Pesqueiro adere à pesca esportiva
Texto: Roberta Mathias
Pescar e soltar é uma boa alternativa para aqueles que não pretendem voltar para casa carregado de peixe. Pesqueiros aderem à pratica, que permite ao pescador soltar o peixe após o melhor momento: a briga.
Já há alguns meses, a equipe da Pesca & Lazer vem fazendo visitas aos pesqueiros da região de Bauru para conferir o que eles têm a oferecer aos amantes da pesca. No final de semana passado, estivemos conferindo três pesqueiros no município e Agudos, que atraem pescadores de Bauru, Lençóis Paulista, Agudos e até São Paulo. Pexe Loko, Toca do Peixe e Pesk Pag Santa Cândida oferecem opções diferenciadas e bom atendimento para agradar visitantes, que vão à procura de tranqüilidade, além de uma boa pescaria.
O pesque e solte já é marca na cidade. O primeiro a ter a iniciativa foi o Pexe Loko, quando inaugurou suas instalações há dois anos. Agora, como uma nova alternativa para os pescadores esportivos, Agudos inaugura mais um pesqueiro, localizado em um local privilegiado, próximo às margens do rio Batalha. A Toca do Peixe, ou pesqueiro do Caetaninho (como muita gente já conhece), começou suas atividades há apenas dois meses e já possui um grupo fiel de freqüentadores. Nesta semana, a Pesca & Lazer vai apresentar a Toca do Peixe e nas próximas edições serão publicadas informações sobre os outros pesqueiros de Agudos.
Caetano Gonzales Ernandes, 68 anos, é fiscal de Saúde aposentado e há cinco anos iniciou na área de piscicultura, criando peixes para engorda. Com o auxílio do genro José Eduardo Sandri, 27 anos, montou a Toca do Peixe, um pesqueiro que tem como carro-chefe a pesca esportiva. Os cinco tanques separam as diferentes espécies de peixe. Há uma represa só com tilápias, a preferida das crianças, e outro com pacu e piauçu, mais procurados pelos pescadores.
O lugar está estrategicamente localizado às margens do rio Batalha. A mata ciliar oferece um descanso aos olhos das pessoas acostumadas à correria da cidade. Além da pescaria, um bom lugar para curtir a natureza, com ar fresco e tranqüilidade. Sandri está trabalhando para oferecer um bom atendimento aos freqüentadores.
Culinária
O policial rodoviário José M. S. Carvalho, 32 anos, que já conhece o local, acha importante a possibilidade de soltar o peixe. "Eu também gosto de levar algum peixe; já levei um pacu de 2,2 Kg que fiz assado e ficou
ótimo. Peixe é comigo mesmo!" O pescador aproveita e passa uma receita especial para os leitores do Jornal da Cidade.
Para começar, é preciso fisgar um pacu com mais ou menos dois quilos. Acrescente à lista os seguintes ingredientes: duas cebolas cortadas em quadradinhos; um tomante em quadradinhos também; cinco ou seis limões; sal, salsinha e cebolinha a gosto; batatas em rodelas (+ou- 0,5 cm de espessura).
Primeiro você limpa o peixe, sem retirar as escamas. É importante que o peixe seja temperado na véspera, para que o tempero seja absorvido. Coloque todos os ingredientes, com exceção das batatas, em um recipiente, onde será colocado o peixe. Faça um recheio com o "vinagrete" que se formou com o tempero e reserve. No dia seguinte, unte uma assadeira com azeite de oliva e forre com as rodelas de batatas, que além de evitar que o peixe grude, ficam muito saborosas.
Uma sugestão de Carvalho é acrescentar farinha de milho dentro do peixe, junto com o tempero. Não é necessário costurar. Envolva a assadeira em papel alumínio e leve ao forno. Deixe assar por uma hora e retire o papel para dourar o peixe. Depois é só abrir o peixe e servir com arroz branco.
Antônio Cláudio Guerreiro, 57 anos, é outro frequentador assíduo da Toca do Peixe. Pescador de rios como o Araguaia e Paraguai, Guerreiro também encontra prazer no pesqueiro e faz da pesca esportiva um momento de descontração.
"Eu sempre trago a minha tralha, o meu equipamento." Para os peixes, a dica é não cruzar o caminho de Guerreiro, pescador experiente e louco por aventura.
Já o médico Ricardo Sandri Carvalho, 26 anos, busca na calabura a fórmula para fisgar o pacu. Conhecendo as características do peixe, que gosta de frutinhas adocicadas que caem na beira da lagoa, Ricardo prepara o anzol para o arremesso. A calabura está presente no pesqueiro e oferece boas oportunidades para o pescador. "E pega mesmo o pacu. A maioria vai de volta para o lago. Só às vezes eu levo." Apesar de ser amante da pesca de pacu, Ricardo gosta de comer o filé de tilápia. "Não tem espinhos e frito fica
ótimo."
Wilson Pereira Leite, 78 anos, aposentado do Centro de Saúde, saiu de Bauru para pescar em Agudos. "Sempre gostei de pegar bagres no rio Batalha, mas hoje não tem mais", conta o pescador, visivelmente chateado. Em sua segunda visita à Toca do Peixe, Leite foi acompanhado da família. Adilson Leite, 31 anos, e a esposa Daniela, 26 anos, já estão preparando o filho Felipe (que vai nascer em abril) para gostar de pescarias. "Ele vai nos acompanhar", conta o futuro pai.
As mulheres também mostram sensilidade na fisgada, porém perdem às vezes na hora de tirar o peixe. Mas como o local
é para pescar e soltar, ninguém sai perdendo. Laine Paludeto Monchelato, 26 anos, esteve pela quarta vez na Toca, fisgando vários peixinhos. Na última visita, um lindo piauçu pulou e mostrou graça ao escapar do anzol, mesmo depois de ser levado para a grama. Ponto para o peixe. Mas não faz mal, pois o que vale é soltar o peixe.
Cuidados ao soltar
Apesar de não haver multa por soltar peixe, aliás, soltar é o principal objetivo, é importante observar alguns detalhes para que o animal sofra o mínimo possível. Evite machucá-lo ao forçar o anzol, retire com cuidado. Se possível, use anzóis sem farpa. Apesar de dificultar a captura, torna muito mais esportiva a pescaria. É só apertar com um alicate, experimente.
A mão deve estar limpa de produtos que possam prejudicar o peixe. Lave a mão na água da lagoa. Antes de liberá-lo, faça a oxigenação, segurando o peixe e permitindo que ele se recupere. A briga é boa, mas é importante cuidar para que o peixe volte em segurança para a lagoa. Eles são fortes, porém, quando estão muito machucados, tornam-se vulneráveis, sendo presas para outros predadores.
Serviço
Entrando na cidade, logo na primeira rotatória, virar à direita e seguir a sinalização. A Toca do Peixe fica no Sítio Arco-Íris, na antiga estrada Agudos-Bauru, sentido Serraria. Informações pelo telefone (14) 9651-8501. O pescador esportivo paga R$ 5,00 para pescar e soltar. Caso pretenda levar alguns peixes, o quilo da tilápia está R$ 3,00; o piauçu sai por R$ 4,00 e o pacu e o matrinxã estão R$ 5,00 o quilo. A limpeza é R$ 1,00 por quilo de pescado. O pescador, se quiser, também pode alugar vara e guarda-sol.
************* História de Pescador****************
Pescando passarinho
Venho por intermédio desta contar a minha história de pescador ou caçador? (não sei bem direito, mas vamos lá).
Após três dias na beira de um dos melhores rios de pesca, no pantanal matogrossense, o rio Piqueri, sendo que nesse dia, como dizem os pescadores, o rio "parou" para descansar, não pegávamos mais nenhum peixe e até a água parecia que estava parada. Mas como todo pescador é teimoso, fomos eu e meu primo Juninho de barco e motor elétrico tentar a pesca do tucunaré. Entramos em uma baía, que era a coisa mais linda daquele lugar. A água era um verdadeiro espelho de tão limpa e refletiva. Rapidamente isquei um lambari vivo no anzol e fui "curricando" nas margens da baía para tentar pegar algum tucunaré.
Logo no início percebi uma puxada na linha, mas para meu espanto a linha não puxou para baixo e sim para cima, isso mesmo para o céu, era o famoso pássaro pescador
"Martin Pescador", que se encontrava no topo de um galho seco e viu com clareza aquelo belo e suculento lambari passeando naquelas límpidas águas. O pássaro pescador mergulhou e com o seu bico pegava o lambari e tentava voltar para o galho seco novamente. Eu sei disso porque na segunda, terceira, quarta e quinta vezes - isso mesmo, o pássaro tentou pegar o lambari cinco vezes - não conseguia, porque a linha esticava e o lambari caía novamente na água. Este foi uns dos casos mais verídicos que já presenciei. Miguel Ângelo Coneglian é pescador e contador de histórias
************* Troféu Pescador**************** O rio Jacaré-Pepira encanta seus freqüentadores. No ano passado, Diógenes Tadeu Gonçalves Leite fisgou muitos tucunarés em Bariri, que tiveram o privilégio de voltar para o rio. É a pesca esportiva no Brasil! Valeu...