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Agressão

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 4 min

Garoto é agredido na escola e precisa ser internado

Texto: Adriana Rota

Rafael Eduardo da Silva Oliveira, 14 anos, estudante da 5.ª série do ensino fundamental da Escola Estadual Joaquim Rodrigues Madureira, localizada no Parque Vista Alegre, foi agredido por um outro garoto durante a aula de Educação Física, na tarde da última terça-feira. A vítima, que teria tentado apartar uma briga, foi atingido na região abdominal e desmaiou, sendo socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Ele permanecia internado na noite de ontem.

O irmão dele, Carlos Henrique, 13 anos, estava junto no momento da agressão. Ele contou que os garotos estavam jogando futebol numa parte da quadra, enquanto a professora acompanhava as meninas em outra atividade, no mesmo local. O irmão do acusado teria tentado derrubar Carlos, "para fazer graça", segundo contou, e acabou caindo no chão. Irritado, teria partido para cima do garoto.

Nesse momento, Rafael teria procurado apartar uma possível briga, quando o irmão mais velho do primeiro agressor, W.F.S., 14 anos, aproximou-se e deu uma "voadora" na sua região abdominal. Rafael caiu no chão e desmaiou, enquanto seu agressor fugia do local. O irmão de W. teria ligado para sua mãe de imediato. A direção da escola, por sua vez, providenciou socorro junto ao Corpo de Bombeiros. A professora de Educação Física levou Carlos para casa, visando localizar seus pais.

Internado no Hospital de Base, seu estado de saúde era estável ontem à noite. A mãe, Maria das Graças da Silva Oliveira, ainda não tinha conversado com os médicos para saber exatamente como estava o garoto e para conhecer o resultado da ultrassonografia. Embora de manhã ele tivesse reclamado de pontadas na região do ferimento, Maria acreditava que a alta viria ainda ontem ou, no mais tardar, hoje. "Ele conseguiu sentar e comer", disse, com ares de alívio.

BO

Um boletim de ocorrência foi lavrado por ocasião da agressão, provavelmente pela própria direção da escola. A família de Rafael, no entanto, retornou ao 1.º Distrito Policial ontem, porque o documento estava cheio de incorreções, que incluíam seu nome e do filho. "Estranho, porque existe a documentação dele na escola", salientou.

Segundo contou, a informação obtida era que deveria dirigir-se ao DP da região do fato. Nesse local, disseram a ela que não adiantaria lavrar um BO lá, mas encaminhar-se diretamente ao Conselho Tutelar.

Cansada durante a entrevista, realizada após um dia inteiro de correria, a mãe de Rafael deve retomar o assunto hoje, embora não saiba por onde começar. "Quero tudo corretamente, pela lei, quero meus direitos. Não vim para Bauru para fazer arruaça, mas para viver sossegada", disse, referindo-se à mudança recente da Capital para cá. "A gente veio justamente para fugir de coisa como essa, que acontece muito em São Paulo", lamentou.

Um dos pontos do BO que deixou a mãe mais transtornada foi o histórico do fato, onde estaria constando a participação de Rafael numa briga. "Ele não é disso. O que a gente mais prega dentro de casa é a educação. Garanto que não teria entrado em briga nenhuma. Ele só foi ingênuo, tentando apartar". Maria afirmou, ainda, que o filho teve a saúde muito problemática quando menor, por isso não é muito encorpado.

Outra dificuldade enfrentada pela família é que o garoto colabora na renda familiar vendendo para estabelecimentos comerciais os salgados que seu pai - pedreiro desempregado - faz em casa. A mãe cuida de um idoso, Carlos (o que presenciou a agressão) ajuda na venda dos salgados, o irmão mais velho faz "bicos" e a mais nova não trabalha.

"Estamos perdendo dias de trabalho", preocupou-se Carlos.

Conseqüências

A vice-diretora da escola, Amélia Mauad, disse ter procurado seguir à risca a recomendação do juiz da Vara da Infância e da Juventude, Ubirajara Maintinguer, que recentemente esteve no estabelecimento realizando uma palestra: chamar a polícia e lavrar BO imediatamente após esse tipo de ocorrência.

Agora, segundo explicou, os pais devem ser chamados pela Curadoria da Infância e da Juventude para acertarem uma eventual ajuda financeira à vítima. Um encontro entre Maria e a mãe de W. também será providenciado, dentro da própria escola, para que haja uma tentativa de aproximação.

"A mãe do W. também ficou desesperada quando soube", disse.

Quanto ao garoto, o Conselho da Escola, formado por representantes dos professores, pais e alunos, é quem vai decidir o seu destino, que pode passar pela expulsão. Até o momento, W. não teria causado problema algum, até porque chegou este ano no Madureira.

Indagada sobre a freqüência de problemas desse tipo na escola, a vice-diretora afirmou que costumam ocorrer desentendimentos corriqueiros entre os alunos, mas nunca teria sido registrado caso tão grave.

A dirigente de ensino Ednéia Sitta Cucci está em férias. Seu substituto, Paulo Maximino, estava em viagem para São Paulo ontem à tarde, não podendo comentar o assunto. Em entrevista recente ao JC, por ocasião da lavratura de um boletim de ocorrência para preservação da integridade física de um aluno de uma escola da Vila Falcão, que estaria sendo ameaçado, Ednéia afirmou que estava enfrentando problemas sérios com uma escola do Parque Santa Edwirges, nenhuma outra.

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