Geral

Morar no exterior

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 6 min

Longe de casa em busca de uma vida melhor

Texto: Fabiana Teófilo

Com o objetivo de tentar uma vida financeiramente melhor, alguns brasileiros, entre eles muitos bauruenses, saem do País em busca de trabalho ou aperfeiçoamento educacional para melhorar o nível social ou intelectual. Alguns ficam apenas na ilusão e voltam amedrontados e traumatizados pelas dificuldades enfrentadas lá fora. Outros regressam satisfeitos e realizados, depois de conseguir exatamente o que planejaram. E uma outra parcela, a menor, ficam morando definitivamente em outro país e por lá constituem família.

Essa é uma realidade comum, atualmente, devido ao momento de dificuldades de emprego existente no Brasil.

Aline (nome fictício), de 24 anos, saiu do Brasil há dois anos para prostituir-se. Ela já fazia programas antes de ir para a Espanha, onde vive, atualmente. "Consegui juntar o dinheiro da passagem e fui embora. Não sabia o que fazer quando cheguei aqui (Espanha), tinha apenas U$ 50,00 e consegui me hospedar num hostal (nome dado a pensões). Logo comecei a trabalhar e consegui muitos clientes. Eles adoram as brasileiras", contou.

Em seis meses, Aline conheceu, segundo ela, o homem da sua vida. Ele é um empresário na cidade de Pamplona, na Espanha, e se dispôs a casar com Aline, não se importando com o seu passado. Os dois estão juntos há um ano e meio e Aline voltou a estudar. Ela contou que nunca foi tão feliz e não pretende voltar para o Brasil.

O casal vive em um apartamento, com empregada, cozinheira, saem para jantar fora duas vezes por semana e vivem uma vida normal, dentro da sociedade.

Uma amiga de Aline, Cláudia (também nome fictício), teve uma história diferente. Ela foi junto com Aline para tentar ganhar dinheiro e ajudar sua família, que vive em Pederneiras, mas voltou há um ano. "Eu não agüentei porque não aprendi a falar espanhol e sofri muito na mão daquele povo, passei fome, chorava todos os dias", disse.

Ela ficou um ano na Espanha, onde se prostituía para sobreviver. Cláudia saiu do Brasil, levando consigo a esperança de ganhar muito dinheiro e ajudar sua família que é humilde e luta para sobreviver. Ela acreditou nos contos que ouvia de outras amigas que se deram bem, mas Cláudia não conseguiu se adaptar com a cultura dos espanhóis.

Para o recém-formado em Direito, Mário Machado Júnior, a experiência que teve em Washington D.C., durante um ano, foi muito gratificante. Ele esteve trabalhando com crianças e realizando um curso de criminologia e afirmou que com essa experiência seu currículo fica mais interessante que outros.

Júnior dá a dica: "Quem sai de casa para se aperfeiçoar profissionalmente, ganhar dinheiro, ou qualquer outra coisa, deve ter em mente que o melhor é usufruir de tudo o que está vivendo de novo e não pensar muito na vida que deixou para trás, para assim poder viver bem lá fora".

A jornalista Daniela Baroni, também se deu bem. Ela está na Espanha há um ano e três meses e, atualmente, cursa doutorado na Universidade de Navarra. "No começo foi difícil, a gente sente muito a falta da família, dos amigos, enfim do tipo de vida que estamos acostumados, porque nenhum povo é tão amável como o brasileiro, mas com o tempo a gente se adapta à cultura deles e consegue viver bem", contou.

Ela, que é noiva de um brasileiro, disse que o relacionamento fica um pouco complicado, mas com compreensão os dois vão atravessando as dificuldades. Daniela deve ficar por mais nove meses na Espanha e afirmou que vale a pena viver longe desde que seja um desejo muito grande. "Temos que saber respeitar e conviver sem um abraço, uma palavra de conforto ou até mesmo um sorriso, principalmente se a pessoa for viver na Europa, temos que saber que eles (os europeus) são assim porque não sabem ser de outra maneira", explicou.

Maria Alexandra Siqueira, 28 anos, saiu de Bauru para Miami em 1993. Lá conseguiu um trabalho de motorista numa loja. Ela pega turistas nos hotéis e leva até a loja para que façam compras e depois os transporta de volta até o hotel. Para Alexandra, que vem a Bauru todos os anos visitar sua família, não há coisa melhor. "Eu adoro fazer o que faço. Estou realizada e posso ter tudo o que sempre sonhei", disse entusiasmada por telefone.

Do outro lado

O americano David Harcher, de 39 anos, veio da Pensilvânia para Bauru, há três anos. Ele vive com um amigo brasileiro que conheceu em Bauru, quando já morava na cidade.

No início, Harcher trabalhou como garçom em um restaurante chinês e deu aulas de inglês. Atualmente, trabalha em uma agência de publicidade em São Paulo. Ele contou que foi difícil se adaptar com a cultura brasileira. "Para mim era tudo muito estranho. As pessoas se abraçam e se beijam muito. Os jovens saem pelas noites e bebem exageradamente", disse.

Harcher contou que não voltaria mais para seu país porque acredita que necessitaria se adaptar de novo a um estilo de vida que já esqueceu. Sua família nunca veio ao Brasil e ele vai para Pensilvânia, uma vez ao ano. "Já me acostumei a ficar longe deles e só às vezes tenho saudades", disse.

Harcher contou que já teve várias namoradas, mas se sente inseguro em relação à mulher brasileira.

"Não quero casar, tenho medo de ser traído porque as mulheres aqui são muito liberais", afirmou.

Carolina Faivre, de 23 anos, é francesa e está no Brasil há um ano e meio. Ela, que vive em Piracicaba, veio para estudar, mas acabou ficando e não pretende voltar para a França. "Gosto muito do Brasil porque as pessoas são alegres e divertidas. Adoro sair para dançar, as músicas brasileiras são as melhores", disse.

Ela contou que foi muito difícil aprender o português e que isso quase fez com que ela desistisse. "Eu queria me expressar e não conseguia, ficava nervosa e chorava muito quando as pessoas não me entendiam. Na verdade, não foi fácil me adaptar, mas agora sou muito feliz aqui", concluiu.

Passaporte: primeiro passo

Estatísticas oficiais registram um fenômeno novo na sociedade brasileira: a emigração em grandes fluxos de cidadãos brasileiros para o exterior. Atualmente, há cerca de 1,5 milhão de brasileiros residentes no exterior, aos quais se somam cerca de 3,5 milhões que anualmente viajam, por diversas razões, para fora do Brasil.

O primeiro passo para os que pretendem viajar é tirar o passaporte. Em Bauru, a pessoa deve levar os documentos na Polícia Federal, localizada na rua Sergipe, 1-62, no bairro Higienópolis e o funcionamento é das 8 horas às 11 horas e das 14 horas às 17 horas.

Os documentos necessários são a cédula de identidade, título de eleitor com último comprovante de voto, duas fotos 5x7 com fundo branco e datadas do ano 2000, passaporte anterior quando existir, certidão de nascimento ou casamento, certificado de reservista, requerimento para passaporte preenchido (vendido em livrarias por R$ 0,10) e taxa de 84,31 Ufir (R$ 1,0641 a unidade), recolhida através da Guia de Arrecadação e Receitas e Fundo de Aparelhamento da Polícia Federal (GAR/Funapol), vendida em livrarias por R$ 0,03. Na guia GAR/Funapol há que preencher os códigos da receita que é 001-9 e da unidade que é 078-7. O passaporte fica pronto no mesmo dia.

O visto deve ser pedido no consulado do país para onde se pretende viajar. Para alguns países, com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas, não é necessário o visto.

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