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Coleção de chaveiros

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

O Colecionador

Texto: Gustavo Cândido

A coleção de chaveiros do serralheiro Walter Paes, de 56 anos, tem números significativos. São, aproximadamente 2.300 peças de vários países do mundo, juntadas em 40 anos de coleção. Colecionador por natureza - ele abandonou as outras coleções para se dedicar somente aos chaveiros - Paes, deixa seu pequeno tesouro exposto na sala que serve de escritório da sua serralheira e sabe exatamente a posição de cada peça em sua coleção.

Jornal da Cidade - Como o senhor começou a sua coleção?

Walter Paes - Comecei há 40 anos. Têm alguns chaveiros bem antigos aqui... mas é um hobby meu, que só tem importância para mim.

JC - Como o senhor começou a coleção?

Walter - Comecei juntando chaveiros numa caixa de sapato. Antigamente colecionava flâmulas, chaveiros, lápis e fósforos. Quando casei, gastei todos os fósforos e acabei com os lápis, as flâmulas eu troquei e acabei ficando só com os chaveiros. Mais tarde eu os tirei da caixa de sapato e comecei a expor.

JC - Eles estão dispostos em uma ordem?

Walter - Estão. Tenho um lugar para os chaveiros com bebidas, pontos turísticos, derivados de petróleo, setor financeiro, transportadoras, escolas, polícia e militares, times de futebol e os diversos. O dos políticos são os que estão na última fileira.

JC - De que países o senhor tem chaveiros?

Walter - Além do Brasil, claro, tenho muitos da Argentina e do Paraguai, da Itália, Áustria, Japão, China, Portugal, entre outros países.

JC - Como o senhor faz para conseguir os chaveiros?

Walter - Eu ganho a maioria, mas também procuro por ai, em lugares como a "feira do rolo". Às vezes alguém tem chaveiros perdidos e eu acabo pegando, trocando, comprando. Quando visito cidades turísticas ou lugares que vendem chaveiros como lembrança, como o Playcenter, sempre trago um. Algumas pessoas que me conhecem quando viajam trazem chaveiros para mim porque sabem que eu gosto.

JC - Não existe nenhum chaveiro igual na sua coleção?

Walter - Não, os repetidos eu guardo, eles não entram na coleção. Quando encontro alguém que tem chaveiros repetidos também, eu troco. Tenho muitas correntinhas e argolinhas também, deste modo faço a manutenção dos chaveiros quando eles enferrujam.

JC - O senhor tem algum chaveiro favorito?

Walter - Não... acho que o do Corinthians, porque

é meu time e porque foi o Vicente Mateus (ex-presidente do clube) quem deu para o meu irmão uma vez que eles vieram jogar contra o Noroeste. Mas acho que para mim todos são iguais.

JC - Só o senhor mexe neles?

Walter - É, só eu, mas já me roubaram 25 chaveiros uma vez.

JC - O senhor sabe o lugar exato de cada um deles na coleção?

Walter - Praticamente sei. Alguns eu sei exatamente onde estão, outros sei pelo menos que lado ficam.

JC - Seus filhos não se interessam pela coleção ou por colecionar algo em geral?

Walter - Não. Ninguém quer saber dos meus chaveiros, mas tenho um filho que coleciona bonés.

JC- Para quem vai ficar a sua coleção então, ninguém vai continuar o seu hobby?

Walter - Acho que eles vão acabar dando um fim nisso tudo...

JC - Antigamente parece que as pessoas se dedicavam mais às coleções do que hoje em dia, não é?

Walter - É, acho que sim, hoje os jovens perdem muito tempo com drogas...

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