Trabalhadores da Educação reivindicam reajuste e qualidade
Texto: Patrícia Zamboni
Presidentes e outros membros de entidades representativas dos trabalhadores da área de Educação (ensino público) do Estado de São Paulo estarão reunidos, hoje, na capital, para o lançamento da Campanha Salarial 2000 da categoria: "Magistério Unido - aumento já". O grande diferencial da campanha deste ano é a participação unificada de diversas entidades e de trabalhadores tanto da ativa, quanto aposentados. Estarão participando do evento de hoje representantes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Afuse (Sindicato dos Funcionários da Secretaria Estadual da Educação), Apampesp (Associação de Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo), CPP (Centro do Professorado Paulista), Apase (Sindicato dos Supervisores do Magistério no Estado de São Paulo) e Udemo (Sindicato dos Diretores e Especialistas do Magistério Oficial do Estado de São Paulo).
De acordo com Duílio Duka, da Apeoesp, a principal reivindicação será quanto ao cumprimento da promessa feita pelo governo do Estado de São Paulo há muito tempo, de fixar o piso salarial do professor de educação básica I, jornada de 24 horas semanais , em cinco salários mínimos, o que resulta num reajuste imediato de 39,34% para todos os integrantes do quadro do magistério. "Queremos que o governo se sensibilize já. Se isso não acontecer agora, principalmente por ser ano eleitoral, vai ficar esquecido de novo", diz Maria Helena Catini, da Apase. Para se ter uma idéia da situação atual, um professor de educação básica I que trabalha por 24 horas semanais, ganha R$ 3,59 por hora/aula, e tem salário de R$ 488,00. O professor de educação básica II ganha R$ 4,49 por hora/aula, e salário de R$ 610,00.
Mas essa campanha de mobilização não se restringirá apenas às reivindicações salariais. O segundo principal ponto a ser discutido em assembléias, que serão realizadas por todas as entidades, é em relação aos problemas enfrentados nas escolas públicas. "Queremos uma escola pública de qualidade", diz Duílio Duka, representando os integrantes de todas as outras entidades.
"A Secretaria de Educação não está abrindo concurso nem para professores (tanto para início quanto final de carreira) nem para funcionários. Dois terços dos supervisores do Estado de São Paulo são substitutos, e são eles que fiscalizam se o governo está cumprindo com suas promessas e propostas", diz Neusa Araci Costa Sampaio, diretora do CPP.
"A política que está sendo aplicada pelo governo
é perversa. A única preocupação do governo é com estatísticas, e o aluno é visto como gasto, não como investimento. Para o governo, o aluno de primeira a quarta série custa R$ 1,00. De quinta a oitava, custa R$ 1,05. Não há preocupação do governo com a qualidade da formação dos alunos. A aprovação automática do aluno, sem que ele passe por recuperação, é para ter menos gastos", dispara Duílio Duka. "Além de tudo isso, o governo ainda fica divulgando propagandas enganosas, dizendo que está tudo bem e incentivando as pessoas a serem amigos da escola", dispara. Segundo Duka e Neusa Sampaio, no Estado de São Paulo existe um déficit de mais de 50 mil professores.