Núcleos de Saúde cadastram para tratamento de canal
Texto: Adriana Rota
Os 18 núcleos de saúde da cidade estarão cadastrando, a partir de hoje, interessados em fazer tratamento dentário de canal. A iniciativa do programa é resultado de conversações entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Universidade Paulista (Unip), que já mantém outros trabalhos nas áreas de prevenção e tratamento, desenvolvidos por alunos, sob supervisão dos professores.
O coordenador do curso de Odontologia da Unip, José Valdes Conti, esteve ontem na Prefeitura, acompanhado de profissionais da universidade, para oficializar a parceria junto ao prefeito Nilson Costa e à titular da SMS, Eliane Fetter Telles Nunes.
O município arcará apenas com as instalações para atendimento, enquanto a Unip cuidará da mão-de-obra e do material que será utilizado. Os interessados passarão por uma triagem, que incluirá condições socioeconômicas e idade (os mais jovens terão prioridade). Haverá um número de vagas limitado por unidade da saúde, que ainda não foi determinado.
Há quase um ano, a Unip mantém um atendimento clínico em suas dependências, também gratuitamente. Este, prioriza os idosos. Os atendimentos são realizados de acordo com a fase do curso: os alunos já prestaram serviços nas áreas de dentística, ortodontia, agora, endodontia e, mais adiante, odontopediatria.
Da fase atual, participam 71 alunos e seis professores, aos quais outros 68 e cinco, respectivamente, deverão juntar-se no próximo semestre. Embora os núcleos de saúde da Prefeitura, o ambulatório do Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (Cips) e os pronto-socorros tenham profissionais da área odontológica, de acordo com a secretária de Saúde, não há um trabalho especializado. Faz-se, então, um encaminhamento para a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade do Sagrado Coração (USC) ou a Unip, que mantêm cursos na área. "Mas, como a demanda é grande, muitas vezes a pessoa acaba tirando o dente", lamentou Eliane. O custo de um canal, incluindo o raio-x, está na casa dos R$ 500,00, um valor alto demais para a maior parte da população.
Para o prefeito, a importância social da iniciativa da Unip
é grandiosa. Ele ressaltou um outro programa - o Sorria Bauru, que envolve as três faculdades de Odontologia, além das secretarias de Saúde e de Educação - que vem proporcionando o acesso de alunos de escolas municipais de educação infantil (Emeis) a orientações sobre higiene bucal, inclusive em suas residências. "Esse programa é mais um fruto da evolução de Bauru como cidade eminentemente universitária", elogiou.
Conti retribuiu afirmando que a iniciativa, discutida no âmbito da Reitoria da universidade, considerou muito o trabalho desenvolvido na administração municipal e os posicionamentos de Nilson Costa.
Outros programas
Atualmente, a Unip vem desenvolvendo vários projetos preventivos com crianças de zero a seis anos de idade, coordenados pela professora Sílvia H. de Carvalho Sales Peres: o Girassol, que atende a 140 crianças no Parque Jaraguá; um outro na creche Monteiro Lobato, do Jardim América, com 120 crianças; o terceiro, na creche Antônio Pereira, da região da Vila Falcão, a 80 crianças.
A professora, que coordena os trabalhos de campo, salientou a importância dos alunos tomarem contato com outras realidades, até porque podem, no futuro, estarem vinculados ao serviço público. "Eu costumo dizer que não é o profissional que escolhe determinado trabalho, ele é escolhido", sintetizou.
Também na área de Fisioterapia, a Unip mantém um trabalho preventivo, coordenado pela professora do curso, Vera M. Telles Nunes. Ele abrange o Ambulatório de Saúde do Trabalhador, o Programa Municipal de Atendimento ao Idoso (Promai) e algumas creches da cidade (numa parceria com a Secretaria do Bem-Estar Social - Sebes).
A partir de agosto, quando os alunos ingressarão no quarto ano do curso, será dado início a um trabalho terapêutico, no qual estarão envolvidos 42 alunos e seis professores. Em março de 2001, outros 43 alunos e quatro professores estarão engrossando a equipe.