Geral

Desfile na região

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 8 min

Jaú assiste escolas de samba hoje

Texto: Fábio Grellet

Desfiles começaram ontem, com apresentação dos blocos e da escola Afro Amukenguê. Hoje à noite,

é a vez das outras cinco escolas

O Carnaval de rua em Jaú começou ontem. Conforme estava previsto, às 20 horas haveria a apresentação do Rei Momo e da Rainha do Carnaval. Em seguida, desfilariam os quatro blocos organizados na cidade - na sequência, o Bloco das Mulheres, Bloco Sol Nascente, Imaginação e Academia do Samba - e, por fim, a escola de samba Afro Amukenguê. Hoje, após mais uma apresentação do Rei Momo e da Rainha do Carnaval de Jaú, às 20h30 começam os desfiles das escolas de samba. Desfilam, na sequência, a Unidos do São José, Bairros Unidos, Unidos da Vila XV, União Cruzeiro do Sul e Arco-Íris. Na terça-feira, a partir das 20 horas, escolas e blocos voltam à avenida Doutor Quinzinho, num desfile aberto à participação das agremiações que quiserem se apresentar novamente.

Os desfiles acontecem na avenida Doutor Quinzinho e, ao contrário do ano passado, quando não houve competição, desta vez o julgamento é oficial, embora realizado por um grupo menos especializado que aqueles responsáveis por avaliar os dez quesitos até 1998 - quando eram levados até Jaú juízes contratados na Liga das Escolas de Samba de São Paulo. Serão tema de avaliação a evolução, o samba-enredo, a comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, alegorias, enredo, harmonia, bateria, ala das baianas e fantasia. A premiação para os campeões ainda estava indefinida, até a

última sexta-feira: conforme assessores da Secretaria Municipal de Cultura de Jaú, serão oferecidos troféus, mas ainda não se decidiu sobre prêmios em dinheiro.

Os sambistas que integram as escolas, por sua vez, estão aguardando ansiosos pelo desfile deste domingo. Fantasias e carros alegóricos estão preparados, a bateria, afinada e cheia de gás, enfim, tudo preparado para a folia de Momo!

A escola de samba Bairros Unidos desenvolveu o enredo "Uma Noite de Lua Cheia". Já a escola União Cruzeiro do Sul vai apresentar o enredo "Brasil 500 Anos - Que País

é Este?" Leia sobre o enredo das outras quatro escolas nesta e nas páginas seguintes.

Arco-Íris relembra história do Brasil

Com seis títulos conquistados em dez anos de disputa, a Arco-Íris é a maior detentora de títulos do Carnaval jauense. Neste ano, a escola vai abordar os 500 anos do Brasil. Os 350 componentes da escola estão distribuídos através das oito alas. A escola vai apresentar três carros alegóricos e sua bateria tem 50 componentes.

O figurinista da Arco-Íris é Paulo Burian. Dentre as alas mais importantes, estão aquelas dos Índios, dos Portugueses, da Capoeira, da Bandeira e da Mistura de Raças. A rainha da bateria é Adelaide e os responsáveis por interpretar o samba na avenida são Wágner, Carlão e Timbaía. A escola tem o cisne e o próprio arco-íris como símbolos e adotou as cores amarela e preta.

Embora a Arco-Íris tenha recebido da Prefeitura de Jaú uma subvenção correspondente a R$ 9,5 mil, o gasto total da escola deve se aproximar de R$ 14 mil, segundo o presidente Adílson Carvalho. Para equilibrar as contas, a escola buscou patrocinadores, mas não obteve o sucesso esperado. O valor recebido por um desfile em Brotas, previsto para ocorrer amanhã

à noite, vai reduzir o déficit da Arco-Íris.

História

A escola de samba Arco-Íris surgiu organizada pelos componentes de um time de futebol que adotava o mesmo nome. Desfilou pela primeira vez, ainda como bloco, em 1986, e no ano seguinte repetiu a dose. Apesar de não conquistar o título da competição entre blocos em nenhuma dessas oportunidades, cresceu e já em 1988 passou a desfilar como escola. Naquele ano, aliás, foi a única escola a desfilar, pois outras estavam desativadas ou haviam reduzido sua estrutura e se apresentavam como blocos. Por isso, não houve concurso. Em 1989, outras duas escolas já se apresentaram para desfilar, mas também não houve competição. Esta só retornaria em 1990, e a partir de então, até 1994, a Arco-Íris obteve uma sensacional sequência de títulos, conquistando o penta-campeonato do desfile carnavalesco em Jaú.

O ano de 1995 marcou a primeira derrota da Arco-Íris, que ficou com o vice-campeonato, sendo derrotada pela Unidos da Vila XV. Em protesto pelo suposto equívoco dos jurados, a Arco-Íris deixou de desfilar em 1996. Em 1997, a Arco-Íris retornou

à passarela, e conquistou o vice-campeonato; o título daquela disputa foi conquistado pela União Cruzeiro do Sul.

E, finalmente, o ano de 1998 marcou o reencontro da escola com os títulos: foi o sexto título em dez anos de disputa

(excluído o desfile de 1996, quando a Arco-Íris se ausentou).

Unidos da V. XV satiriza previsões

Texto: Fábio Grellet

A escola de samba Unidos da Vila XV é a principal rival da Arco-Íris e, neste Carnaval, vai expor, através de seu enredo, as mais diversas previsões feitas sobre a realidade do ano 2000, e satirizar todas aquelas que não se tornaram realidade. A carnavalesca da escola é Cristiana Veratti. Os gastos com o desfile da escola, segundo seus organizadores, devem chegar a R$ 35 mil.

Os 600 componentes da escola se distribuem entre as 10 alas, quatro carros alegóricos e um tripé. A escola tem cerca de 40 destaques e 100 ritmistas na bateria.

A rainha da escola é Tânia. Margarete é a rainha da bateria, que tem Ana Cláudia como madrinha. Marquinho, Donizete e Murilo são os intérpretes do samba-enredo. Fernanda e Manoel formam o casal de mestre-sala e porta-bandeira.

História

A Unidos da Vila XV é uma das escolas mais antigas de Jaú, dentre aquelas ainda em funcionamento. Maria Benedita Pires Carvalho, mãe do atual presidente da escola, foi uma das fundadoras da agremiação, meses antes do Carnaval de 1983. Ela conta que achava necessário criar uma opção de entretenimento para os jovens da bairro - que, segundo ela, dispunha de "má fama" na cidade. Então, com o auxílio de seu filho e de outras pessoas da comunidade, Maria Benedita fundou a escola. Após alguns anos, porém, a agremiação foi praticamente desativada, sendo novamente reorganizada em 1993. Desde então, voltou a participar dos desfiles carnavalescos e é a atual vice-campeã do carnaval de rua em Jaú. Suas cores são o azul, verde e branco e o símbolo da escola é o pavão, adotado porque o atual presidente da escola - Sabará, filho de Maria Benedita - foi jogador profissional de futebol e, à

época, era conhecido como "Pavão da Vila XV".

Unidos do São José mostra as faces do caipira

A escola de samba Unidos do São José tem 250 integrantes e vai mostrar em seu enredo a importância do caipira na história do Brasil. O enredo foi desenvolvido por Sílvio César Martins, que também compôs o samba-enredo.

A escola deve gastar R$ 6,5 mil para mostrar, em nove alas, um tripé e um carro alegórico, a participação do matuto na história do Brasil. A comissão de frente, composta por três casais de noivos vestidos com as cores da escola - preto, vermelho e verde -, vai abrir o desfile da Unidos de São José. Em seguida, um tripé

(pequeno carro alegórico) vai trazer como destaque um vigário. Após o tripé, desfila a primeira ala, composta por dez casais vestidos como noivos. Atrás deles, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. A escola optou por apresentar dois casais, um mirim e outro juvenil, para oferecer uma proposta inovadora. Além disso, segundo os organizadores da escola,

é mais barato vestir dois casais de crianças que vestir um só, de adultos. Camila e Luiz Paulo formam o primeiro casal a se apresentar. Em suas roupas, a inovação fica por conta dos cordões de pipoca, bordados sobre as vestes.

Atrás deles, virá a bateria, com 45 componentes vestidos como matutos. Depois, a ala das baianas: seus vestidos são tradicionais, mas a inovação do figurino fica por conta das bandejas com doces, que cada uma carrega, e dos adereços que imitam um milho verde, com palha e tudo, na cabeça.

Na sequência, apresenta-se o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Tamiris e Alessandro. Em seguida, desfila a ala da Quadrilha, composta por 15 casais, e outra ala, cuja roupa

é enfeitada com bandeirinhas. Um carro alegórico, que representa o sol, vai fechar o desfile.

A agremiação foi criada em 1993, como bloco carnavalesco, e passou a desfilar como escola em 1995.

Afro Amukenguê mostra orixás

A escola de samba Afro Amukenguê, que desfilaria ontem, após a apresentação dos blocos, vai exaltar a cultura negra, discorrendo sobre os orixás. Com 280 componentes, a escola deve gastar R$ 8 mil em seu desfile.

A escola tem sete alas e 11 destaques - cada um, representando um orixá. A bateria tem 50 componentes. Também compõem o desfile da Afro Amukenguê dois carros alegóricos

- o primeiro deles mostra Ogum e Oxu e o outro tem uma mãe-de-santo, um pai-de-santo e três iaôs (iniciados no candomblé). Joana D'Arc e Denílson, vestidos como Iemanjá e Oxalá, formam o casal de mestre-sala e porta-bandeira. A rainha da bateria é Dandara.

História

A escola de samba Afro Amukenguê é uma exceção dentre as agremiações que participam do desfile em Jaú: desde 1994, quando ainda era um bloco, desfila sem participar da competição.

Criada, como bloco, meses antes do Carnaval de 1991, por integrantes de uma academia de capoeira da cidade, a Afro Amukenguê venceu os três primeiros desfiles nos quais competiu. Por isso, deixou de participar da disputa: continuou se apresentando, ainda como bloco, até 1997, mas desde 1994 é considerado

"hours-concours". Em 1998, estreou como escola de samba, mas também sem participar da competição e se apresentando na noite reservada aos blocos, encerrando-a - como ocorre até hoje em dia.

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