Santa Terezinha pode ter mais ônibus
O Parque Santa Terezinha pode ganhar mais linhas de ônibus. A promessa é da Emdurb, que prometeu realizar uma pesquisa para verificar a necessidade de mais horários de ônibus no bairro e a possível instalação.
Os moradores do Santa Terezinha reclamam que os horários entre um ônibus e outro, tanto do bairro para o centro da cidade como do centro para o bairro, são muito espaçados. Em dias úteis, os ônibus chegam a passar a cada uma hora e meia nos pontos, e nos finais de semana, a cada duas horas
"Nós sabemos que o Santa Terezinha é muito afastado da cidade, mas demorar mais de uma hora entre um ônibus e outro é demais. A população reclama, e com razão, porque em alguns bairros há ônibus a cada 15 minutos", reclamou Juraí Pereira Lemes Andrade, presidente da Associação de Moradores do Parque Santa Terezinha.
A assessoria de Imprensa da Emdurb garantiu que uma pesquisa será feita no bairro para avaliar a necessidade de instalação de mais linhas de ônibus. Essa pesquisa deve ser feita nos próximos dias.
Além dos horários de ônibus, a população também reclama da falta de infra-estrutura do bairro em algumas áreas.
A Associação de Moradores está pleiteando a instalação de uma creche, uma Emei e um núcleo de saúde no Bairro, além da cobertura de uma quadra poliesportiva já existente no bairro e melhoria nessa área, para que mais atividades sejam desenvolvidas no local. A quadra também precisa de iluminação, para a realização de jogos noturnos.
"Iluminação no local é o mínimo que se poderia ser feito, porque essa quadra é a única
área de lazer do bairro. Nós também estamos pedindo a construção de um campo de malha e bocha, mas a cada pedido, uma resposta diferente de que é impossível no momento", disse Juraí.
Mato alto em terrenos baldios e a falta de asfalto em algumas ruas são reclamações freqüentes dos moradores do bairro. Na quadra um da rua Josefina Francisco Malaquímico, o mato invadiu a rua sem asfalto. Na Robson Montagnani, por onde passam os ônibus, a situação não é diferente. O secretário das Administrações Regionais, Celso Donizete, garantiu que a capinação do mato e a limpeza do bairro será realizada até o final da próxima semana.
A principal entrada do bairro também precisa ser asfaltada. Os moradores reclamam dos dias de chuva, que precisar entrar ou sair do bairro pela segunda entrada, que é mais perigosa por não ter um trevo.
A regularização de lotes invadidos também
é uma preocupação da Associação.
"Esses lotes invadidos seriam destinados para áreas verdes. Queremos que esses lotes sejam legalizados, porque há pessoas no local e que investiram nele", completou Juraí.
Bairros isolados
Os parque Santa Terezinha e Baurulândia são considerados o extremo da periferização da Zona Leste de Bauru.
O Parque Baurulândia abriga atualmente, o acampamento dos integrantes do Movimento Sem-Terra (MST). Essas pessoas estão acampadas desde abril do ano passado no bairro, que é pouco conhecido entre os bauruenses, vivendo em condições precárias. Já o Santa Terezinha é ligado historicamente ao Hospital Lauro de Souza Lima.
V. Tecnológica seria exemplo para núcleos habitacionais
A Vila Tecnológica, Zona Leste de Bauru, foi entregue em 1995. O projeto era estratégico e tinha como objetivo transformar Bauru em um pólo tecnológico da construção civil, atraindo tecnologias e verbas federais e estaduais, que seriam aplicadas em outros projetos.
Segundo o professor de urbanismo na Faculdade de Arquitetura da Unesp de Bauru, José Xaides de Sampaio Alves, o projeto tinha algumas metas que se perderam no decorrer do tempo.
A primeira meta era a possibilidade de rediscutir e rever a qualidade dos conjuntos habitacionais executados pela Cohab. A segunda era avaliar o desempenho dos diversos materiais e técnicas construtivas usados na Vila Tecnológica, que iam desde casas feitas de isopor, madeira, cerâmica e concreto, até sobrados e prédios.
"Uma parceria estava sendo montada com as universidades para debater a questão da moradia, melhorando a a sua qualidade", disse Xaides.
Foram empregadas e analisadas características básicas de uma residência, como calor, qualidade de uso e de materiais e som, em 15 tipos de moradias de materiais diferentes, para depois serem escolhidas três tipos que seriam empregadas em conjuntos habitacionais da Cohab.
Esse projeto também possibilitava o movimento turístico em torno do desenvolvimento tecnológico. Só para se ter uma idéia, 11 Vilas Tecnológicas foram aprovadas em todo o Brasil e duas no Estado de São Paulo, uma delas em Bauru.
O projeto da Vila Tecnológica tinha uma praça na região central da Vila, com um espaço para a realização de atividades culturais. Tudo foi pensado para melhorar a qualidade de vida do morador.
A área em que foi construída a Vila era uma erosão que foi recuperada. "O projeto queria mostrar que é possível recuperar áreas como aquela para a construção de conjuntos habitacionais", completou Xaides.
O arquiteto disse ainda que o projeto da Vila Tecnológica de Bauru visava gerar um centro de difusão tecnológico na cidade e na região a partir dessa pesquisa.
"Erros técnicos, que se repetem nos conjuntos habitacionais, como no Bauru 2000, poderiam ser evitados, se o projeto da Vila Tecnológica tivesse tido continuidade. A Vila Tecnólogica tinha a intenção de discutir esses problemas, como a falta de infra-estrutura nos bairros, mas essa possibilidade de melhorar se perdeu", concluiu o arquiteto. (A.A.)