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Vitor Buaiz

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Buaiz conta sobre o PT sectário do ES

Texto: Nélson Gonçalves

O ex-governador do Espírito Santo reclama que enfrentou movimentos grevistas sucessivos e oposição do próprio partido

O ex-governador do Espírito Santo, Vitor Buaiz (PV), esteve em Bauru, ontem, para reunião política com representantes locais da legenda. Além disso, Buaiz também conversou com Tuga Angerami, pré-candidato a prefeito pelo PSB. Vitor Buaiz conheceu Tuga quando foi prefeito de Vitória (ES), pelo PT. O ex-governador considera que o PT do Espírito Santo foi muito sectário em relação a seu governo. Buaiz cita que chegou a ter uma bancada de deputados federais do próprio PT fazendo oposição a seu governo, o que tornou insustentável sua manutenção no partido.

Vitor Buaiz foi um dos poucos e raros ex-governadores que não aceitou disputar a reeleição. O ex-governador decidiu voltar a se dedicar a carreira de médico. Entretanto, nem por isso, diz que não tem projetos para os próximos anos. Leia os principais pontos da entrevista.

Jornal da Cidade - Porque o senhor saiu do PT?

Vitor Buaiz - Talvez fosse melhor eu perguntar primeiro, porque eu entrei no PT do Espírito Santo. Em 1979, quando entrei na política, eu era presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo e fui alçado a uma trajetória política-partidária. Quando foi fundado o PT eu vinha de um trabalho na Pastoral de Saúde das Comunidades Eclesiais de Base e, então, entrei na política, naquela ocasião, acreditando que o PT era um partido que mostrava a direção para onde deveriam ir não só os trabalhadores mas a sociedade brasileira, para se livrar daquela política tradicional do País, de dois partidos que prevaleciam na ditadura militar.

JC - Qual era o sonho político naquela época?

Buaiz - Acreditamos que poderíamos implantar não o socialismo político através de decreto, mas através da organização da sociedade. Entrei, me dei bem dentro do Partido dos Trabalhadores, porque realmente o partido, até chegar ao poder, não havia uma disputa interna tão grande pelo poder, que era conquistado através de eleições. No momento em que eu fui eleito prefeito de Vitória (ES), senti que existe uma facção muito sectária que não queria chegar no poder e achava que nós não poderíamos tentar resolver o problema do capitalismo. Tem uma parcela da esquerda brasileira, que até hoje está no PT, que tem obstruído o avanço e as conquistas sociais do nosso povo. Quando eu era governador do Estado tinha uma bancada do próprio PT que era oposição ao meu governo. Então eu não poderia admitir que continuasse dentro do partido e que esses parlamentares fizessem aquela oposição e a própria sociedade não aceitava isso.

JC - Como é governar com uma bancada do próprio partido na oposição?

Buaiz - É muito difícil em determinados momentos. No Rio Grande do Sul é fácil, porque lá o PT está mais ou menos bem distribuído. O Olívio Dutra é uma liderança que consegui agregar vários setores. No Espírito Santo não foi possível fazer isso, desde a época em que assumi a Prefeitura de Vitória (ES). Quando assumi o governo do Estado os conflitos fora muito grandes. O próprio movimento sindical ligado ao PT exigia muito mais de nós, governadores, executivos, do que de outros governadores considerados conservadores. Hoje no Espírito Santo, com o governo do PSDB, acabou. Havia uma atividade política muito intensa, com greves que se sucediam ao longo do nosso governo.

JC - O senador Roberto Freira disse em Bauru, recentemente, que "a esquerda dividida novamente será derrotada pela direita no País". O que o senhor pensa sobre essas composições?

Buaiz - A esquerda brasileira não aprendeu com a história. A coisa mais difícil que tem é juntar a esquerda brasileira em torno de um projeto político, em torno de uma agenda mínima de trabalho, para ajudar o País a sair da crise, para ajudar os municípios a combater a corrupção, para ajudar o brasileiro a melhorar sua situação. A esquerda brasileira ainda não entendeu que precisa sentar, conversar, e discutir um projeto mínimo comum, para o País, não para os partidos de esquerda. Cada partido tem o seu programa, o seu projeto, mas na hora exata tem que abranger um projeto político mínimo para o País.

JC - Algumas correntes políticas entendem que o instituto da reeleição cai com o fim do governo FHC. Mais que isso, acham que o parlamentarismo pode ser instalado até porque o governo não teria um candidato que aglutinasse tanto. Como o senhor vê isso?

Buaiz - A esquerda mais uma vez errou quando houve aquele plebiscito para a escolha do sistema de governo e ela optou pelo presidencialismo. Achando que pudesse eleger um presidente logo em seguida, o Lula, e que nós íamos governar numa maré tranquila. Quando na verdade todo mundo sabe que o presidencialismo centraliza as ações e mesmo na democracia não permite que haja uma melhor distribuição das atribuições e hoje nós estamos vivendo este drama. A reeleição provocou a paralisação do País, por quatro anos. O presidente voltou todas as suas energias para sua reeleição.

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