Purini é acusado de usar casas como moeda de troca para votos
O ex-deputado estadual Roberto Purini (PMDB) está sendo acusado de ter prometido doar casas populares em troca de votos. A acusação data de 1988, mas apenas agora a Justiça conseguiu citá-lo em processo.
Na época da acusação, Purini, que era candidato a prefeito de Bauru, ocupava cargo de deputado na Assembléia Legislativa e, de acordo com a súmula 394, poderia apenas ser processado em foro especial.
A súmula previa ainda que um processo contra deputado estadual poderia ser aberto após autorização do Legislativo estadual, o que não aconteceu.
Em setembro do ano passado, a súmula foi derrubada e, como resultado, Purini perdeu o direito de ser processado em foro especial. O processo, então, foi redistribuído e retornou
à Justiça Eleitoral de Bauru.
No início desta semana, 12 anos após a denúncia ter sido formalizada, o juiz eleitoral Horácio Furquim Guanaes conseguiu citá-lo em processo de crime eleitoral. Atualmente, os advogados do ex-deputado formulam sua defesa, que deve ser apresentada dentro de dez dias.
Purini acreditava que o processo já estivesse proscrito.
"Estou tranqüilo. Tenho testemunhas, as quais comprovam que nunca pretendi trocar nada em troca de nada", garante.
Segundo Purini, as casas populares faziam parte de seu programa de governo para a Prefeitura. Pelo projeto do ex-deputado, as residências seriam construídas pela administração municipal e doadas a pessoas de baixa renda.
"Minha idéia era similar ao projeto de Desfavelamento, desenvolvido pelo Tidei de Lima. A seleção dos contemplados seria feita a partir da renda familiar e não pelos votos", afirma.
Para Purini, o processo é resultado de acusações típicas do período eleitoral. "Interpretaram meu discurso da maneira que convinha", diz, referindo-se ao PSDB. Segundo o ex-deputado, o partido é quem teria formulado a acusação contra ele.
O juiz eleitoral Horário Furquim Guanaes analisará o processo após receber o relatório de defesa dos advogados do peemedebista. (DB)