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Superfaturamento

Nélson Gonçalves
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Usina de lixo teria vinculação de R$ 500 mil

Texto: Nélson Gonçalves

No depoimento ao MP, José Sebastião Teixeira, disse que dois americanos foram vítimas de suposto pedido de dinheiro

A possível utilização de água como forma de aumentar o peso do lixo domiciliar coletado em Bauru, até o final de 1998, está sendo apurada pelo Ministério Público local, mas não é a única denúncia. Além de apontar que haveria pesagem dupla na coleta de lixo e utilização de água, o empresário José Sebastião Teixeira afirmou à Promotoria que levou dois empresários americanos à Prefeitura e que a instalação do aterro sanitário teria sido suposta condicionada à liberação de R$ 500 mil. Esta afirmação está sendo apurada

à parte pelo Ministério Público.

José Sebastião Teixeira disse ao MP que levou até a Prefeitura, Henry Abella, presidente da empresa "Extrusion Concepts Inc., e Bill Balduin, do Texas, ambos dos EUA. Na oportunidade, segundo Teixeira, os americanos teriam desistido de montar uma usina de lixo reciclável em Bauru em função da suposta condição. Resta saber de Teixeira se esta informação, a qual disse ter presenciado, foi comunicada ao prefeito Nilson Costa ou não, posteriormente.

Na Câmara Municipal, alguns vereadores estranharam a calma como a atual administração recebeu a veiculação da matéria ontem. Alguns vereadores consideraram que na Emdurb existiria uma pré-disposição em lançar as perguntas sobre o caso do lixo sobre os dois últimos diretores da empresa, desde a época em que a a Transpolix passou a realizar 2/3 dos serviços de coleta na cidade.

José Sebastião Teixeira disse ao promotor que verificou, no próprio aterro sanitário, a partir de setembro de 1998, que havia uma quantidade muito grande de água nos caminhões de lixo que eram descarregados pela Transpolix no aterro. O empresário alega que verificou, no próprio aterro, que os caminhões da Emdurb, ao contrário, despejavam lixo seco.

Além disso, Teixeira disse no MP que os caminhões da empresa terceirizada realizavam a pesagem do lixo coletado em mais de uma vez, antes do material ser despejado no aterro sanitário. A diretoria de Limpeza Pública da Emdurb já tem levantamentos que apontam diferenças significativas entre a quantidade de lixo coletado pela Transpolix, em alguns locais da cidade, e o que passou a coletar a Emdurb, posteriormente.

Na Emdurb, o presidente Joaquim Madureira disse que todas as denúncias que forem trazidas, com informações serão apuradas. Joaquim Madureira comentou que o contrato com a Transpolix foi rescindido no final de novembro de 1998 e que o serviço de coleta era pago mediante a aferição e apresentação de planilha pela Diretoria de Limpeza Pública. Até o início do segundo semestre o setor era respondido por Juranir Berbel. Depois, a diretoria passou a ser comandada por Renato Bacelar.

José Sebastião Teixeira diz, em seu depoimento no MP, que foi um dos coordenadores da campanha de Nilson Costa a deputado estadual e que foi convidado a ser o secretário de Obras quando este assumiu a Prefeitura no final de agosto de 98, em função da cassação de Izzo Filho. Entretanto, no início de setembro do mesmo ano, o empresário diz que o prefeito lhe ofereceu o aterro sanitário para construção de uma usina de reciclagem de lixo orgânico e inorgânico, com exploração para um período de 10 anos. Teixeira diz que foi a partir deste convite que compareceu à Emdurb para encaminhar o projeto da reciclagem a Joaquim Madureira.

O empresário diz que foi a partir das visitas ao aterro sanitário, já em setembro de 98, que verificou as possíveis irregularidades no sistema de pesagem do lixo coletado pela Transpolix. José Sebastião Teixeira disse que acompanhou, em vários oportunidades, os caminhões da Emdurb descarregando lixo seco, enquanto que os da empresa contratada derramavam uma enorme quantidade de água no mesmo local. Além disso, o empresário disse à promotoria que levantou informações de que os mesmos caminhões passariam duas vezes pela balança eletrônica para a pesagem, em uma das vezes com uma redução de água. A água seria colocada nos caminhões perto do aterro, quando os veículos já haviam realizado a coleta na cidade, através de um mangote ligado ao cardã.

José Teixeira disse ao MP que levou as denúncias ao conhecimento do então presidente da Emdurb, Joaquim Madureira, na época. Antes, o empresário disse que conversou com o responsável pela balança do aterro, na oportunidade. Este teria lhe dito que a pesagem além do necessário era "coisa dos grandes". Teixeira comenta que levou o fato ao conhecimento de Nilson Costa, na época, e que este o encaminhou para Joaquim Madureira.

O empresário José Sebastião Teixeira, proprietário da empresa Jote Construções Calçamentos e Loteamentos, vinha mantendo contato com o vereador João Parreira, mas argumenta que não fez a denúncia antes porque prometeu guardar segredo do assunto na época em que levou a denúncia até a Emdurb, até que uma atitude fosse tomada. a partir de setembro de 1998. No início de dezembro do mesmo ano, a Emdurb passou a realizar a coleta de lixo em toda a cidade, cancelando o contrato que existia com a empresa Transpolix, num total de R$ 65 mil mensais.

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