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Pesquisa de preço

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

Cesta básica subiu mais do que a inflação em Bauru

Texto: Paulo Toledo

O preço mínimo e o preço máximo da cesta básica, em Bauru, tem uma variação de 100,22%. De acordo com a pesquisa, realizada pela Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE), em dez supermercados de Bauru, o preço mínimo de compra é de R$ 142,94%, enquanto o máximo chega a R$ 286,19.

Os coordenadores da pesquisa, professores Jacques Vervier e Reinaldo César Cafeo, advertem, porém, que o melhor caminho para o bauruense ainda é a pesquisa, uma vez que em apenas um supermercado o cliente não consegue encontrar todos os produtos no preço mínimo.

De acordo com a pesquisa, de julho a fevereiro, a inflação acumulada foi de 6,6% (IPC-SP da Fipe) ao passo que o custo da cesta básica em Bauru cresceu de 7,1 %, ou seja 0,5 ponto percentual acima da inflação, levando em conta os valores da segunda semana do mês.

Os produtos de higiene, com 15,1%, e de limpeza doméstica, com aumento de 8,1%, são responsáveis da totalidade do aumento, ao passo que os itens de alimentação crescem menos, ficando em 5,4%. Na Grande São Paulo, os levantamentos mostram que a cesta encareceu em 10,8%, segundo o Dieese.

De acordo com os organizadores, "a cesta de Bauru é consistentemente de R$ 10,00 a R$ 12,00 mais cara do que a de São Paulo, e as duas parecem apresentar oscilações sazonais; no fim do ano, houve um aumento sensível do preço das cestas paulistanas e bauruenses.

É na alimentação que se encontram as maiores discrepância de preços entre supermercados (feijão, cebola, batata).

A pesquisa é realizada em dez supermercados de diversas regiões da cidade, sem que ocorra repetição de dois da mesma rede. Estão incluído 31 produtos, das marcas mais consumidas em Bauru, de acordo com pesquisa realizada anteriormente.

Uma das principais conclusões da pesquisa comprova a velha tese de que o consumidor deve estar muito atento na hora de comprar, pois entre os preços mínimos e máximos dos mesmos produtos há diferenças de até 390%, como é o caso da cebola. Mas, não

é só isso, uma marca de detergente apresentou 289,47% de diferença entre o preço mínimo e máximo; a batata 263,16%; uma marca de óleo de soja 204,21%; uma marca de água sanitária 196,49%; uma marca de extrato de tomate 177,94%; uma marca de papel higiênico 151,16%; uma marca de sabonete 148,65; entre outras diferenças gritantes. As diferenças são variáveis e a mínima

é de 3,48%, numa marca de óleo de soja. "Isso mostra que o consumidor deve estar atento ao preço dos produtos. Pesquisar ainda é o melhor caminho", aconselha Cafeo, que também é delegado regional do Conselho Regional de Economia (Corecon).

Vervier explica que o valor base adotado

é o da segunda semana do mês, no caso de fevereiro, mesmo critério utilizado pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas

(Dieese). Ele ressalta que a cesta do Dieese é bastante generosa; 15 Kg de arroz, 4 Kg de feijão e 10 sabonetes por mês para 4 pessoas.

A metodologia adotada pela ITE é a mesma usada para apuração da cesta básica na Capital, por meio de um convênio entre o Dieese e o Procon. Isso faz com que se tenha, inclusive, uma base de comparação.

O valor mínimo total da cesta em Bauru

é a soma dos menores preços encontrados nos dez supermercados. Isso não significa que o consumidor vai conseguir encontrar esse total se comprar em apenas um estabelecimento.

Metodologia

Para definir a cesta básica, foi utilizada a lista de produtos de alimentação, limpeza doméstica e produtos de higiene pessoal definida pela pesquisa do Dieese-Procon para Grande São Paulo; para o cálculo dos índices, foi utilizada a fórmula de Laspeyre com ponderações fixas de médias das marcas mais freqüentemente consumidas aqui em Bauru, em preços absolutos (reais correntes); utilizou-se o mesmo Questionário de Levantamento de Preços e o mesmo Manual do Pesquisador, elaborados pelo Dieese e Procon, já mencionados.

De acordo com os critérios do Dieese, o valor final da cesta básica é a soma ponderada dos menores preços encontrados nos diversos supermercados. Quem quiser comprar a cesta nesse preço deverá percorrer todos os estabelecimentos para comprar o que cada um oferece no melhor preço. Os resultados serão apresentados mensalmente através de tabelas.

O levantamento dos preços da cesta básica faz parte do banco de dados da Faculdade de Ciências Econômicas da ITE, o Data-ITE.

A pesquisa da cesta básica é a primeira iniciativa de geração de informação própria, para criar um conceito em relação

às pesquisas, para posteriormente alçar vôos maiores, como o levantamento do Índice de Custo de vida

(ICV) de Bauru.

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