Geral

Paralisação das universidades

Rita de C.Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Ato público na Unesp congrega alunos, professores e funcionários

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Professores e funcionários do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com apoio de parte dos alunos, paralisaram as atividades ontem. No período da manhã, em ato público, na cantina, professores, funcionários e alunos manifestaram contra a política adotada pela Reitoria, de não conceder reajustes salariais compatíveis com os índices inflacionários.

Uma caravana de Bauru partiu para o ato público que foi realizado por volta das 16 horas, na Secretaria Estadual de Ciências e Tecnologia, em São Paulo, onde aconteceu a primeira rodada de negociação. Hoje, na sala um do câmpus, haverá uma assembléia, às 10 horas. O câmpus volta a funcionar normalmente hoje.

Pela previsão do presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) Norival Agnelli, o ato público na Capital deve ter reunido duas mil pessoas. "Eu não acredito em um acordo nessa primeira rodada. Por isso, estamos prevendo uma nova paralisação, no próximo dia 19."

Na opinião dele, o dia de paralisação, ontem, serviu para discutir outros problemas, além da questão salarial, vividos pelos professores, alunos e funcionários da universidade. "O quadro de funcionários está deficitário, se compararmos com outros campi. Nos últimos cinco anos, a Universidade adotou uma política restritiva de contratação de professores e funcionários, não que tenha atingido o nível zero, mas restringiu bastante."

Agnelli explica que os reitores alegam que não podem dar reajuste salarial porque terão que contratar mais professores e funcionários, comprometendo a folha de pagamento. "Essa alegação é absurda. O orçamento da Unesp para este ano é de R$ 500 milhões. Se fosse concedido o reajuste que estamos reivindicando - 25% na folha de pagamento de abril e 7% no segundo semestre - ainda sobraria R$ 50 milhões para outros investimentos", disse.

Na opinião dele, existe espaço no orçamento para o reajuste salarial. "Só não vão conceder, se não quiserem. Ao longo do Plano Real, segundo Agnelli, os funcionários e professores tiveram reajustes de 6%, 3,6% e 7%. "A defasagem hoje é de 33%. Ou seja, estamos recebendo 1/3 dos nossos salários."

O sindicalista explica que um professor-doutor, aquele que se dedicou 15 anos para estudos superiores e pesquisa, recebe cerca de R$ 2.900,00. "Na iniciativa privada, o salário varia de R$ 3.000,00 a R$ 4.500,00."

No final da tarde, os representantes das respectivas unidades foram procurados por telefone, pela reportagem do JC, mas só dois foram encontrados. A diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunição (Faac), Cleide Biancardi e o membro da Comissão de Funcionários, Gino Mariano, ainda não sabiam sobre o acordo entre o Cruesp e as Universidades.

Em relação ao número de servidores que estariam na manifestação em Bauru, apenas Mariano fez um cálculo de que 80% dos professores e funcionários estavam no local. Já, o número de alunos não era tão grande. Cleide afirma que, poucos alunos participaram do manifesto, principalmente por ser véspera da Semana Santa, considerada feriado pelos alunos.

Migração

A questão salarial dos funcionários e professores, na opinião do sindicalista, passa pela qualidade de ensino.

"As universidades particulares estão pagando melhor os professores e está ocorrendo uma migração da pública para a privada."

Segundo Agnelli, os professores que foram titulados pela universidade pública, custeados pela sociedade, estão migrando para a iniciativa privada. A longo prazo, isso pode comprometer a qualidade de ensino."

Qualidade de Ensino

O presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Engenharia, Wellington Bolgherone Alves, concorda que a qualidade de ensino pode ser comprometida, caso os salários dos professores e funcionários não sejam reajustados. "Entendemos que a qualidade de ensino passa pela questão salarial. Muitos professores se aposentaram e outros, estão optando pela dedicação parcial, para poder manter outro emprego, por causa dos salários."

Ele teme que a longo prazo, a universidade fique com professores que não estejam compromissados com a pesquisa e extensão do ensino público. O diretório, segundo o presidente, solicitou para o Conselho de Administração do Câmpus, o uso de carro som durante as manifestações. "Desde novembro do ano passado que está proibido a entrada de carro som. Entendemos que a portaria é inconstitucional."

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