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Escola de samba

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 5 min

Padre organiza escola de samba em Santa Cruz

Texto: Fábio Grellet

A idéia surgiu às vésperas do Carnaval do ano passado; grupo cresceu e já conta com quase mil fiéis-foliões

A cidade de Santa Cruz do Rio Pardo assiste, pelo segundo ano consecutivo, a um desfile carnavalesco organizado por um padre. O pároco Esdras de Moraes Freire é responsável pela Paróquia de São Benedito e, desde o ano passado, organiza também a Escola de Samba Unidos de São Benedito, que este ano já ganhou a adesão de 970 foliões.

O padre explica que a idéia surgiu quando, às vésperas do Carnaval de 1999, ele ouvia um compact-disc gravado por um grupo musical católico chamado Banda Êxodo. No CD, o grupo gravou um samba-enredo que discorria sobre a co-redenção de Maria. Empolgado com a música, o padre decidiu organizar um bloco carnavalesco que a utilizasse durante um desfile. Assim foi feito, e a idéia foi adotada por aproximadamente 350 foliões, que desfilaram ao som do samba-enredo gravado pela Banda Êxodo, executada por um carro de som.

Neste ano, o grupo cresceu consideravelmente: com quase mil pessoas, a escola de samba desenvolveu um enredo sobre as dez pragas do Egito. São sete alas e três carros alegóricos, além da bateria - esta, composta por 110 instrumentistas. As fantasias, conforme frisa o padre, são desenhadas pelo grupo que auxilia o padre - ao todo, 56 pessoas - e nada têm de libidinoso.

A comissão de frente, nas cores dos cinco continentes, representa pombas e simboliza o Jubileu 2000. A primeira ala trata da primeira praga: "Da Água da Vida ao Sangue da Morte". A ala seguinte trata da segunda praga: "As rãs que se lançam das águas e se espalham pelo Egito". Segue o primeiro carro alegórico, que simboliza a corte do Faraó. A ala seguinte trata da terceira e quarta pragas

- o pó da terra, que foi convertido em mosquitos a infestar todo o Egito, e depois as moscas, que invadem as casas. Seguem o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Fátima e Júlio.

Depois, vem a bateria, composta por 110 ritmistas. Segue o segundo carro alegórico, que representa a quinta praga: "Mortandade dos animais". A quarta ala desfila em seguida, representando a sexta praga: "Gafanhotos que comem todas as plantações". A quinta ala simboliza as trevas que cobrem o Egito. Atrás dela, o terceiro carro, que representa a Páscoa dos judeus e simboliza a alegria da libertação recebida através da décima praga, que é a morte dos primogênitos. Por fim, desfila a ala do Vai Quem Qué, composta por foliões que aderiram à escola na última hora e, por isso, não tiveram tempo de confeccionar suas fantasias.

Apoio

O padre Esdras diz ter recebido todo o apoio dos fiéis, embora no início muitos tenham estranhado a proposta de criar uma escola de samba: "Algumas pessoas questionaram a iniciativa, e então eu expliquei que o Carnaval é uma festa que nasceu na igreja. Na Itália, antes da quaresma, era realizada uma festa que simbolizava a despedida ao consumo de carne, proibido até o sábado de aleluia. Era o Adeus à Carne, ou Carne Vale, no dialeto usado em Milão, na época". O padre destaca que, da forma como é realizado atualmente, o Carnaval perdeu seu sentido inicial, mas, através da escola de samba, ele pretende mostrar que é possível resgatar o espírito com que foi criado o festejo, marcado pela alegria, respeito e moralidade.

A Escola de Samba Unidos de São Benedito vai desfilar hoje

à noite. Os foliões vão se concentrar em frente à Igreja Matriz de São Benedito, onde vai ser rezada uma missa. De lá, saem em direção ao Clube dos Vinte, onde vão se recolher até a terça-feira, num evento denominado Folia Cristã. Na terça-feira

à noite, realizam o desfile no sentido inverso, saindo do clube em direção à igreja.

Samba-enredo: "Os Prodígios de Moisés"

(Eu já falei)

Eu já falei escute bem

Vou repetir (vou repetir)

É Jesus Cristo

Quem comanda isso aqui (eu já falei)

Eu já falei escute bem

Vou repetir (vou repetir)

É Jesus Cristo

Quem comanda isso aqui (andando)

Andando nos anais da nossa história

Eu me deparei (me deparei)

Com Moisés no monte Hereb

Recebendo ordens de Deus

Moisés obedeceu a voz suprema

E foi ao Faraó, com Aarão

Faraó endureceu seu coração

E a Moisés não deu ouvido não (Deus falou)

Tira meu povo dali (dali do Egito)

Leva meu povo pra lá (pra Canaã)

Leva meu povo para me louvar

Aarão tomou o seu cajado,

E feriu as águas do rio

Foi a primeira praga

Água em sangue se tornou (Deus falou)

Tira meu povo dali (dali do Egito)

Leva meu povo pra lá (pra Canaã)

Leva meu povo para me louvar

Aarão ergueu a mão e o cajado

As águas do rio se encantaram

Assim foi a segunda praga

Contra o Egito rãs da água se lançaram

O pó em mosquitos convertido

Moscas confirmaram o veredicto

Morte, tristeza, gafanhotos

Trevas cobrem o Egito (Deus mandou)

Tira meu povo dali (dali do Egito)

Leva meu povo pra lá (pra Canaã)

Leva meu povo para me louvar

Morrerá todo o primogênito

Anunciou Moisés ao Faraó

Desde o filho do rei

Ao do escravo que faz girar a mó

Tira meu povo dali (dali do Egito)

Leva meu povo pra lá (pra Canaã)

Leva meu povo para me louvar

A Páscoa do Senhor aconteceu

Em todo o Egito fez-se um grande clamor

Entristecido Faraó diz a Moisés e Aarão

Ide com teu povo prestar culto ao Senhor

O povo de Senhor saiu, saiu do Egito

O povo de Deus foi pra Canaã orar

A vontade do Senhor prevaleceu

Moisés levou o povo para a Deus louvar.

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