PFL fez demagogia sobre salário mínimo, diz Graziano
Texto: Rose Araújo/Andréia Alevato
O deputado federal Xico Graziano (PSDB), que esteve em Bauru na
última sexta-feira numa solenidade de entrega de materiais para o curso de Jardinagem e Horticultura da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), disse que não existe nenhuma possibilidade do governo FHC mudar de idéia sobre o valor do salário mínimo e que o PFL fez demagogia sobre o assunto, ao insistir que o valor fixado em R$ 151,00 fosse alterado para R$ 177,00.
"Não existe nenhuma possibilidade do governo mudar de idéia. O valor foi definido, os partidos aliados ao governo passaram a defender essa posição do governo referente, ao que eu diria, ao "salário mínimo possível". Um salário de R$ 151,00 é pouco, todo o mundo sabe, mas é o salário possível. A cada aumento de R$ 1,00 no salário mínimo, causa um impacto de R$ 150 milhões nos custos da Previdência Social. Esse é um drama nosso. Mas, por que o salário não é de R$ 200,00? Porque isso causaria um impacto fenomenal nas contas públicas através da Previdência Social. Antigamente, quando o Brasil tinha inflação, era fácil, pois fabricava-se dinheiro. Pega a máquina da Casa da Moeda e faz dinheiro. Fazia dinheiro mas fazia inflação também. Com o Plano Real e a estabilidade econômica, o Banco Central deixou de fabricar dinheiro. Agora, ou você tem e paga, ou não tem e fica devendo. O PFL, no meu ponto de vista, quis fazer demagogia em cima deste assunto como, em geral, partidos irresponsáveis fazem, partidos menores fizeram. Idealmente, todo o mundo gostaria que isso fosse possível. O PFL ficou numa situação difícil", disse o deputado.
Ele também afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso foi sábio ao determinar o novo salário mínimo e em possibilitar que o valor seja um piso para que cada estado determine seu próprio mínimo, porque isso reforçará o sentido federativo.
"A decisão do presidente foi muito sábia. O piso mínimo é esse. Cada Estado, dependendo das suas circunstâncias, pode estabelecer o salário que quiser. O PT, por exemplo, que defende não sei quanto, tem o governo do Rio Grande do Sul, aumentem lá, então, no Maranhão, na Bahia, em São Paulo, se o governador achar conveniente. Isto foi importante porque reforça o sentido federativo. É impossível um País do tamanho do Brasil, com tantos Estados, ter uma política unificada para várias coisas. Achei muito interessante esta forma: garante um piso mínimo nacional, mas flexibiliza em cada Estado", afirmou.
Para o deputado federal, a insistência do PFL em aumentar o valor do salário mínimo fixado pelo governo está ligada, de alguma forma, com o fato de ser ano eleitoral.
"O PFL andou esticando um pouco a corda nestes últimos tempos, através do presidente do Senado (Antônio Carlos Magalhães) e outras lideranças que pareciam que queriam mandar no Governo. Nós, do PSDB, acabamos reagindo contra isso daí. Mas, se tem alguma coisa a ver com as eleições de agora, parece que sim. O fato é que nós temos que discutir esses assuntos com muita responsabilidade. Antigamente, os aumentos salariais eram fictícios, pois a inflação comia tudo. Nós queremos aumentos reais. Os políticos precisam ser mais responsáveis. Se (o salário) vai para R$ 180,00 e isto custa mais R$ 8 bilhões para a Previdência, de onde vai sair dinheiro para cobrir este rombo? Vai tirar da educação do País, da saúde, das estradas? Vai ter que sair de algum lugar. Pouca gente ganha o salário mínimo", concluiu Graziano.