SP armazena 28 toneladas de drogas
Texto: Josefa Cunha
A situação foi levantada pela CPI do Narcotráfico da Assembléia Legislativa. A falta de depósito específico aliada à morosidade da Justiça deixa a droga exposta
à sorte
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembléia Legislativa para investigar o narcotráfico e a lavagem de dinheiro no Estado, da qual faz parte o deputado bauruense Pedro Tobias (PDT), descobriu que existem aproximadamente 28 toneladas de drogas, entre maconha e cocaína, armazenadas precariamente em delegacias, postos policiais e outros órgãos sem estrutura para tanto. A situação é vista pelos membros da comissão como o principal problema a ser resolvido.
O volume vem sendo acumulado há anos e aguarda autorização da Justiça para ser incinerado. De acordo com Tobias, o problema nem é a quantidade, mas as condições dos locais que guardam a droga. A maioria não dispõe de segurança e vigilância apropriadas, o que dá margem para roubos e trocas - não é rara a substituição da cocaína por produtos de aparência semelhante, como a farinha.
Depois do Carnaval, os membros da CPI pretendem apelar ao Tribunal de Justiça no sentido de obter autorização para queima imediata dos entorpecentes. Também deverá ser requerida ao governo a construção de um depósito central para concentrar todo o volume apreendido. "É a única forma de se estabelecer um controle efetivo. Do jeito que está hoje, a droga fica à mercê de qualquer um", comentou o deputado.
O armazenamento precário, no entanto, não foi a
única descoberta que a CPI fez nesse primeiro mês de trabalho. Cerca de duas mil denúncias chegaram à comissão, sendo que somente as mais graves acabaram alvo de investigação. Tobias revela que a região de Marília é uma das problemáticas do Interior, com várias pessoas a serem investigadas. Em Bauru, não existiria nenhum suspeito em relação ao narcotráfico.
"A cidade é citada apenas como rota de passagem da droga, mas tem dois suspeitos por lavagem de dinheiro", conta Tobias. O litoral norte é outro ponto bastante complicado que vem sendo mapeado para a identificação de pistas clandestinas de aviões.
No Estado todo, cerca de 350 nomes estão arrolados como suspeitos, mas ainda não se sabe quantos figuram como grandes traficantes. O que existe muito são passadores que atuam na porta de escolas e operam com pequenas quantidades de droga, mas a CPI entende que estes devem ser investigados pela polícia.
"O nosso objetivo é pegar os peixes grandes, até porque é trabalho da polícia controlar o pipoqueiro da esquina que vende maconha. O desafio que temos é muito grande, porque o processo de apuração é difícil. Você tem um monte de suspeitos que precisam ser investigados minuciosamente antes de qualquer conclusão. Aos olhos da população, pode faltar resultados, mas a coisa não anda rápido. Bem que gostaríamos de já estar mandando prender os envolvidos, mas isso ainda demandará muito trabalho", avaliou.