Postos voltam a subir preço da gasolina
Texto: Patrícia Zamboni
Numa verdadeira prova da impossibilidade da concorrência entre os postos de combustíveis de Bauru e da falta de respeito ao consumidor, quase todos os postos que, desde o início da semana até esta quinta-feira, estavam praticando preços entre R$ 1,24 e R$ 1,25 para a gasolina comum comercializada à vista, ontem já ostentavam nas placas indicativas valores entre R$ 1,32 e R$ 1,35. A afirmação para essa inusitada mudança é a mesma apresentada ao JC na quinta-feira:
"a concorrência". Proprietários de postos consultados dizem que ficam observando a atitude de seus "vizinhos", ou seja, se um resolve subir, o outro aproveita para subir também, porque continuar vendendo gasolina a R$ 1,24 é impraticável, como afirmam, em unanimidade.
Sivaldo Smaniotto, gerente de um posto BR localizado no bairro Popular Ipiranga, uma das pessoas consultadas na quinta-feira pelo JC, disse, ontem, que se permanecesse por mais um período do dia com aquele preço os prejuízos seriam incalculáveis. "Eu não tive contato com donos de outros postos, mas eu fiz os cálculos dos gastos que eu tenho e percebí que, a cada dia que passa, estou sendo prejudicado aqui com essa redução de preço. Mesmo vendendo a R$ 1,33 ainda está apertado para nós. É o mesmo caso do álcool; eu pago R$ 0,71 na distribuidora e vendo a R$ 0,78 bruto. Tirando as despesas, não sobra um centavo", disse o gerente.
José Carlos Losada Séspede, gerente de um posto bandeira MS (bandeira branca), também consultado pelo JC na quinta-feira, quando afirmara que a intenção era manter a gasolina a R$ 1,24 por mais alguns dias, também disse, ontem, que precisou aumentar o preço para R$ 1,32 porque a margem de lucro estava muito pequena. "Vendendo a R$ 1,24, a margem de lucro dos postos é muito pequena. Além disso, a gente tem que acompanhar a concorrência. Na verdade, eu não sabia por quanto tempo íamos conseguir manter a gasolina à venda a R$ 1,24; eu só sabia que não ia durar muito tempo porque isso não
é possível. Acho que o preço de R$ 1,24 estava insustentável para todo mundo", disse Séspede.
Um posto de bandeira Agip localizado na avenida Castelo Branco, continuava comercializando, ontem, gasolina a R$ 1,24 ainda. Porém, o gerente do posto, André Fonseca Zabeu, afirmou que só continuaria assim até a meia-noite. "Eu abaixei o preço para acompanhar a concorrência, mas estou arrependidíssimo, porque é impossível ficar com esse preço", disse Zabeu. Na opinião dele, os donos de postos devem ter feito os cálculos de quanto gastam para comprar combustível e tomado consciência de que essa redução foi
"burrice". "Vender a menos de R$ 1,30 é impossível para quem compra um produto de qualidade", afirmou Zabeu.
Contrariando a atitude unânime dos revendedores de combustíveis da cidade, o posto Piratininga é o único que vai continuar vendendo gasolina comum a R$ 1,24 por mais algum tempo, segundo informou o proprietário do posto, Fernando Sidnei Faria. Este foi o único empresário do ramo que teve a coragem de se manter fora da onda do "sobe e desce" de preços que a população de Bauru vem testemunhando.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Sebastião Homero Gomes, foi procurado insistentemente pelo JC, ontem, para comentar a situação. Porém, não foi encontrado no Sindicato, nem em seu posto, nem atendeu ao telefone celular.