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Hospital da Unimed

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Hospital da Unimed trabalha no vermelho

Texto: Josefa Cunha

O Hospital da Unimed, inaugurado há apenas quatro meses, está amargando déficits mensais de aproximadamente R$ 150 mil por conta das baixas taxas de ocupação dos leitos. Os atendimentos realizados estão conseguindo cobrir pouco mais de um terço das despesas, situação que já está exigindo dos administradores da unidade um plano imediato de reestruturação. A Unimed e a Sobame, sociedade interna que administra o estabelecimento, alegam que os números deficitários estão previstos desde que o projeto do hospital começou a ser executado, há cinco anos. Uma assembléia para discutir as alternativas que serão adotadas no sentido de amenizar a crise financeira já foi agendada para março.

Embora o hospital esteja funcionando apenas com os setores de obstetrícia e pediatria, a estrutura operacional está praticamente toda disponibilizada. A cozinha e lavanderia, por exemplo, foram projetadas para atender uma demanda três vezes maior do que a atual (apenas 62 dos 180 leitos estão abertos), razão pela qual os custos desses setores estão muito acima do que deveriam. O serviço de plantão vem funcionando com quatro médicos, enquanto que apenas dois seriam suficientes para dar conta da procura. Até o número de funcionários (180) está discrepante para o volume de trabalho existente. Na pretendida reestruturação, inclusive, não se descarta a possibilidade de demissões.

O funcionamento do Hospital da Unimed deve muito à colaboração do corpo clínico. Para viabilizá-lo, cerca de 400 médicos contribuíram, cada um, com a quantia de R$ 3 mil para a formação de um fundo de reserva. Este, aliás, teria sido planejado justamente em função da previsão do déficit. Os R$ 1,2 milhão arrecadados, porém, já estão no fim e, pelo que se apurou, os "contribuintes" não parecem dispostos a investir novamente - muitos médicos pensavam que logo iriam recuperar o dinheiro, mas teriam se frustrado com o andamento das finanças. Extra-oficialmente, corre o comentário de que o corpo clínico teria sido "convidado" a ajudar com R$ 600,00 mensais até a conclusão da segunda etapa do hospital, que deve ser entregue dentro de cinco meses.

Na verdade, a colaboração para a formação do fundo deu-se numa espécie de cooperativa. Na condição de "sócios" do empreendimento, muitos dos que cooperaram com a verba inicial estariam cobrando soluções

- duas hipóteses estariam sendo comentadas: o fechamento ou a devolução administrativa do hospital à Unimed.

Nilton Carlos Busch, superintendente da Sobame, confirma o momento difícil, mas sequer cogita a possibilidade de o hospital ser inviável. "Não esperávamos que houvesse equilíbrio financeiro com a oferta de apenas duas especialidades, mas sabemos que a situação mudará tão logo inaugurarmos o centro cirúrgico geral, a UTI geral e o restante da ala de internação. Enquanto isso não acontece, vamos ter de buscar alternativas para minimizar o déficit mensal, terceirizando serviços ou adotando outros meios mais viáveis. É para definir essas estratégias que realizaremos a assembléia no mês que vem", justificou.

O presidente da Unimed em Bauru, Osvaldo Azenha Júnior, também tenta afastar os rumores da crise. "Nós sabíamos que o hospital não teria como se auto-sustentar funcionando com apenas duas especialidades. Para ser viável,

é necessário operacionalizá-lo por inteiro, mas isso ainda levará um tempo. Não tínhamos conhecimento de quais seriam os números do déficit e é por isso que só agora temos condições de readequar os serviços à realidade que a prática está revelando. A Unimed é dona do hospital e vai mantê-lo em funcionamento até chegarmos ao equilíbrio. Essa crise que estão querendo plantar não passa de um movimento articulado por profissionais que não têm interesse no crescimento do hospital. Já cheguei a ouvir colegas defendendo o fechamento da unidade, o que é um grande absurdo", protestou.

Azenha Júnior não informou quanto dinheiro a Unimed injetará no hospital e nem qual a economia que se pretende obter com a reestruturação administrativa. Nessa fase de "salvamento", quem tem que abrir os olhos são os conveniados dos planos de saúde da empresa, que pode vir a transferir os custos extras para as mensalidades.

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