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Homeopatia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Homeopatia provoca as reações do organismo

Texto: Sabrina Magalhães

Quanto mais diluído e dinamizado é o medicamento, melhores seus efeitos no tratamento do paciente

A principal diferença entre a homeopatia e a medicina convencional

é que enquanto a alopatia usa os remédios para cortar os sintomas de uma doença, a homeopatia prescreve substâncias que provocam ainda mais as reações do organismo. Essa diferença vem de uma idéia formulada por Hipócrates no século IV a.C. Observando a natureza, o médico grego afirmou que há duas maneiras de se obter a cura: pelos contrários (princípio defendido pela alopatia) e pelos semelhantes (caminho seguido pela homeopatia).

Segundo os homeopatas, o organismo já é preparado para se defender de qualquer doença. De forma que, quando um indivíduo apresenta sintomas, ele está apenas reagindo a uma anomalia momentânea, na tentativa de retomar o equilíbrio de sua energia vital. Assim sendo, ao invés de acabar com o sintoma, a homeopatia vai aumentar o 'poder' dessa reação. A médio prazo, ela não acaba com a doença ou com suas causas, mas torna o indivíduo mais resistente a ela.

Mas para alcançar esse objetivo, a homeopatia acabou levando a fama de ser um tratamento lento e demorado. Questionada a esse respeito, a médica Maria Helena de Abreu explica que isso

é um mito. Em casos agudos, como dores de garganta e ouvido, a ação dos medicamentos homeopáticos aparece em minutos ou horas, às vezes até em menos tempo que as drogas alopáticas.

O que acontece, porém, é que a maioria das pessoas que procura a homeopatia quer tratar doenças crônicas ou que não têm cura, como as alergias, a enxaqueca, entre outras. Estas são doenças hereditárias, que vão acompanhar a pessoa por toda a vida. O tratamento teria como objetivo diminuir a sensibilidade da pessoa, tornando as crises mais raras e com menor intensidade. Ou seja, uma pessoa alérgica a poeira receberia um medicamento feito à base de poeira. Aos poucos, o organismo acabaria tornando-se indiferente ao elemento agressor. Nesses casos, o tratamento é mesmo demorado.

O remédio

Um dos principais segredos do sucesso da homeopatia é a produção do remédio, que segue um verdadeiro ritual. Primeiro o médico determina quais as substâncias devem constar no medicamento. Então, são colhidas amostras destes produtos. Eles são diluídos e macerados, sendo transformados no que se chama tintura-mãe, um concentrado daquele produto.

A partir daí, são feitas diluições consecutivas, sendo 1 ml da tintura-mãe para cada 99 ml de álcool absoluto. Essa mistura é chamada 1 CH

(Concentração Hahnemaniana). Retira-se 1 ml dela e dilui-se em outros 99 ml de álcool (2 CH) e assim sucessivamente, até chegar ao ponto em que haja apenas uma "memória" da substância original.

Nesse processo, o mais importante é a chamada dinamização. Segundo a farmacêutica Vânia Furlan, cada vez que

é feita uma diluição, o medicamento tem que ser agitado vigorosamente (sucussão) por 100 vezes. É isso que vai fazer com que a substância principal libere sua energia. É essa energia que tem o poder de provocar a reação do organismo. Isso quer dizer que quanto mais diluída a substância, mais dinamizada ela foi e, portanto, melhores são seus efeitos terapêuticos.

História

As bases científicas da homeopatia foram lançadas na Europa há cerca de 200 anos, pelo médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann. Filho de pais pobres, concluiu o curso de Medicina com muita dificuldade, trabalhando como tradutor de obras literárias para pagar as despesas da universidade. Formado, trabalhou em diversas cidades da Alemanha, deixando excelentes contribuições para a literatura médica.

Dez anos depois, no entanto, Hahnemann abandonou a clínica e voltou a dedicar-se às traduções literárias. Ele estava desiludido com a medicina que, naquela época, tratava seus pacientes com sanguessugas e sangrias - práticas que ele considerava mais danosas do que benéficas. Cansado de ver seus pacientes morrerem, voltou à literatura.

E foi lendo e pesquisando que ele encontrou os primeiros relatos da cura pelo semelhante. Nesta época, Hahnemann já acreditava que o organismo tem capacidade de realizar a própria cura, que os sintomas refletem um esforço do corpo para combater a doença e reencontrar seu equilíbrio.

A partir disso, ele começou a fazer experiências em indivíduos saudáveis, testando os efeitos de produtos vegetais, animais e minerais. Se uma substância provocava febre numa pessoa sadia, ele passava a usar aquela substância para tratar um paciente que estivesse com febre e assim passou a relatar os efeitos de diferentes substâncias, quase sempre fazendo de si próprio a cobaia.

Mais tarde, ele descobriu que um mesmo medicamento nunca produzia sintomas iguais quando ministrado a pessoas diferentes. Foi assim que Hahnemann começou a considerar, além dos sintomas, as características emocionais e mentais do paciente. Só depois de traçar um perfil completo do indivíduo

é que ele prescrevia um medicamento.

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