Gasolina chega a R$ 1,37 em postos de Bauru
Texto: Patrícia Zamboni
Apesar do preço venda dos combustíveis em Bauru já ser um dos mais altos no Estado, a alta que está sendo verificada após o anúncio do reajuste da gasolina e do óleo diesel, a partir de ontem, ainda está além do que havia sido previsto pelo Governo Federal. No geral, o aumento ao consumidor está girando em torno de 8%, o que resulta em gasolina comum comercializada a R$ 1,37 em diversos postos da cidade, contra a média de R$ 1,26 antes do aumento. A estimativa do governo era de um reajuste de 7% no preço da gasolina e do diesel nas refinarias, e do repasse de 5% ao consumidor final nas bombas de combustível.
Numa consulta feita ontem - primeiro dia oficial da instalação dos novos preços - a postos de diversas bandeiras, o que foi constatado é que o repasse foi mesmo acima do previsto. Os revendedores alegam que estão repassando à população o mesmo percentual de aumento que encontraram quando assinaram o pedido de compra de combustível junto às companhias distribuidoras, que por sua vez, repassam o valor colocado pelas refinarias.
De acordo com o empresário Edivaldo Tuschi, que é dono de três postos Ipiranga, dois Esso e um Shell em Bauru, ele está repassando ao consumidor o mesmo percentual que as distribuidoras aplicaram no preço de venda dos combustíveis aos revendedores. Segundo ele, nos casos da Ipiranga e da Esso, o repasse foi de cerca de 7%. Isso significa que a gasolina que era vendida a R$ 1,27 nos postos Ipiranga administrados por Tuschi, desde ontem estão sendo comercializadas a R$ 1,37. "Na ponta do lápis", isso significa um aumento exato de 7,87%. O mesmo vale para os postos de bandeira Esso. No único posto Shell de sua propriedade, ontem a gasolina ainda estava sendo comercializada no preço antigo (R$ 1,26) porque a companhia ainda não teria definido o aumento que seria repassado aos revendedores, segundo Tuschi. O óleo diesel passou de R$ 0,61 para R$ 0,643 (aumento de 5,40%). Esse valor não pode ser ultrapassado.
"Eu acho que isso ainda vai se acomodar a uns dois centavos a menos, pelo menos essa é a minha perspectiva", diz Edivaldo Tuschi. Questionado sobre a previsão do repasse de 5% ao consumidor feita pelo governo, o empresário rebate dizendo que é apenas estratégia. "Na minha opinião, o governo sempre faz isso pra poder espremer um pouco mais a margem. Mas não tem tido sucesso, nem por parte dos revendedores nem dos distribuidores, porque hoje a margem de lucro está pequena pra todo mundo. Uma coisa que deve ser ponderada é que o Cofins subiu 50%, então a nossa margem está cada dia mais apertada porque o imposto está aumentando também. Então, se eles repassam lá em cima, a gente tem que repassar aqui embaixo; não tem outro jeito", justifica o empresário, dizendo que os revendedores estão trabalhando "no limite".
"O que precisaria ser questionado é o preço dos distribuidores, porque a meu ver, a margem de lucro deles
é meio gorda, apesar de eu não poder provar isso", analisa. "Eu tenho as minhas notas fiscais pra provar o preço que estou pagando, e mostro à imprensa a qualquer hora", diz.
Absurdo
Uma situação totalmente absurda e curiosa foi enfrentada ontem pelo proprietário de um posto de bandeira Shell, localizado na avenida Duque de Caxias, que prefere ter seu nome preservado. Segundo ele, no pedido de compra de combustível que fez ontem à companhia, a Shell lhe cobrou R$ 1,24 no preço de custo da gasolina comum, ou seja, um aumento de 12,5% em relação ao preço anterior. "É um absurdo isso. Quando eu liguei na Shell para reclamar, eles disseram que foi passado o preço errado, mas na nota fiscal veio esse preço. Se eu fosse repassar isso eu ia ter que vender a mais ou menos R$ 1,40 para o consumidor. Então, eu estou vendendo a R$ 1,37, que é o preço médio da região, e vou negociar com a Shell um preço mais barato. Só que já tive um grande prejuízo", disse o dono do auto posto.
Em outro posto de bandeira Shell, localizado na avenida Getúlio Vargas, a informação obtida no final da tarde de ontem é que, até aquele momento, a companhia ainda não havia se manifestado para esse revendedor. Um funcionário informou à reportagem que a equipe do posto não estava conseguindo fazer contato com a distribuidora, no Rio de Janeiro. Porém, o posto já cobrava, ontem, o valor de R$ 1,37 na gasolina comum vendida à vista, o que significa uma alta de 8,7% em relação ao preço "antigo" de R$ 1,26, que estava sendo aplicado até a meia-noite de terça-feira. O preço do diesel segue a tabela.
Num posto Texaco instalado na avenida Nossa Senhora de Fátima, a informação do gerente José Maria Llobet dava conta de que a companhia havia repassado um reajuste de 8% na gasolina comum e de aproximadamente 7% no diesel. Esse reajuste está sendo repassado integralmente ao consumidor final desde ontem. Ou seja, o preço atual da gasolina passou de R$ 1,269 para R% 1,370. "Estamos repassando o mesmo percentual que a distribuidora nos cobrou, mas acredito que nós ainda vamos conseguir alguma negociação com a Shell, mesmo que pequena. Na verdade, é o mercado que acaba regendo tudo isso", disse o gerente.
Num posto Ipiranga localizado na avenida Getúlio Vargas, a gasolina comum estava sendo vendida, ontem, por R$ 1,36, contra o preço anterior de R$ 1,27. Na ausência do gerente do posto, a informação foi passada por um funcionário que não quis se identificar.
Num posto de bandeira São Paulo, localizado próximo ao parque das Camélias, o gerente Jarbas Basílio informou que a companhia distribuidora havia repassado um reajuste de 6%. O mesmo estava sendo repassado pelo posto no preço final ao consumidor: a gasolina passou de R$ 1,25 para R$ 1,33
(6,4%), à vista. À prazo, o preço vai a R$ 1,37. "Eu só consegui comprar combustível depois da meia-noite, quando o preço já tinha subido. A situação está difícil para os revendedores porque o custo operacional do posto é muito grande. Além disso, cada vez mais estamos dando serviços de graça para os clientes", disse Basílio.
Numa situação rara, em um posto de bandeira Agip da cidade, ontem a gasolina e o diesel ainda estavam sendo comercializados ao preço "antigo": R$ 1,26 e R$ 0,589, respectivamente. De acordo com o proprietário do posto, Luís Nitsch, isso foi possível porque ele ainda tinha estoque de combustível e não precisou comprar nova remessa em seu distribuidor. Porém, essa reserva está no fim. "Estou segurando enqüanto eu posso, mas meu estoque está acabando. Eu ainda não fui notificado pela companhia sobre quanto ela vai aumentar. Então, nem sei o quanto eu vou pagar a mais no combustível. Todos os telefones de lá estão congestionados, e ninguém se comunicou comigo ainda sobre isso. Acho que nem eles sabem. Enqüanto isso, eu estou agüentando até o tanque secar", disse Nitsch.
Em dois postos de bandeira bauruense Flag consultados ontem, o preço também estava sem alta até o final da tarde (R$ 1,25) pela mesma justificativa: não havia sido comprado combustível após o reajuste de preços.
"Ainda não mudamos o preço porque não compramos combustível depois do aumento. Ainda tínhamos no estoque. Mas acho que a distribuidora vai repassar 7% de aumento para os revendedores. Vamos segurar o máximo possível o repasse ao consumidor, mas não tem condições de ficar só nos 5% como o governo havia previsto, infelizmente", disseram Leda e Átila Menezes, proprietários do posto localizado próximo ao Camélias.
De acordo com Francisco Simões Barbosa, diretor da distribuidora Flag, a Replan, refinaria de Paulínea, subiu em 7% o preço do combustível que será comercializado para a distribuidora. Porém, até a tarde de ontem o empresário ainda não havia recebido a planilha com os novos preços.
"Nós ainda não recebemos a nova composição dos preços, mas o aumento foi de 7% mesmo. Só receberemos essa composição amanhã (hoje)", disse Barbosa. Segundo ele, o repasse aos revendedores será desse mesmo percentual. "Teremos que repassar os mesmos 7%, porque além do aumento da gasolina, nós vamos ter um aumento devido à entre-safra do álcool anidro. Então, na realidade vai ser um aumento um pouco maior que 7%. Mas nós vamos absorver esse aumento do álcool anidro e permanecer com 7% de aumento para a gasolina e para o diesel", informou Francisco Simões Barbosa.