Missa comemora 500 anos de Brasil
Texto: Daniela Bochembuzo
Índios de Bauru, Avaí e Miranda (MS) participaram da solenidade, que marca abertura de evento sobre cultura indígena
Quinze índios terenas de Bauru e das aldeias Araribá, em Avaí, e Cachoeirinha, em Miranda (MS), participaram ontem de uma missa em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil. A missa foi presidida pelo bispo Dom Aluysio Leal Penna e contou com as presenças do prefeito Nilson Costa, Flávio Uchoa, ex-presidente do DAE, Sérgio Losnak, secretário da Cultura, e José Roberto Franco, o Sapé, secretário de Esportes e Lazer.
O evento foi realizado pelo sítio Canto do Bem-Te-Vi, zona rural de Bauru, como cerimônia oficial de abertura do projeto de educação "Brasil 500 anos". Parceiros do projeto, os índios terena permanecerão no sítio durante o mês de abril para realizar palestras sobre cultura indígena.
O projeto tem como público-alvo estudantes das redes municipal, estadual e particular de ensino de Bauru e região. "Nosso objetivo é que os alunos tenham contato direto com os índios e aprendam, a partir da vivência com os terenas, um pouco mais sobre artesanato, danças e religião indígenas", explica Magda Terezinha de Castro, proprietária do sítio Canto do Bem-Te-Vi.
Para a missa, a proprietária do sítio convidou diretoras, supervisoras de ensino e professoras de escolas bauruenses. Durante a celebração eucarística, o público assistiu a apresentações do coral Madre Clélia e à entoação de uma música indígena pelos próprios terenas. A canção falava sobre a alegria de viver em comunidade.
A vivência comunitária também foi abordada pelo bispo Dom Aluysio Leal Penna durante o sermão. "Os
índios, com sua sabedoria milenar, mostram o respeito pela terra e o valor da comunidade unida", salientou.
No sermão, o bispo disse ainda que a comemoração em torno dos 500 anos de descobrimento do Brasil deve visar o respeito e o amor à cultura indígena. "Eles moravam aqui antes dos portugueses chegarem", argumentou.
Após a missa, os terenas apresentaram duas danças, a xicoterra e a bate-pau. A primeira, apresentada pelas mulheres,
é um ritual em comemoração à caça. A segunda, dançada pelos homens, representa o momento da caça, em que os índios procuram o animal e o abatem. O abate é comemorado com a batida dos paus, daí o nome da dança.
Presente no evento, o cacique terena Talihu participou da missa e da dança de bate-pau. Ele também discursou e salientou a importância da união entre os índios e os brancos.
Como forma de saldar a boa receptividade da comunidade, Talihu presenteou o prefeito Nilson Costa com um cocar. O bispo Dom Aluysio Leal Penna ganhou um colar do cacique.
Nilson Costa agradeceu a homenagem e disse ter ficado honrado por participar da missa e das danças. "O descobrimento do Brasil é uma data importante, mas não podemos deixar de lembrar que os índios são os primeiros habitantes do País. Por essa razão, eles devem ter sua cultura e seus hábitos respeitados", concluiu.
O evento terminou com um almoço de confraternização entre brancos e índios, que aproveitaram para expor suas peças artesanais.