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Rumos da economia

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 6 min

Era digital irá ditar rumos da economia brasileira

Texto: Patrícia Zamboni

Ao participar do Ciclo Ford de Palestras, realizado em Barra Bonita na última terça-feira, o jornalista Luís Nassif deu um "show" de uma hora e meia falando sobre

"Aspectos da Economia Atual". Colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo, diretor-superintendente da Agência de Informações Dinheiro Vivo e comentarista econômico da Rádio Bandeirantes, em sua palestra Nassif abordou temas como os novos paradigmas da economia, estratégias para as empresas vencerem na globalização, como a Internet vai ajudar o País e as perspectivas da economia para o ano 2000. A criatividade do povo brasileiro como um gigantesco ponto de vantagem em relação a outros países, foi exaltada pelo jornalista como o diferencial que permite estar sempre à frente de qualquer tendência. Além disso, é um fator facilitador para a adaptação do brasileiro à economia globalizada. "O Brasil é um dos países mais criativos do mundo", afirmou o jornalista.

De acordo com Luís Nassif, a força com que a Internet vem atuando não vai permitir que nenhum setor da economia fique incólume a ela. "Todos os setores da economia terão que se adaptar a essa nova maneira de fazer negócios e de se comunicar", afirmou o jornalista. Segundo ele, a Internet é um novo instrumento que pode, e deve, ser muito bem utilizado e servir como plataforma de avanço para empresas atuantes nos mais diversos segmentos. O problema, apontado por Nassif, é que durante séculos o Brasil "patinou" em termos de desenvolvimento. "Outros países mais avançados saíam na frente, traziam novas práticas, novas mudanças, e o Brasil sempre saía atrasado. Aí, nós entramos nessa era da Internet, que permite uma massa de conhecimento que há dez, vinte, trinta anos atrás nós não tínhamos. No entanto, o País sai, mais uma vez, atrasado. Esse atraso terá que ser compensado, nos próximos anos, com muita criatividade", destacou Luís Nassif.

Neste momento da palestra, o jornalista fez uma afirmação que é um verdadeiro alerta a todos os empresários que buscam o sucesso. Segundo ele, as ferramentas gerenciais que a Internet oferece estão disponíveis a todos. O que vai fazer a diferença entre as empresas bem sucedidas e aquelas que irão ficar para trás reside na "capacidade de abrir a cabeça", nas palavras do jornalista. Para isso, o brasileiro conta com o benefício da criatividade.

"A criatividade brasileira é a grande ferramenta que pode transformar o País numa nação do terceiro milênio. Não se pode ter medo de inovar", afirmou Luís Nassif. Segundo ele, o profissional que é especializado em somente um assunto, ou em uma atividade, está defasado. Para se sair bem e fazer parte de grandes empresas é preciso entender de tudo, ter uma noção ampla de todo esse ferramental. "A informática não é um conhecimento em si; é uma ferramenta para permitir, a quem tem outras formas de conhecimento, usá-las da melhor maneira", apontou.

De acordo com Nassif, a eliminação da autoridade

- para os empresários que acham que sabem exatamente o que cliente quer e impõem isso a ele - é outra característica essencial que deve ser utilizada por quem quer sobreviver na economia atual. "O empresário que acha que sabe exatamente o que o cliente quer e o que ele não quer, está fora do jogo. Hoje existem métodos muito mais científicos para ouvir o cliente e, aí então, ter a criatividade para saber aquilo que o cliente vai querer mas ainda não sabe que existe. Existirão dois tipos de empresas vitoriosas; aquela que sabe o que o cliente quer e oferece isso a ele, e aquela que dá o que o cliente quer e sabe o que ele ainda vai querer, porque o cliente não pode querer coisas que ele não conhece", afirmou o jornalista.

Outro ponto importante, citado por Luís Nassif, na era da globalização é a biotecnologia. De acordo com ele, é essencial que qualquer empresa que tiver a intenção de exportar seus produtos, terá que se preocupar com a poluição. "Qualquer dano que possa ser causado ao meio ambiente ou ao meio social, impedirá as exportações", afirmou. Num exemplo sobre a tendência da eliminação da poluição, Luís Nassif diz que no futuro os carros serão movidos a eletricidade.

A economia e a era digital

Os programas de Qualidade Total são uma importante ferramenta apontada pelo jornalista Luís Nassif para os empresários entrarem na era digital bem preparados. Na opinião dele, esses programas têm a capacidade de transformar criatividade em resultados. "A qualidade traz criatividade para a empresa, e a criatividade gera bons resultados. Toda multinacional que tem programa de Qualidade Total é a melhor em seu segmento", disse Nassif.

O trabalho em conjunto entre empresas do mesmo ramo é outra tendência apontada pelo jornalista. Segundo ele, nenhum empresário é auto-suficiente, e buscar ajuda é sinal de inteligência. Não se trata de cooperativas, e sim de formar uma cadeia econômica. "Não existirão mais empresas isoladas. As empresas que não souberem atuar em conjunto, vão acabar", afirmou Nassif. Um bom exemplo desse associativismo no Estado de São Paulo, citado por ele, são as redes de farmácias. "Quando começou a desregulamentação do mercado, as grandes redes de laboratório conseguiam os melhores preços e entravam arrasando. As pequenas farmácias perceberam que se não se unissem, não conseguiriam sobreviver", disse. O desafio, segundo o jornalista, é ensinar os empresários a trabalharem de forma consorciada.

Uma segunda alternativa para as grandes empresas são os processos de fusão e encorporação. "Esse

é um ponto dos mais relevantes. A fusão é a melhor maneira de garantir a perenidade das empresas e acabar com o drama da sucessão familiar. As fusões e encorporações significam a profissionalização da gestão empresarial", afirmou Nassif.

A capacidade de inovação também é ponto essencial citado pelo jornalista para o crescimento das empresas diante de um panorama de competitividade cada vez mais acirrado. De acordo com Luís Nassif, as empresas brasileiras nunca tiveram o hábito de buscar tecnologia. Porém, esse é o momento de buscar alternativas para tornar a empresa mais competitiva, caso contrário, o fracasso será o resultado mais provável. No panorama digital da economia, o comércio eletrônico, as transações eletrônicas e a comunicação instantânea via Internet serão inevitáveis e absolutamente necessários.

De acordo com o jornalista Luís Nassif, a "nova era" pode ser vista tanto de forma positiva quanto negativa. Porém, sempre otimista, ele faz uma análise que, mais uma vez, exalta a criatividade do povo brasileiro, a grande arma do País na era da globalização e das tendências digitais.

"Quando o isolamento for rompido, a criatividade vai imperar. Eu tenho certeza de que quando começar essa grande disputa mundial, Bauru e todo o Interior de São Paulo terão talento para levar os produtos brasileiros a todas as partes do mundo", concluiu.

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