Motorista reafirma denúncia do lixo
Texto: Nélson Gonçalves
A partir das denúncias de superfaturamento na coleta do lixo, quando o serviço era realizado pela empresa Transpolix, surgem novas informações. O motorista da Emdurb, Luiz Henrique Rosalin, procurou o JC para dizer que procedem as informações dadas pelo empresário José Sebastião Teixeira. O empresário disse que presenciou a aferição dupla dos caminhões da Transpolix e a utilização de água como forma de aumentar o peso do lixo despejado no aterro sanitário. O motorista Luiz Henrique Rosalin afirmou, ontem, que trabalhou durante seis meses para a Transpolix em Bauru, em 1996.
O motorista acrescentou dados importantes à denúncia que está sendo apurada pelo Ministério Público
(MP). Luiz Henrique Rosalin mencionou que a água era colocada nos caminhões na garagem da Transpolix. Ontem à tarde, o motorista concedeu entrevista, depois de voltar do Fórum.
Jornal da Cidade - Em que período o senhor trabalhou transportando lixo para a Transpolix?
Luiz Henrique Rosalin - De maio a novembro de 1996, contratado pela Transpolix.
JC - Em que setor da cidade o senhor trabalhou na época?
Rosalin- No Jardim América, terça, quinta e sábado, e no Aeroporto, de segunda, quarta e sexta. Durante uns quatro meses eu fazia o horário das sete horas até terminar o serviço, seria por volta de 16 horas, 17 horas. Eram duas viagens do Jardim América, duas viagens de nove mil quilos cada uma, pegando todo tipo de lixo. A Transpolix nessa parte era todo lixo, é cadeira, madeira velha, entulho, areia. Ela não tinha separação de lixo, não.
JC - A sua área era de lixo domiciliar?
Rosalin - O meu setor era lixo domiciliar, mas era coletado todo tipo de lixo.
JC - Como o senhor despejava o lixo no aterro?
Rosalin - Eu cheguei a fazer assim. Nos últimos dois meses eu passava uma viagem do setor do centro, que era feita na parte da manhã, descarregava o caminhão, saía do aterro com destino a fazer mais uma viagem no Distrito, Jd. América ou Aeroporto, que seja, e pegaria umas três ruas e voltaria para o aterro descarregar.
JC - Na época, a Emdurb verificava os caminhões na rua e no aterro?
Rosalin - No tempo em que eu estive lá não houve essa fiscalização. Havia uma fiscalização na rua, mas dificilmente eu via, ou ela me parou para perguntar alguma coisa.
JC - Quando o senhor chegava no aterro ninguém fiscalizava a descarga?
Rosalin - Nunca perguntaram nada, não paravam o caminhão também. Chegava lá, pesava, subia no aterro, descarregava e ia embora.
JC - Era colocado água no caminhão com lixo?
Rosalin - Eu nunca passei em um lugar, mas a gente notava que se o caminhão desse algum problema ou ia para a garagem voltava com água. Ele coloca a água num coxo, bate o lixo e então geralmente ele vai prensando a água para dentro. E os caminhões deles tinham facilidade porque o escudo dele tanto colocava para frente como para trás e não vazava água.
JC - O caminhão vinha com água depois que coletava na cidade?
Rosalin - Positivo. Porque, por exemplo, a gente deixava o caminhão na garagem, depois, à tarde, quando terminava, com um outro caminhão, aí era obrigado a descarregar aquele caminhão. Então, nós pegávamos esse caminhão, geralmente era cheio de água.
JC - O senhor não desconfiava que tinha muita água quando ia descarregar?
Rosalin - Desconfiar a gente desconfiava, mas como não tinha ninguém para ver nada, a gente jogava a água em cima do lixo e boa.
JC - O senhor trabalho na Transpolix no final de 1996?
Rosalin - Eu trabalhei seis meses, de maio a novembro, e depois a Transpolix largou o lixo e retornou depois. Eu tenho confirmações de outros funcionários que trabalharam lá, que depois era feito normalmente a mesma coisa.
JC - O senhor foi até o promotor falar o que está contando agora?
Rosalin - Eu estive pensando no que foi dito e resolvi comunicar isso ao promotor também, dizendo para ele a verdade espontaneamente, sem problema nenhum.
JC - O senhor trabalha na Emdurb hoje?
Rosalin - Sim, eu sou motorista lá. Fui contratado em dezembro de 98 como motorista. Neste período a coleta
é normal.