A apuração dos votos terminou às 19 horas.

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