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Gasolina

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Maioria dos postos vende a R$ 1,24

Texto: Patrícia Zamboni

Numa consulta feita ontem em postos de combustíveis localizados em bairros afastados do centro da cidade, a afirmação mais ouvida foi: não é possível manter a gasolina (comum) sendo vendida a R$ 1,24 ou R$ 1,25; os postos não vão agüentar. Alguns postos localizados na Vila Industrial, em concenso já voltaram a praticar uma média de R$ 1,33. Porém, a maioria está acompanhando o mercado e mantendo os preços a R$ 1,24 para não perder clientes. Por outro lado, gerentes e proprietários de postos são unânimes em afirmar que essa situação só poderá ser sustentada por mais alguns poucos dias.

O gerente de um posto Shell localizado próximo ao estádio do Noroeste, Tiago Zacaib, diz que os donos de postos da região decidiram não manter a gasolina à venda por R$ 1,24 para não terem prejuízo. "Nós tínhamos abaixado o preço no início da semana, quando todo mundo começou a vender mais barato. Mas hoje (ontem) os donos de postos aqui da região fizeram uma reunião e decidiram passar para R$ 1,33. Não temos condições de ficar vendendo a R$ 1,24, os encargos de um posto são muito caros. Para quem não tem caminhão próprio para ir buscar o combustível na distribuidora e para os postos menores, a situação é pior ainda", disse Zacaib. Num posto Texaco situado um pouco mais à frente, o preço é confirmado: R$ 1,33.

Entretanto, a maioria dos postos de outros bairros, como Vila Paraíso e Popular Ipiranga, abaixaram o preço da gasolina para R$ 1,24 para acompanhar a concorrência. José Carlos Losada Séspede, gerente de um posto de bandeira MS (bandeira branca), diz que lá o preço da gasolina foi reduzido de R$ 1,31 para R$ 1,24 para acompanhar as oscilações do mercado, mas adianta que nos próximos dias o preço anterior terá que voltar a ser aplicado. "Nós abaixamos o preço para acompanhar a concorrência, mas é impossível continuar com esse valor. Nos próximos dias já teremos que voltar ao preço antigo, caso contrário, não se sobrevive. Os custos operacionais de um posto são muito altos, não temos como assumir todos os nossos gastos com a gasolina a R$ 1,24", disse Séspede.

Edmir Antonio Barbosa, dono de um posto BR localizado no bairro Popular Ipiranga, também afirma que está comercializando a gasolina a R$ 1,24 por pouco tempo. "Isso vai durar só alguns dias, porque nós não temos condições de trabalhar com esse preço. Os encargos e os impostos que nós pagamos são muito altos. Além disso, nós damos prazo para o consumidor pagar mas não temos prazo para pagar a distribuidora na hora de comprar o combustível", disse. Ao mostrarem uma nota de compra de gasolina feita ontem, ele e o gerente do posto, Sivaldo Smaniotto, dizem que não há condições de vender gasolina a R$ 1,24 se eles compram a R$ 1,17.

O gerente de um posto bandeira Agip localizado na avenida Castelo Branco, André Fonseca Zabeu, também afirma que a redução de preço neste posto não vai durar muito. "Não podemos manter esse preço.

É totalmente inviável", afirmou.

Exclusividade cancelada

Uma ação civil pública movida pelo Procurador da República no município de Franca, Edmar Gomes Machado, contra as distribuidoras de combustíveis, conseguiu, na Justiça Federal de Franca, a quebra do contrato de exclusividade imposto pelas distribuidoras aos postos revendedores, tendo como objetivo a redução dos preços repassados aos consumidores. Para isso, os revendedores não podem ostentar marcas, nomes comerciais e símbolos distintivos da respectiva companhia da qual está comprando o combustível.

"No início, essa ação valeu para Franca, mas depois o juiz estendeu a todo o Estado de São Paulo. E é isso que está acontecendo em Bauru; os proprietários de postos estão comprando gasolina de empresas menores. Só que essa situação é delicada, porque o estoque dos pequenos distribuidores está acabando. A cota delas é bem menor do que a das grandes distribuidoras", observou Pedro Antonio de Oliveira Machado, Procurador da República em Bauru.

Sincopetro

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Sebastião Homero Gomes, afirmou, ontem, que a liberação dos preços de combustíveis é prejudicial à categoria, e que a volta da tabela seria o ideal. "Quando os preços eram tabelados pelo governo, a nossa margem de lucro era muito melhor. Na época em que existia a tabela, quando os frentistas pleiteavam aumento nós concedíamos esse aumento, porque o governo nos repassava. Agora, os nossos ganhos diminuíram muito. Se fosse colocar na ponta do lápis, teríamos até que diminuir os salários que pagamos para não ter prejuízo. Para nós, a volta do tabelamento dos preços seria a melhor coisa. No caso da nossa categoria, ter o mercado liberado só prejudica", afirmou Gomes.

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