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Privatização

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

PDV da Cesp tem adesão de 66%

Texto: Márcia Buzalaf

Dos 699 funcionários da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) Tietê, 465 aderiram ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) da empresa recém-privatizada, um índice de 66,5%. A elevada adesão surpreendeu o Sindicato dos Eletricitários de Bauru (Sinergia-CUT), que alerta para as conseqüências desta mudança na Cesp.

A maioria dos funcionários que se inscreveram no programa

- 373 destes trabalhadores - deve se desligar da empresa no dia 30 de março. O restante, deve permanecer trabalhando até o prazo máximo de 180 dias.

Dos 465 funcionários que optaram pelo PDV, 147 são de Bauru. Jesus Francisco Garcia, 45 anos, presidente do sindicato, afirma que as conseqüências para a cidade e para a região são grandes, tanto para a estrutura de Bauru quanto para o serviço da Cesp.

O sindicalista teme que, com menos funcionários, as condições de trabalho piorem para quem fica na empresa. Como em outras privatizações, Garcia argumenta, o enxugamento deve gerar sobrecarga de serviço para os funcionários.

A maioria dos que aderiram ao PDV são trabalhadores de cargos operacionais, mas as informações são de que alguns sindicalistas também estariam pensando em aderir à demissão.

O funcionário pode desistir do PDV até o momento da homologação da rescisão contratual. Garcia estima que a homologação deverá ser feita entre os dias 30 de março e 10 de abril. "Nosso único conselho é: se você tem dúvida, fique na empresa", orienta.

Na opinião de Garcia, do ponto de vista do emprego, a adesão ao PDV é negativa, já que deve aumentar o desemprego e/ou a informalidade na região.

A demissão deve reduzir a folha de pagamento da Cesp-Tietê de R$ 56 milhões para R$ 30 milhões, de acordo o Sinergia. A G2 foi a última geradora da Cesp privatizada, e engloba as usinas da regiões de Bauru, Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Avaiandava, Promissão e Rio Grande.

Entenda o PDV da Cesp-Tietê

A empresa norte-americana AES, nova dona da Cesp-Tietê, oferece o pagamento de 30 salários aos funcionários na ativa que aderirem ao Programa de Demissão Voluntária

(PDV), mais meio salário a cada ano trabalhado.

As verbas rescisórias, a assistência médica e odontológica, o auxílio-creche e a cesta básica também foram incluídos no programa.

Para os aposentados ou para aqueles que já podem se aposentar, a proposta é diferente: meio salário a cada ano trabalhado, sendo esta quantia limitada ao número de 12 meses. Esta categoria também não vai receber a multa de 40% relativa ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço

(FGTS). Para compensar esta perda, a empresa vai pagar uma indenização de um quarto do valor trabalhado em um ano.

O Sindicato dos Eletricitários de Bauru (Sinergia-CUT) explica que os funcionário da empresa não precisam aderir ao PDV porque o próprio acordo coletivo da categoria garante o emprego dos funcionários até 2002. O maior entrave desta garantia é que as empresas privatizadas costumam pressionar os trabalhadores a aderirem ao programa com ameaça de transferências aleatórias para outras cidades.

"O acordo coletivo foi firmado com a força dos trabalhadores, mas tem muita gente que não quer a transferência porque tem a família aqui. Esse é o problema", explica Jesus Francisco Garcia.

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