TPM pode ser emocional ou fisiológico
Texto: Sabrina Magalhães
A síndrome foi descrita pela primeira vez na década de 30, mas só foi classificada nos anos 80, por um nutrólogo
A Tensão Pré-menstrual (TPM) foi descrita pela primeira vez em 1931. Mas foi na década de 50 que a médica britânica Katharina Dalton a adotou realmente como objeto de estudo. De lá para cá, já foram registrados mais de 150 sintomas diferentes, que aparecem aleatoriamente, o que impede que a patologia seja padronizada. Estes sintomas podem gerar alterações físicas ou emocionais.
"O que a gente tem de mais novo sobre TPM é uma classificação feita por Abraham, um nutrólogo que, na década de 80, teve curiosidades por alguns distúrbios alimentares das mulheres. Ele selecionou mil mulheres e as observou nesse período pré-menstrual. E foi bastante feliz quando classificou estas mulheres em dois grupos principais: o das alterações comportamentais e o das manifestações orgânicas", observa a ginecologista endócrina Carla Bonjorno.
Ao conjunto de alterações comportamentais, o nutrólogo chamou SPM-A (Síndrome pré-menstrual da categoria ansiedade). Neste grupo estão as mulheres que, nos dias imediatamente anteriores à menstruação, apresentam uma ansiedade aumentada, labilidade emocional, irritabilidade, alterações de humor, choradeira fácil, depressão sem motivo aparente, distúrbios de sono.
"Para estas mulheres, nesta época, um probleminha
é um problemão. O vermelho fica mais vermelho, tudo fica mais intenso", ressalta a psicóloga Maria Sílvia Costa Pessoa. Ela afirma que pode haver episódios de paranóia
- como a mulher entrar em algum lugar e achar que todos estão olhando para ela, ou, ao contrário, que todos a estão evitando, que o cumprimento de alguém foi diferente do habitual. E pode haver episódios sérios de depressão, inclusive com relatos médicos de tentativa de suicídio. Neste caso, diz-se que a paciente sofre de SPM-D (depressiva).
Recentemente, uma pesquisa feita em presídios femininos mostrou que uma grande porcentagem das detentas havia cometido o delito no período pré-menstrual, "que mexe com a identidade dela, quando ela deixa escapar seu lado mais selvagem, podendo trazer transtornos que levam a danos muitas vezes irreversíveis".
Alterações orgânicas
Outro grupo de mulheres, conforme os estudos de Abraham, apresenta SPM-H - H de hídrico, relativo ao aumento na retenção de líquidos pelo organismo, o que é muito freqüente neste período. As mulheres que pertencem a esse grupo apresentam distúrbios orgânicos e o principal deles é o ganho de peso: algumas chegam a "engordar" três quilos na semana que antecede a menstruação. E quando ela vem, o peso volta ao normal automaticamente.
A retenção de líquidos resulta em diversas alterações. Pode haver, por exemplo, uma distensão abdominal, ou seja, a barriga fica inchada, endurecida e com cólicas. O mesmo acontece com os seios, que aumentam de tamanho e ficam extremamente doloridos. E com as pernas, que incham e dóem.
Também pode haver fortes dores de cabeça, porque a água retida aumenta o volume cerebral, com conseqüente aumento de pressão e dores pulsáteis, do tipo enxaquecosas, que chegam a incapacitar momentaneamente a mulher. Nestes casos, o tratamento é indispensável.
Compulsão
Paralelamente a esses distúrbios, pode haver a SPM-C, cuja principal característica é a compulsão que a mulher sente por comer doces, principalmente os de chocolate. Algumas vezes esse distúrbio é tão intenso que a mulher perde totalmente a concentração e não consegue executar nenhuma atividade se não satisfizer essa vontade. Este sintoma acaba trazendo sérias repercussões, pois a mulher ganha peso de verdade, aumentando ainda mais sua frustração e seu estado depressivo.
"Uma boa maneira de controlar este sintoma é a auto-sugestão.
É ela afirmar que não vai comer, que essa vontade
é passageira, vai durar poucos dias e ela não precisa comer. Algumas mulheres - poucas - conseguem isso. Outra saída
é substituir os doces, porque é compulsão, ou seja, são episódios momentâneos em que se você colocar qualquer outra coisa no lugar, em vez de ficar pensando no doce, você esquece. E se realmente você não conseguir se controlar, existe o tratamento medicamentoso, que ajuda a amenizar esta necessidade. Só que aí, o acompanhamento médico é indispensável", destaca Carla Bonjorno.
Questionada a respeito da manifestação simultânea de sintomas de todas estas categorias de SPM, a médica explica que tudo isso é muito variável. Existem as mulheres que se enquadram dos dois grupos e pode existir fases em que a mulher tem manifestações comportamentais num mês e alterações físicas no outro.
É o modo que ela tem de lidar com estes sintomas e o grau de incapacitação que eles geram que determina a necessidade ou não de um tratamento específico.
Nas ruas...
"Eu não tenho nada, graças a Deus. Mas se tivesse, procuraria um médico"
Sirlei Furlan, 45 anos, professora
Nas ruas...
"Infelizmente eu tenho. Não posso nem me olhar no espelho, que eu me odeio nestes dias. É uma situação que quem sofre sabe do que estou falando. Mas hoje não chega a atrapalhar minha vida, porque aprendi a conviver com isso. Eu boto a TPM de lado e sigo em frente. Até porque já tomei medicamentos, uso medicamento natural, tiro o sal da comida, mas é inevitável. É um problema sério, mas há 'n' alternativas para melhorar. Quando eu cuido, passo esse período bem legal."
Maria América Ferreira, 41 anos, jornalista