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Rapto de crianças

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Prisão de Abbas pode trazer crianças

Texto: Tânia Fonseca

Engenheiro que foi para o Líbano levando filhos sem permissão da mãe está preso e volta de crianças pode acontecer

O clima entre familiares de Vagna Aparecida Bandeira, 35 anos, a mulher que teve os dois filhos raptados pelo próprio marido e levados para o Líbano em junho de 97, é de total expectativa quanto ao desenrolar das últimas notícias obtidas no Líbano e que dão conta da prisão do engenheiro civil Atef Said Abbas, 40 anos. É que com a prisão do pai, a volta das crianças está mais próxima de se concretizar, já que um advogado de São Paulo, contatado para fazer a defesa do engenheiro, teria aconselhado a volta imediata dos filhos para junto da mãe. A prisão de Abbas seria fruto de um pedido feito pela Justiça brasileira, já que ele é acusado de ter falsificado documentos para deixar o País, levando os dois filhos.

Abbas é acusado por sua ex-mulher, a brasileira Vagna Aparecida Bandeira, de fugir com os dois filhos pequenos para o Líbano, após o pedido de separação, em 97.

Na época, Vagna descobriu que Abbas conseguiu sair do Brasil, com os filhos Bilal Atef Abbas, que tinha 3 anos em 97, e Hamze Atef Abbas, que tinha 1 ano e 8 meses, falsificando a sua assinatura. Desde então, ela luta para tentar reaver as crianças.

Cansada de várias tentativas frustradas no Brasil, Vagna chegou a viajar para Líbano em 98, acompanhada da deputada federal Dalila Figueredo.

Desesperada com o impasse das negociações com a justiça libanesa Vagna chegou a iniciar, na manhã de 21 de maio de 98, uma greve de fome na sede da Embaixada do Brasil, em Beirute, que durou vários dias. A brasileira ficou fraca, deprimida, com pressão baixa e tendo muitas câimbras. No Líbano, elas chegaram a receber o apoio de muitos libaneses e de representantes de organizações de vários países.

Caso volte, ou seja extraditado Abbas deverá explicar como saiu do Brasil com as crianças sem a autorização da mãe, além de ser acusado de falsificar documentos.

Separação

O drama de Vagna começou no fim de maio de 97, quando ela pediu a separação, após quatro anos e meio de casamento. Na época, morava com o marido e os dois filhos em uma casa no bairro da Vila Joaniza, zona sul de São Paulo. Depois do pedido, a dona de casa foi morar com os filhos na casa de sua mãe, em Ibitinga, e ele ficou em São Paulo. "O juiz concedeu-me o direito de ficar com as crianças, pois o caçula ainda mamava no peito", afirmou Vagna antes de ir para o Líbano em 98.

Abbas então ia todo o fim de semana a Ibitinga ver os filhos. Mas em 13 de junho saiu com as crianças para um passeio e não voltou mais. Acompanhado pelas crianças, ele foi para a casa de seus pais, na cidade de Chatura, no norte do Líbano, depois de falsificar a assinatura de sua mulher. Desde então, Vagna luta para ficar com os filhos.

Família

No Brasil, mais especificamente em Ibitinga onde mora a maior parte dos familiares de Vagna, o clima é de ansiedade e expectativa. "Estamos também preocupados, pois queremos rever nossos sobrinhos aqui, em breve", afirmou Vânia Bandeira,irmã e de Vagna. Vânia disse ontem que as informações que chegam ainda são poucas. Segundo ela, Abbas deve ter sido preso às vésperas do Carnaval, porque um irmão dele fez o contato com o advogado de São Paulo e este por sua vez teria contatado Vagna.

"As últimas informações são de que ele foi detido na Romênia, onde tinha um comércio", disse Vânia. As crianças estariam ainda com a mãe do engenheiro, no Líbano.

Logo depois das crianças terem sido levadas pelo pai, Vagna voltou a morar em São Paulo, acreditando que assim teria mais chances de acompanhar as negociações. A ânsia por entender melhor como funciona, segundo Vânia, levou Vagna a entrar para um curso de Direito. "Hoje, ela trabalha e estuda em São Paulo".

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