Falta de pediatras preocupa SMS
Texto: Josefa Cunha
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) está enfrentando dificuldades para suprir o déficit de médicos pediatras nas unidades descentralizadas de urgência e emergência. Os Prontos-Socorros do Mary Dota, Vila Ipiranga e Bela Vista sofrem constantemente a falta desses profissionais, o que acaba gerando um sem-número de reclamações por parte dos usuários frustrados com o não-atendimento especializado. O pior do problema é que a SMS não tem perspectivas de resolver o problema a curto prazo, embora venha trabalhando para tanto. O obstáculo nada teria a ver com falta de vontade política ou administrativa, mas com o desinteresse dos profissionais da área.
Em novembro do ano passado, a Prefeitura abriu concurso para a contratação de seis pediatras, mas até hoje não conseguiu preencher uma única vaga. Doze profissionais foram aprovados, dos quais 11 chegaram a aceitar e assumir a função. Todos, porém, estavam cursando Residência (especialização) e seus horários disponíveis não casaram com os períodos de trabalho oferecidos. "Só temos mais uma pessoa para chamar e a impressão é de que ela também não ficará. De todo o tempo que tenho aqui, nunca vi uma situação como essa", estranha Fiocchi, que também é pediatra.
A titular substituta da SMS revela que Bauru, em termos de médicos especializados no tratamento infantil, nada pode contribuir para a solução do problema. "Todos os profissionais que atendem hoje nas nossas unidades ambulatoriais e de emergência são da cidade e já estão com os horários tomados. Mesmo a região, pouco tem a oferecer; todos os que foram aprovados nesse último concurso eram de cidades da região e nem assim alcançamos sucesso nas contratações. A situação realmente nos preocupa", agrava.
A possibilidade de um novo concurso este ano está descartada em virtude das eleições municipais, já que toda e qualquer contratação ou demissão é proibida a partir de julho. "Não teríamos tempo de realizar e homologar tudo dentro do prazo permitido", explicou. Em síntese, significa dizer que a falta de pediatras se arrastará por mais um ano, no mínimo.
Alternativas
Enquanto o quadro de médicos pediatras não for ampliado, a Secretaria Municipal de Saúde continuará fazendo
"ginástica" para tornar a situação menos problemática. Hoje, o que se faz é o remanejamento de profissionais das unidades descentralizadas para o PAI, que atende aos casos mais graves e a um maior número de usuários.
"No Pronto Atendimento Infantil, temos que ter, no mínimo, dois ou três pediatras. Então, quando não temos plantonistas suficientes para cobrir essa necessidade, remanejamos para o PAI médicos dos PSs do Mary Dota, Ipiranga ou Bela Vista. É quando isso acontece, e não é raro, que se registra a falta de pediatras nas unidades desses bairros. Na verdade, é uma situação de tapar buracos, mas, como não temos outra opção, procuramos fazer da melhor forma possível, ou se preferir, da menos ruim", considerou.
Além do remanejamento, a SMS cogita uma outra alternativa para minimizar o déficit nas unidades de emergência dos bairros: o aumento da jornada dos médicos. Essa saída, no entanto, dependerá de uma dose extra de boa vontade dos profissionais, que já estariam trabalhando no limite de suas cargas horárias.
Procedimento
Na falta de pediatras, as unidades descentralizadas vêm procedendo conforme a urgência dos casos. Quando o paciente exige tratamento de urgência, a exemplo de traumatismos, acidentes ou suturas, o socorro inicial tem sido feito pelos próprios clínicos gerais. Quando a situação requer cuidados extras e especializados, o paciente - após os primeiros-socorros - é transferido para o PAI.