Geral

Abandono da ferrovia

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

Moradores reclamam de estação abandonada

Texto: Andréia Alevato

Um dos antigos cartões postais de Botucatu, a Estação Ferroviária, tem sido alvo de constantes reclamações dos moradores vizinhos do local. A Estação, que já recebeu Jânio Quadros várias vezes, hoje está completamente abandonada, depredada e abriga mendigos e até bandidos.

Os vizinhos da Estação reclamam que o local, tão movimentado antigamente, virou um ponto de encontro para traficantes, viciados e bandidos, além de ficar totalmente sem iluminação.

"A Estação está completamente abandonada. Fica cheia de bandidos, e drogados. Os furtos acontecem até durante o dia. E a noite, dá até medo de sair de casa. Quando saímos deixamos sempre uma pessoa por aqui. Antigamente não era assim. A Estação vivia cheia de gente, tinham guardas, táxis e era iluminada. Depois que a Fepasa acabou de vez, entrou a Ferroban, que acabou com tudo", afirmou o morador Antônio Maçan.

Clarisse Rosa, outra moradora, disse também que o maior problema da região atualmente é em relação a segurança.

"Sempre vemos pessoas aqui e não sabemos quais são as suas intenções. A nossa segurança é precária e o abandono é total", disse.

Segundo o capitão Antônio Carlos Loriano, comandante da 1.ª Companhia de Policiamento de Botucatu, o patrulhamento foi intensificado na região, desde o final do ano passado. Ele afirmou que até agora, não há registros de ocorrências no local. "Nos locais que estão aberto, como pátio e salas da Estação e vagões, a Polícia Militar faz o patrulhamento constantemente. Não há registros de específicos de ocorrência no local", completou o capitão.

Apesar de não existir registros de ocorrências no local, adolescentes que usam o pátio da Estação para andar de skate garantiram que centenas de pessoas usam os vagões ou as salas vazias e abertas para consumirem drogas. Os adolescentes também disseram que mendigos moram no loca.

Com o fim da Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), o prédio da Estação Ferroviária passou a pertencer a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). A Ferroban é a concessionária apenas da via ferroviária, ou seja,

é responsável pela via permanente (os trilhos) de todo o trecho.

Os moradores também reclamam do mato alto nos trilhos.

"Os bichos invadem nossas casas. Tem de tudo: aranha, pernilongo, mosquito, mosca, lagarto", reclamou uma moradora que preferiu não se identificar.

Todo o prédio da Estação, incluindo o depósito

(onde ficavam as oficinas), os dormitórios (para os maquinistas e ajudantes de outra cidade), o armazém de abastecimento, a antiga Chefia (onde se encontravam os engenheiros e o controle de trens) e a Escala (lugar onde os maquinistas e ajudantes sabiam quando iriam trabalhar), está completamente depredado. Os vidros das janelas quebrados, as portas arrombadas, arquivos antigos da Estação espalhados e estragando

e muita sujeira formam a paisagem da Estação que já recebeu, por várias vezes, o ex-presidente Jânio Quadros, que não dispensava o famoso cafezinho servido na "Escala", segundo contam os ferroviários mais antigos.

O vereador Luiz Carlos Rúbio (PT) também lamenta a depredação da Estação e contou que há projetos de transformá-la em um Centro Cultural, com museu, biblioteca e a Secretaria de Cultura.

"Este espaço não pode ser perdido. Ele faz parte da história de Botucatu. Queremos restaurá-lo e transformá-lo num museu", completou o vereador.

Rúbio também disse que esteve em contato com alguns ferroviários e foi informado de que todo maquinário existente nos prédios ainda estão funcionando.

Outra revolta dos ferroviários, segundo o vereador, são os vagões do trem Expresso Ouro Verde, que também estão parados no depósito. Esse trem foi um dos

últimos lançados pela Fepasa, com a promessa de que seria um trem bem mais rápido do que o convencional e bem mais chique. Os vagões ainda estão na mais perfeita ordem, principalmente, os carros restaurantes. Os vagões carro-médico e do Sesi, também estão parados no depósito.

De acordo com o engenheiro Mauro Terci, em um dos prédios, onde funcionava a Chefia, será instalada a 1.ª Vara Federal de Botucatu. A data de instalação ainda não foi definida, porque a Prefeitura depende de um financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF).

Ele também afirmou que a Prefeitura tem um aval da RFFSA para utilizar a estação, só que antes ela precisa ser restaurada.

"Podemos utilizá-la, mas precisamos restaurá-la. E isso não é um negócio imediato. Para isso, vamos até firmar algumas parcerias, com órgãos ligados ao governo, porque a Estação precisa passar por uma reforma geral. O prédio está bastante deteriorado. A estrutura está abalada, há cupim em toda parte de madeira, por isso não é um projeto imediato. E, sobre a instalação da Vara Federal, estamos esperando o financiamento", concluiu o secretário.

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