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Sementes

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

Sementes italianas podem gerar tomates com 40% menos água

Texto: Rita de Cássia Cornélio

O cultivo de sementes importadas da Itália poderá produzir tomates com 40% menos água do que algumas das variedades brasileiras. A experiência vem sendo feita pelo zootecnista Deir Ribeiro da Silva Jr, 28 anos, que pretende conseguir uma fruta semelhante a cultivada no Sul daquele País onde são fabricados os melhores tomates secos.

As sementes plantadas há 30 dias pelo zootecnista são das variedades San Marzano e Roma, cultivadas principalmente na Sicilia e Calabria, onde o clima é seco e a temperatura atinge até 42º. Se a tentativa der certo, Silva Jr. vai deixar de produzir tomates secos de forma artesanal para ser um fabricante.

Na opinião dele, as variedades italianas podem render mais e apresentar uma qualidade melhor, muito semelhante aos tomates secos daquela localidade. "A secagem do tomate italiano é no tempo. Durante 10 dias, eles deixam o tomate secando ao sol. No Brasil, a secagem é feita em fornos industriais porque o clima é tropical e a úmidade é alta, além da fruta possuir mais água", explica.

As duas variedades brasileiras cultivadas pelo zootecnista, Santa Clara e Débora, não dão a rentabilidade necessária para tornar o tomate seco um produto acessível. "Para fabricar de 70 a 100 gramas de tomate seco, uso um quilo de tomates frescos", diz.

Com as variedades italianas, ele espera diminuir a quantidade de matéria-prima para fabricação do complemento, que hoje é usado em pizzas, lanches e aperitivos. "É um mercado novo e em expansão. Estamos fabricando tomates secos para os amigos e vizinhos, de forma artesanal. Pretendemos ampliar a fabricação e abrir uma empresa."

Supersafra

A idéia de fabricar tomates secos surgiu há dois anos. Uma supersafra de tomates das variedades Débora e Santa Clara que a família do zootecnista cultiva na chácara localizada no Residencial Flamboyant/ estrada Bauru/Piratininga fez com que se ventilasse a idéia de usar uma receita antiga deixada pela matriarca da família, conta a irmã do zootecnista Liz Mary Ribeiro da Silva, 26 anos. Descendente de italianos, Liz Mary começou a fabricar tomates secos no forno da cozinha da casa sede. "Ofereci aos vizinhos e amigos para que eles avaliassem o produto. Eles gostaram e começaram a fazer propaganda boca a boca. Semanalmente fabricava 10 quilos de tomate secos."

As encomendas foram aumentando e hoje a "italiana" fabrica 50 quilos de tomate seco por semana, usando o mesmo forno caseiro.

"Uma pessoa indica para outra. Fabrico a quantidade suficiente para atender a demanda. O tomate seco só pode ser conservado por até 30 dias na geladeira, depois de pronto."

O sonho dos irmãos em abrir uma empresa para fornecer tomates secos para pizzarias, lanchonetes e supermercados está prestes a se tornar realidade. "Vamos testar os tomates gerados a partir das sementes importadas. As variedades podem dar produtos de melhor qualidade."

Caso a experiência dê certo, os três irmãos que trabalham na chácara com produção de tomates, pretendem abrir uma empresa e fabricar tomates secos em maior escala. "As variedades italianas tendem a possuir 40% menos água e isso pode significar uma grande economia de gás, uma vez que o tempo de forno pode diminuir, barateando o preço final."

Liz Mary lembra que o tomate seco fabricado em alta escala passa por secagem em estufas. "No trabalho artesanal, nós usamos, em média, 12 horas de forno para fabricar o tomate seco. Na indústria, com estufas maiores, o tempo é bem menor", calcula.

De acordo com ela, o costume de usar tomates secos como complemento em vários tipos de pratos começou há poucos anos no Brasil. "Os italianos sempre usaram o tomate seco. O produto era importado e caro, portanto não acessível a grande parcela da população. Com a fabricação nacional, o complemento começou a ser mais utilizado e difundido no País."

Pitada de História

Os descendentes de italianos contam que aprenderam com seus ascendentes um pouco da história do tomate seco. "Na Itália não tinha tomate o ano todo. Como eles consumiam a fruta em alta escala, desenvolveram técnicas para conservação do produto."

A receita original do tomate seco, segundo Liz Mary, exige 10 dias ininterrupto de secagem ao sol. "Quando chovia naquele período, toda a produção era inutilizada." O tomate brasileiro, segundo ela, é mais carnudo e contém mais água."

Maduro

Para fazer o tomate seco, de acordo com a receita usada pela família do zootecnista, é preciso que a fruta esteja bem madura, sem estar mole. "Colhemos o tomate verde e esperamos de 5 a 7 dias para ele amadurecer em local seco e quente."

Quando a fruta está no ponto, ele é cortado ao meio, com casca e toda a poupa é retirada. "Eu coloco numa forma e salpico sal grosso, açúcar e orégano, em pouquíssima quantidade."

Em seguida, o tomate é levado ao forno, que deve estar com a temperatura baixa e com a porta semi-aberta. "Depois de duas horas nesta posição, o tomate deve ser virado de três a quatro vezes. Nas duas últimas, a temperatura do forno deve ser média e o tomate deve permanecer até quatro horas."

Depois de concluído o processo de secagem, o tomate deve ser molhado com azeite de boa qualidade e conservado em vidros limpos. "Na geladeira ele pode ficar até 30 dias, mais que isso, pode sofrer alterações no sabor original", orienta. Agendinha

Tomate orgânico

A Agroecológica de Botucatu vai realizar, nos dias 15 e 16 de abril, sábado e domingo, o I Encontro de Tomate Orgânico. A proposta do evento é promover a troca de experiências entre produtores e especialistas, na busca da atualização das informações sobre a produção de tomate orgânico. A adesão custa R$ 75,00 para estudantes e R$ 90,00 para produtores (para inscrições feitas até o dia 7). Informações podem ser obtidas pelo telefone: (14) 6821-1866, ou através do site www.agroecologica.com.br.

Amanhã, dia 25, no Rancho das Américas, será realizado o Leilão Oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM). O racho fica localizado na rodovia Castelo Branco, Km 101, em Porto Feliz. A ABQM também vai realizar, entre os dias 13 e 16 de abril, o X Congresso Brasileiro de Quarto de Milha. O encontro será sediado em Presidente Prudente. Informações podem ser obtidas pelo telefone: (11) 864-0800.

Marchigiana

Os criadores de Marchigiana de Bauru e região já tem encontro marcado para o dia 10 de abril. Durante a Expo Londrina 2000, será realizado o Leilão Nacional da Raça Marchigiana. O julgamento dos 60 lotes de reprodutores PO e matrizes será feito nos dias 8, 9 e 10, às 9 horas. Informações no Núcleo Paranaense dos Criadores da Raça Marchigiana:

(43) 324-3138.

Simental

E a raça Simental está em alta. Dia 15 de abril,

às 14 horas, em Ribeirão Preto, será realizado o 2.º Leilão Simental do Novo Milênio. Serão ofertados 60 machos e 20 fêmeas rústicas. Informações:

(16) 826-1100.

Leilão de Simental é amanhã

O Núcleo de Criadores da Raça Simental e Simbrasil de Bauru e região vai realizar, amanhã, a partir das 13 horas, seu 1.º leilão da raça na cidade. O evento será realizado no Recinto Mello Moraes, e deve contar com a participação de 800 animais.

De acordo com o presidente do núcleo, Rubens Alves de Oliveira Neto, a oportunidade do leilão não é importante apenas para os produtores da raça, mas também para aqueles que desejam iniciar um plantel.

Oliveira Neto explica que, antes do leilão começar, entre 13 e 15 horas, será realizada a exposição de diversos animais resultantes de cruzamento industrial da raça Simental com matriz de zubuínos. "A idéia é mostrar todos os cruzamentos experimentados da raça, todos os caminhos para utilizar da raça. E muita gente que vai no leilão, quer mesmo é conhecer a raça", explica Oliveira Neto.

A raça de gado Simental tem sido procurada para a compra por ter uma valorização de aproximadamente 20%. Em Bauru e região, a demanda pelos animais é ainda maior, e vem crescendo desde 98.

Foi neste ano que a exposição nacional da raça Simental saiu, pela primeira vez, de Vitória (ES) para Bauru, durante a Grand Expo 98. Para Oliveira Neto, esse já foi o marco da criação de Simental na região.

"Bauru é considerado um dos maiores pólos de Simental no Brasil", explica.

Oliveira Neto adianta que serão vendidos alguns touros puros durante o leilão, apesar da maioria ser resultante do cruzamento industrial.

O núcleo dos criadores da raça foi criado em novembro do ano passado e já conta com 26 fazendeiros. Informações sobre o leilão podem ser obtidas através da empresa leiloeira, a Sampaio Ferraz Leilões. Telefone: (14) 238-2215.

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