Núcleos do PT defendem aliança com Tuga
Texto: Daniela Bochembuzo
Representantes dos núcleos Opção PT e Democracia e Participação registram documento que ratifica preferência por aliança com PSB
Os núcleos Opção PT e Democracia e Participação, vertentes internas do PT, registraram ontem, no diretório municipal do partido, documento em que ratificam suas preferências por uma aliança de centro-esquerda com o PSB, PC do B e PV.
Os núcleos defendem a candidatura de Tuga Angerami (PSB) como cabeça de chapa e o lançamento de um petista como candidato a vice-prefeito. Para os membros das duas vertentes, a política de aliança iria de encontro às resoluções da executiva nacional do PT e reforçaria os partidos de esquerda na sucessão municipal.
"Entendemos que, ao lançar candidatura própria, o PT presta um desserviço à população de Bauru. Se não fechar a coligação, o partido fica à serviço do empresariado e valoriza as candidaturas conservadoras", afirma Jesus Garcia, membro do Núcleo Opção PT.
Para os núcleos, a candidatura petista prejudica o arco de alianças de centro-esquerda e, conseqüentemente, reduz as chances da população eleger Tuga Angerami, visto como um político que atende aos anseios da população.
"Com as duas candidaturas, o PT e o PSB passam a disputar votos do mesmo eleitorado. Os partidos têm o mesmo eleitor e, por isso, precisam aliar seus conteúdos programáticos", defende João Félix Neto Filho, representante do Núcleo Democracia e Participação.
Regulamento
No documento registrado ontem, os núcleos lembram que a política de alianças deve ser avaliada antes da realização das prévias do partido, como define o Regulamento para os Encontros e Prévias Municipais 2000.
De acordo com o parágrafo 2.º do artigo 18 do regulamento,
"qualquer deliberação sobre política de alianças que possa interferir na decisão de lançamento de candidato próprio do partido deverá ser adotada no encontro correspondente antes da realização das prévias".
Como as prévias possuem caráter deliberativo e imperativo, os núcleos consideram que a presidência do diretório municipal está desrespeitando as resoluções do PT ao estabelecer que a discussão sobre a aliança ocorrerá após a realização das prévias.
Por esse motivo, os dois núcleos cogitam requisitar intervenção estadual caso o regulamento não seja respeitado. "Os filiados têm o direito e o dever de debater aquilo que pode ser a melhor opção para a população. Atualmente, na nossa opinião, a coligação
é a melhor estratégia política para o PT", afirma Garcia.
Os representes dos núcleos Opção PT e Democracia e Participação consideram ainda que o debate posterior sobre a política de alianças pode inviabilizar a mobilização da militância.
"A questão da coligação deve anteceder tudo. Os militantes precisam avaliar o potencial do PT no atual cenário político e isso passa pela análise das coligações com o PSB, PV e PC do B, os quais fazem parte do arco de alianças do partido na Frente Brasil Popular", defende Félix.
Candidaturas
Atualmente, o diretório municipal do PT já conta com dois pré-candidatos à Prefeitura, são Estela Almagro, atual presidente do partido em Bauru, e Roque Ferreira, presidente do Sindicato dos Ferroviários.
Ferreira foi o primeiro a lançar candidatura própria e já trabalha seu plano de governo. O lançamento da candidatura de Estela aconteceu na última sexta-feira. Antes o grupo majoritário, do qual a presidente é membro, defendia a política de alianças com o PSB, PV e PC do B.
A mudança de rumos do grupo majoritário do PT fortaleceu a candidatura de Pedro Tobias (PDT), que oficializou seu nome para disputar a sucessão eleitoral, e encheu de esperanças correligionários do PMDB, que tem Tidei de Lima como nome mais forte para a Prefeitura.
O PMDB entende que, com Tobias e Tuga na disputa, o eleitorado se divide, favorecendo a candidatura de Tidei.