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Suínos

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Inseminação artificial otimiza produção de suínos

Texto: Márcia Buzalaf

O método de inseminação artificial usado em suínos está crescendo cada vez mais pela otimização dos cruzamentos e pela melhoria genética que proporciona. No Brasil, a técnica ainda representa apenas 10% das fêmeas cobertas, enquanto que nos países europeus o índice chega a 80%.

O objetivo primeiro da inseminação artificial é a melhoria genética das espécies. No caso dos suínos, a técnica é usada cada dia mais para zerar a incidência de contaminações e para diminuir a quantidade de gordura na carne e nos derivados do animal.

O tema começou a ganhar a atenção de produtores de suínos no Brasil recentemente, apesar de ser amplamente usado em outros países. O Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar) e o Sindicato Rural de Bauru resolveram desenvolver um curso específico sobre o assunto, que foi realizado na Suinogen, centro aberto produtor de suínos em Agudos. Com aula teórica e prática, ministrada pelo médico veterinário e consultor da Suinogen, Abrão Abrahão, 42 anos, os participantes do curso puderam entender e acompanhar todo o processo de inseminação artificial.

De quatro anos para cá, a técnica aplicada em suínos começou a ser feita com mais freqüência. Hoje em dia, as centrais de reprodução podem ser abertas

- quando faz a coleta, manipulação e venda do sêmen para outras propriedades - ou fechadas, quando a produção

é voltada apenas para o consumo interno.

Abrahão explica que o Brasil ainda está engatinhando na técnica. Em vários países da Europa, a inseminação artificial chega a representar aproximadamente 80% das fêmeas cobertas. "Aqui, chega a 10%, 15%", afirma.

O treinamento dos animais para a inseminação artificial costuma ser iniciado aos sete meses de idade, apesar de que a coleta em si só começa um mês mais tarde. Nem todos os animais se adaptam à inseminação artificial. Segundo Abrahão, alguns não se acostumam mesmo com a monta no manequim.

Custo

Muito se fala do alto custo da tecnologia nas propriedades rurais, mas, no caso da inseminação artificial em suínos, o gasto é compensado. Abrahão acredita que, com aproximadamente R$ 15 mil, uma pessoa possa montar um laboratório para a manipulação e aplicação do sêmen. Cada dose de sêmen custa em torno de R$ 4,00.

O médico veterinário afirma que o gasto compensa porque a utilização do sêmen na inseminação artificial é bem maior do que na cobertura natural.

Só para se ter uma idéia, cada reprodutor insemina em torno de nove fêmeas a cada monta que faz. Na cobertura natural, são necessárias três montas para que a fêmea fecunde.

Na monta natural, o suíno macho consegue de 500 a 800 filhos na sua vida útil, que geralmente é de dois anos e meio, enquanto que, com a inseminação artificial, a geração de filhotes pode chegar a quatro mil. Outra diferença é na quantidade de fêmeas cobertas. Geralmente um macho cobre em torno de 25 animais - com a inseminação artificial, o reprodutor chega a cobrir 150 fêmeas.

Cuidados

O macho, quando é preparado para a monta artificial, deve estar limpo o suficiente para evitar contaminações. A pessoa responsável pela colheita precisa de uma luva de borracha para poder apertar com força o pênis do porco e, assim, conseguir a ejaculação do animal.

A ejaculação do suíno é dividida em três fases, sendo que a primeira é fraca em quantidade de espermatozóides.

Quanto melhor for a alimentação do animal, melhor será sua performance sexual. A gordura, segundo Abrahão, diminui sensivelmente a libido do suíno. Por isso, cada vez mais, os produtores estão usando grãos para a suplementação animal.

A coleta do sêmen geralmente é feita logo cedo, às 5h30. Cada ejaculação fornece em torno de 50 a 80 bilhões de espermatozóides. Este sêmen é dividido em ampolas de 100 ml com cerca de 4 bilhões de espermatozóides por dose.

Cada porção de sêmen é misturada a uma solução diluente chamado de Polimax, o único produzido no Brasil. A proporção é de um pacote de 50 gr do produto para mil ml de água. A temperatura média da água para fazer a mistura é de aproximadamente 30 graus. Esta temperatura deve estar próxima da do sêmen para haver maior dissolvição dos componentes.

Antes da dose ser aplicada, a vulva da fêmea é limpa e sua aceitação para a cobertura é testada: uma pessoa sobe em cima da fêmea só para ver se ela rejeita a pressão.

Se aceitar, ela está no cio, pronta para ser inseminada artificialmente. A vulva da fêmea também deve estar aparentemente pronta para a inseminação. Para isso, ela deve ser limpa e estar avermelhada.

A pessoa que fizer a inseminação artificial em suínos deve introduzir a pipeta lubrificada já com a solução no sentido anti-horário e com a inclinação de 45 graus.

A vantagem de inseminar artificialmente os suínos é sua natureza. Os funcionários da Suinogen garantem que os porcos são amáveis e que o tratamento deles não envolve nenhum tipo de risco.

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