SMS se preocupa com abandono de tratamento da tuberculose
Nesta sexta-feira é comemorado o Dia Mundial da Tuberculose. As unidades da rede municipal de saúde vão estar intensificando a busca de casos novos da doença e realizando atividades educativas, sobre o tema, nas salas de espera e através de trabalhos de grupo. Setenta e seis doentes de tuberculose estão, atualmente, em atendimento na Seção de Moléstias Infecciosas (SMI) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
O tratamento ambulatorial dura, em média, seis meses, mas
é comum, como em todo o restante do país, o abandono antes da alta - cerca de 13 a 16% na cidade. Essa atitude é arriscada, porque prolonga a doença e a incapacidade do indivíduo, o paciente continua infectado, transmitindo a tuberculose na comunidade e desenvolve resistência às drogas prescritas.
Somente no ano passado, foram notificados 123 casos novos da moléstia em Bauru, segundo informa a coordenadora do programa municipal de tuberculose, Rosilene Reigota, em virtude da comemoração.
Em 1999, Bauru se engajou na luta contra as formas mais resistentes de tuberculose e contra o abandono do tratamento ao implantar, na SMI, o tratamento supervisionado, que consiste no acompanhamento do doente durante seis meses ou mais, desde o início do tratamento até a cura, periodicamente, na unidade de saúde ou em casa, por um profissional de saúde que observa se ele está tomando a medicação indicada. Esse tipo de atendimento foi criado por portaria do Ministério da Saúde, que, ao mesmo tempo, instituiu o pagamento de bônus aos municípios, para cada doente curado: R$ 100,00 para pacientes curados por tratamento convencional e R$ 150,00 para aqueles que obtiverem a cura pela nova sistemática.
Em âmbito local, o número de pacientes que aderiram a esse tipo de tratamento é ainda inexpressivo, porque o município não recebeu, até o momento, os primeiros bônus para adquirir cestas básicas para os doentes, como forma de incentivo.
Saiba mais sobre a tuberculose
A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa de evolução crônica, causada pelo bacilo de Koch e de transmissão principal por via aérea. Acomete predominantemente os pulmões, podendo afetar outros órgãos como pele, rins, ossos, intestinos, cérebro, dentre outros.
É uma doença conhecida há séculos com os mais diversos nomes: peste branca, tísica, escrófula, consunção ou tuberculose. Na Antigüidade, foi responsável por inúmeros óbitos, até que, na década de 50, a descoberta do tratamento com antibióticos, contribuiu para a redução das taxas de mortalidade.
A tuberculose pulmonar, no início, manifesta-se de maneira silenciosa, podendo ser facilmente confundida com outras doenças menos graves, como gripes, bronquites e alergias respiratórias, principalmente devido aos sintomas de ordem geral como a febre baixa, emagrecimento, tosse e dores torácicas, o que aumenta as dificuldades do diagnóstico precoce, atrasando o início do tratamento e elevando a disseminação da doença. Calcula-se que um novo doente infecta, em média, dez indivíduos antes de ser tratado e tornar-se não transmissor.
Embora seja uma doença de fácil diagnóstico e tratamento, é um sério problema de saúde pública, principalmente porque o bacilo vem sofrendo mutações para formas mais resistentes, decorrentes de tratamentos irregulares com percentuais elevados de abandono. A adesão ao tratamento
é um fator muito importante na cura do paciente. As consequências de tratamentos inadequados e incompletos são sérias, porque prolonga a doença e a incapacidade do indivíduo, o doente continua infectado transmitindo a tuberculose na comunidade e desenvolve resistência às drogas.
Os índices de abandono da doença no Brasil giram em torno de 15% dos casos. Em Bauru, esta taxa é da ordem de 13 a 16%. Observa-se, em todo o País, que o doente tende a abandonar o tratamento tão logo melhore e apresente disposição para o trabalho. Este fator pode ser evitado com o acompanhamento direto do paciente e informação permanente sobre a doença.
O Brasil possui um Plano Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) com o objetivo de desenvolver, em todos os municípios da União, ações de diagnóstico e tratamento, diagnosticando precocemente os casos da doença e curando, no mínimo, 85% dos casos diagnosticados.
O PNCT proposto pelo Ministério da Saúde, em 1999, seguindo recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), propõe a implantação do tratamento supervisionado a pacientes portadores de tuberculose, visando a cura, a diminuição da transmissão e a queda do número de doentes resistentes. O doente é acompanhado por seis meses ou mais, desde o início do tratamento até a cura, periodicamente, na unidade de saúde ou no seu domicílio por um profissional de saúde, que observa se o mesmo está tomando a medicação prescrita.
Neste ano, o tema escolhido para as comemorações,
é a Co-Infecção Aids/Tb. As unidades de saúde municipais estarão intensificando a busca de casos novos da doença e realizando atividades educativas, sobre o tema, nas salas de espera e através de trabalhos de grupo.
Todo indivíduo que desejar maiores informações sobre a doença deve procurar a unidade de saúde mais próxima de sua residência que será atendido pela equipe.