Cadeião reforça segurança para enfrentar o Carnaval
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A Cadeia Pública de Bauru está, mais uma vez, superlotada. Com capacidade para 72 presos, ontem ela estava com 154, ou seja, mais do que o dobro de sua capacidade. O risco de fuga em massa, na época de Carnaval, é um temor e por isso a vigilância foi redobrada.
O número de prisões não acompanha o número de liberações e a cadeia acaba ficando com população acima de sua capacidade. "Nossa previsão é que durante o Carnaval aumente ainda mais a população, pois o número de prisões aumenta," explica o diretor da cadeia, delegado Ronaldo Divino.
O delegado diz que a liberação de vagas no sistema da Coordenadoria dos Estabelecimentos Prisionais do Estado de São Paulo (Coespe) e nas cadeias da sub-região está difícil. "As cadeias da sub-região estão lotadas e no sistema Coespe não é fácil conseguir vagas", explicou o delegado.
Divino acha que para a situação ficar sob controle
é preciso transferir pelo menos 54 presos. "Com 100 presos, a situação fica mais tranqüila", acredita. De acordo com ele, o Cadeião tem 14 celas, sendo uma especial, uma para preso civil e uma designada para menores.
"Sobram 11 celas. Cada uma delas deve estar, em média, com 15 presos num espaço de 4x4 metros", contou Divino.
A falta de espaço no interior das celas incomoda os presos.
"Eles têm dificuldades para dormir. Têm que dormir no chão e, em alguns casos, fazem até revezamento para dormir." O abastecimento de água é outro problema para o diretor da cadeia resolver. "O nosso reservatório de água é de seis mil litros. Com uma população carcerária acima do normal, o consumo de água aumenta e o abastecimento fica deficitário", explicou.
Para tentar prevenir algum acontecimento fora do normal no período carnavalesco, a vigilância do Cadeião foi reforçada.
"Diminuímos a folga dos funcionários e reforçamos a guarda. Nós estamos com cerca de dez presos considerados de alta periculosidade", disse o delegado responsável pela Cadeia Pública.