Cadeia remove presos que poderiam ser resgatados
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Dois presos da cadeia pública de Bauru foram removidos para uma penitenciária da região por causa de uma denúncia anônima de que eles seriam resgatados do presídio. A dupla aguarda condenação por roubos.
O telefonema anônimo ao Centro de Operações da Polícia Militar aconteceu na noite de segunda-feira. A partir da denúncia a vigilância interna e externa dos presos foi reforçada como medida cautelar.
Na terça-feira, o diretor do presídio, delegado Ronaldo Divino providenciou a representação para a remoção dos presos. No período da tarde, do mesmo dia, o juiz autorizou e ontem, pela manhã, eles foram removidos.
O paradeiro dos presos é guardado em sigilo pelo diretor da cadeia, a fim de evitar que uma "suposta" quadrilha possa tentar resgatá-lo. "Mesmo sem condenação, eles foram transferidos para uma penitenciária, onde a segurança é maior e o perigo de resgate é menor."
Os presos, Paulo Henrique Soares do Nascimento e Gerson Natividade Pereira, conhecido por "Paraná" puderam ser removidos, segundo Divino, por uma resolução da Secretaria de Segurança Pública e da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários. "Há um dispositivo que pode ser usado em situações como esta, quando há indícios de resgate."
Esvaziando o xadrez
A cadeia pública de Bauru está com uma superpopulação carcerária há mais de um mês. Com capacidade para acolher 72 presos, a cadeia estava, no início desta semana, com 166. Toda vez que a população carcerária fica muito acima da capacidade, o risco de rebelião e de movimentos promovidos pelos presos aumenta.
Os pedidos de remoção de presos, segundo Divino já haviam sido feitos e ontem começou as transferências.
"Doze presos condenados foram transferidos para as penitenciárias de Bauru e região. Treze foram removidos para as cadeias da sub-região onde permanecerão aguardando sentença. Além dos dois que foram transferidos por motivo de segurança."
Mais sete presos, de acordo com o diretor, saíram da cadeia.
"Por força de alvará de soltura. Eram presos depositário infiel, pensão alimentícia e quatro por liberdade provisória." No total saíram 31 presos. "Alivia, mas não resolve."
Segundo o delegado, diariamente entram na cadeia de Bauru, uma média de seis pessoas. "Se ficar sem remover presos durante 20 dias, a população carcerária alcança a casa dos 300."
Mesmo com a saída dos 31 presos a cadeia continua superlotada.
"Estávamos com 166. A saída de 31 alivia, mas não resolve porque, a população carcerária continua quase o dobro."