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Privatização

Paulo Toledo
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Privatização do BB não deve ser temida, diz superintendente

Texto: Paulo Toledo

A privatização do Banco do Brasil (BB) não deve ser temida, mas, na hora certa, deverá ser levada

à sociedade. A opinião é de Paulo Cesar Simplício da Silva, 43 anos, novo superintendente estadual, para quem é a população quem deve decidir se precisa do BB privado ou público.

Silva disse que a instituição vem se modernizando e se colocando de forma competitiva no mercado, independente se haverá ou não a privatização. Ele afirma que, sem a modernização, o banco não sobrevive ao atual ambiente de mercado. "Não podemos compactuar com aquela visão antiga que presume que ser público é sinônimo de incompetência. Não, você pode ser um banco ou uma empresa pública absolutamente eficiente. Então, neste sentido, não podemos temer a privatização e, sim, colocar isso, no momento adequado, à discussão, para que a sociedade decida", disse lembrando que nem a sociedade nem o Governo Federal quer mais empresas, principalmente um Banco do Brasil, ineficiente e moroso, que não dê respostas tempestivas, a seus clientes, que são a razão de ser da existência do banco ou qualquer empresa.

Para isso, o BB vem investindo na modernização de sua rede de agências e infra-estrutura. Silva diz estar muito tranqüilo para lidar com o tema privatização, sem contudo significar que, neste momento, é a favor ou contra o processo. Para ele, o BB tem um compromisso histórico de apoiar o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil.

Silva diz que o BB tem buscado fortalecer sua presença no mercado de uma forma marcante, principalmente em São Paulo, que é um mercado pujante e forte. Ele afirmou que a Superintendência III, que responde por cerca de 50% do Interior de São Paulo, possui 73% de todo o agronegócio do Estado. Com isso, afirmou, a instituição tem um compromisso muito grande com esse setor.

Ele disse que, em linhas gerais, os focos de atuação da superintendência são o agronegócio - além da preocupação em atender ao pequeno produtor rural, por meio do Programa de Agricultura Familiar (Pronaf); a expansão de bases dos clientes pessoas físicas; a expansão de base das micro e pequenas empresas, como fonte geradoras de recursos e empregos.

Sobre as críticas da falta de atuação do Banco do Brasil nos financiamentos rurais, feitas por lideranças rurais da região, Silva destacou que a questão do crédito rural está passando por uma revisão permanente no País. De acordo com ele, para operar nesse segmento não se pode ter a mesma atitude de antigamente pois, atualmente, os recursos são escassos e não-suficientes para atender à demanda, em razão do crescimento da produção, o que exigiria aumento dos recursos alocados. "As fontes são finitas. Hoje, o banco tem sido o principal mentor junto ao Tesouro Nacional no sentido de buscar formas alternativas e inteligentes de fazer crédito rural, como é o caso da CPR (Cédula do produtor Rural), na qual o banco é o agente que idealizou a CPR. No mês de março, acabou de lançar a CPR Financeira, que é mais uma alternativa de fonte de recursos para o produtor rural", afirmou.

Para ele, o crédito rural, de uma forma geral, está passando por uma mudança de conceito, na qual se fala de agronegócio de uma forma integrada e não mais em disponibilização de recursos para plantio. Silva diz que é preciso analisar a vocação da região e onde está o mercado consumidor, para investir corretamente, de forma profissional.

Por outro lado, ele lembra que outros bancos privados não têm muito ânimo em apoiar os produtores rurais, principalmente os pequenos. Segundo ele, a instituição faz, mas

é preciso ter o equilíbrio desta balança, pois o mercado tende, cada vez mais, à competitividade, em razão da chegada de grandes conglomerados internacionais.

Inadimplência

O superintendente estadual do BB disse que a instituição, bem como o sistema bancário como um todo, está com a visão de que é necessário ampliar as bases da concessão de crédito de forma a minimizar os riscos. Silva destaca que a diluição do crédito reduz a possibilidade de perda pela inadimplência. O Programa Brasil Empreendedor vem sendo uma importante ferramenta nesse trabalho de pulverização dos créditos. Desde seu lançamento, mais de 12 mil empresas passaram a realizar operações com o BB.

Para ele, o sistema bancário tem experimentado índices decrescentes de inadimplência. O Banco do Brasil tem, hoje em dia, uma inadimplência que se situa abaixo do nível de 2,6%, índice que, segundo ele, é mundialmente aceitável.

No caso específico do BB, há, ainda, um estoque de inadimplência antiga, já provisionada, não mais passível de afetar resultados do banco, pois já afetaram no momento em que foram provisionados em uma capitalização feita pelo governo.

Silva diz que a recuperação desses créditos não são de fácil solução. Porém, o banco vem buscando todas as formas para receber, inclusive disposto a buscar uma solução negocial para cada um dos problemas, mesmo no caso das dívidas que estão ajuizadas. "O devedor deve procurar o gerente da agência, ou o superintendente regional ou a superintendência estadual, que vamos ter todo o interesse em buscar a solução, a melhor para ambas as partes. Temos tido sucesso em muitos casos. Em alguns, infelizmente, a seqüência da conversa judicial têm se mostrado o único caminho para reaver os recursos que são, como eu disse, de origem finita. Se quem tomar não pagar, estanca a fonte, não tem onde buscar mais. Então, de forma a manter essa assistência ao setor produtivo da economia em geral, que é o papel primordial do Banco do Brasil, é preciso que os créditos retornem no seu vencimento", afirmou.

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