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Adriana Rota
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Data de funcionamento de lombadas e radares é incerta

Texto: Adriana Rota

Contrariando as expectativas iniciais da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), as lombadas e radares eletrônicos instalados em quatro pontos da cidade devem demorar um pouco mais para começarem a funcionar. Isso porque uma série de empecilhos, até então não divulgados, atrasaram o processo. Falta a ligação elétrica em dois deles, que só pode ser feita após a apresentação de um projeto específico. Posteriormente, ele será enviado à Prefeitura e, se aprovado, terá de passar por uma aferição técnica. Se não houver problemas, os dispositivos passarão por um processo de adaptação de dez dias, até que as multas comecem a ser processadas.

Como o prazo para início do funcionamento era o final de março, a empresa foi procurada para esclarecer qual a situação do empreendimento na ocasião (quinta-feira passada). Sua Assessoria de Imprensa informou que estariam faltando os "últimos preparativos" para a colocação em funcionamento dos equipamentos. A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) ainda não teria feito todas as ligações elétricas, pela verificação da necessidade de apresentação de um projeto técnico, constatada de última hora.

A Assessoria também cuidou de colocar ao telefone uma gravação do presidente da empresa, Joaquim Madureira, na qual ele falava sobre a decisão de dar um prazo de adaptação de dez dias antes que as multas comecem a ser emitidas e enfatizava o caráter educativo da medida, sobre o qual já havia falado em reportagens anteriores.

A CPFL foi contatada e detalhou uma série de contratempos que têm envolvido a instalação das lombadas e radares eletrônicos. O gerente de distrito, Lúcio Esteves Júnior, disse que a empresa foi contatada há cerca de dois meses, passando as informações técnicas necessárias para a instalação elétrica dos equipamentos.

Quando os eletricistas chegaram nos locais, no entanto, encontraram postes com 5m de altura, 1m abaixo do permitido pela lei que rege o assunto. A primeira sugestão foi a modificação deles, considerada inviável. A segunda, uma adaptação, soldando-se uma espécie de cano. Essa teria sido aceita, mas também não resolveu o problema: foi colocada, na linguagem técnica, uma bitola menor, ou seja, um cano mais fino que o necessário. "Ele não poderia segurar o cabo ou agüentar o peso de uma escada, por exemplo, oferecendo risco para o eletricista", esclareceu Esteves Júnior. Conclusão: a substituição tornou-se necessária.

Na última terça-feira, o técnico responsável pela área teria tomado conhecimento que a ligação elétrica das lombadas eletrônicas seriam subterrâneas, o que exige a feitura de um projeto. "Em nenhum momento eles disseram que era esse o tipo da ligação", disse o responsável pela CPFL. A legislação do setor elétrico, ainda segundo ele, não permite esse tipo de instalação sem o projeto, porque os cabos ficam enterrados. "É uma questão de segurança", complementou.

A instalação dos obstáculos na cidade está a cargo da empresa CSP Controle e Automação. Seu gerente de implantação, Luiz Carlos Murer, esteve em Bauru na última quinta-feira para contatar uma empresa de engenharia especializada em instalações elétricas, que cuide da feitura do projeto. Na sexta-feira à noite, não foi possível contatá-lo pelo celular para saber o resultado.

Em entrevista exclusiva ao JC durante sua passagem por Bauru - a sede da empresa é em Florianópolis, mas existe um escritório na cidade de São Paulo - Murer informou que a parte física das lombadas e dos radares está toda montada nos locais definidos. A previsão, segundo ele, era que no dia 30 de março os obstáculos estivessem prontos para os testes operacionais. Agora, acredita que o processo ainda leve cerca de dez dias até o início da aferição, se tudo correr bem. "A gente trabalha com promessas, tanto da CPFL quanto da própria Emdurb", disse.

Murer estranhou o fato de o projeto ter sido solicitado somente agora, porque, segundo ele, o departamento de trânsito das empresas com as quais costuma trabalhar geralmente cuida de solicitar a instalação, mesmo no caso de semáforos convencionais. "Talvez, por um desencontro de informações, isso só tenha sido colocado agora", supôs. O projeto, depois de confeccionado, ainda tem de passar pelos engenheiros da Prefeitura antes de ser encaminhado à CPFL.

Quanto à referida aferição, trata-se de um procedimento obrigatório, que requer o equipamento dentro dos padrões do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), dado até então não divulgado pela Emdurb. Embora Murer esteja otimista com relação à agilidade desse trabalho, já que Bauru tem uma sede o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), órgão ligado à Secretaria Estadual de Defesa da Cidadania, ele preferiu não arriscar uma data para que os dispositivos estejam atuando. Para que esses testes sejam feitos, é necessário aguardar a ligação da eletricidade.

Reclamações

A instalação dos dispositivos eletrônicos de controle da velocidade já começou a ser criticada. O JC tem recebido com certa freqüência contatos de pessoas que questionam o caráter educativo da medida, interpretada como punitiva e uma forma fácil de arrecadar dinheiro. Um dos reclamantes atuou de forma mais direta: ele é morador da rua Wenceslau Brás, na Vila Falcão, onde funcionará uma das lombadas eletrônicas.

O reclamante, que preferiu não ser identificado, disse desconfiar que algo esteja errado na instalação do dispositivo: em um dos lados, um dos "pés" do equipamento invade a rua em cerca de 80cm. No outro, as duas pilastras foram colocadas sobre a calçada. Outra dúvida

é se a iluminação será suficiente, de modo que não haja colisões com as pilastras, que são pretas, especialmente à noite.

A pedido da reportagem, a Assessoria de Imprensa da Emdurb verificou uma outra queixa, referente às placas localizadas ao longo da avenida Nações Unidas, da região do Makro até o Ceagesp, em que placas de sinalização indicando velocidade máxima de 40km/h e 60km/h aparecem de forma alternada, o que causaria confusão nos motoristas. A resposta, obtida junto à sua Diretoria de Sistema Viário

(DSV), é que a lei determina a velocidade de 40km/h nas proximidades dos cruzamentos, sendo 60 km/h a velocidade normal para essa via. Ainda assim, avisou que a implantação do novo sistema será precedida por uma revisão completa na sinalização das vias que receberão os dispositivos eletrônicos.

Entenda o caso

Após três anos de estudo, a Emdurb deu início

à instalação dos dispositivos eletrônicos, que possuem câmeras e sensores capazes de verificar se o motorista excedeu a velocidade. Nesse caso, a infração será registrada e, o automóvel, multado. As lombadas eletrônicas estarão na rua Wenceslau Brás, na Vila Falcão, e na Avenida Nações Unidas, nas proximidades do Anfiteatro Vitória Régia. Os radares fixos poderão ser encontrados nas rotatórias do Makro, no Jardim Contorno, e da avenida Rodrigues Alves, nas imediações do Jardim Redentor, além do prolongamento da avenida Duque de Caxias, próximo ao viaduto Antônio Eufrásio de Toledo.

A expectativa da Emdurb e da Polícia Militar é que a quantidade de acidentes nesses locais seja minimizada. Eles foram escolhidos, justamente, por serem pontos problemáticos. A própria população, segundo a Emdurb, solicitava providâncias insistentemente.

Uma matéria publicada no JC de 11 de março trazia a previsão da Emdurb de que as lombadas e radares começassem a operar dali a 15 dias. No dia 22 do mesmo mês, a informação passada pela Assessoria foi que o prazo para início de funcionamento, que seria o final do mês, deveria ser cumprido.

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