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Demissão voluntária

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

AES sugere demissão voluntária a funcionários da Cesp-Tietê

Texto: Patrícia Zamboni

A empresa norte-americana AES, que recentemente adquiriu a Cesp-Tietê

(núcleo denominado de G2) no processo de privatização da empresa, está oferecendo um Programa de Desligamento Voluntário (PDV) aos funcionários. De acordo com o diretor do Sindicato dos Eletricitários de Bauru (Sinergia-CUT), Jesus Garcia, faz parte desse plano o pagamento de 30 salários, em duas parcelas, a partir de abril, e mais meio salário para cada ano trabalhado aos funcionários que aderirem ao PDV. Segundo Garcia, o Sindicato está alertando os trabalhadores no sentido de que a proposta pode não ser tão boa quanto parece, inicialmente, porque o acordo coletivo da categoria prevê que eles têm garantia de emprego até 2002.

"Nós estamos alertando os funcionários para que não aceitem pressão por parte da empresa e que pensem bem na hora de decidir sobre a adesão, porque os valores que estão sendo oferecidos pelo PDV são inferiores ao montante que cada trabalhador iria receber se fosse cumprida a vigência do acordo coletivo até 2002. Se colocarmos na ponta do lápis, esse valor é bem inferior. Então, a proposta não é tão interessante assim", observa Jesus Garcia.

De acordo com ele, o valor dos 30 salários será pago, aos que aderirem ao programa, em uma parcela equivalente a 18 salários e outra equivalente a 12, além de meio salário a cada ano trabalhado pelo funcionário. O pagamento das verbas recisórias também está garantido na proposta, bem como assistência médica e odontológica, auxílio creche, cesta básica e outros auxílios durante 14 meses. Também é garantido pagamento para tratamento no caso de doenças graves, como Aids e câncer, segundo Garcia. De acordo com ele, essa é a proposta válida para os trabalhadores que estão na ativa.

Para os "aposentáveis", ou seja, aqueles trabalhadores que já podem se aposentar, os itens do programa não são os mesmos. "Para os aposentáveis, a proposta

é de pagar somente meio salário a cada ano, limitado a 12 meses. Além disso, eles não vão receber a multa sobre o FGTS. Nesse caso, a empresa faz uma indenização de um quarto do valor por ano trabalhado para compensar esses 40%. Então, existem duas propostas bem diferenciadas", analisa o diretor do Sinergia-CUT. Os funcionários que não aderirem ao PDV, que é válido de 13 a 17 deste mês, estarão sujeitos à continuação do processo de reestruturação da empresa, resultado de mais uma privatização negociada pelo Governo Federal. "É possível que essas pessoas sejam transferidas para Bariri, Barra Bonita, Ibitinga, ou outras cidades. Mas aí, serão usados os recursos da CLT, que estão no acordo. Qualquer pessoa que for movimentada, tem que ser remunerada por isso", diz Jesus Garcia. Segundo ele, em 2002 será feita nova negociação sobre o acordo coletivo da categoria, para que possa ser renovado.

A Cesp-Tietê compreende as regiões de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Avaiandava, Promissão e as usinas da região do Rio Grande.

Até o fechamento dessa edição, não foi possível fazer contato com a Assessoria de Imprensa da empresa, para que se manifestasse sobre o assunto.

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