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Drogas

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

Proximidade com a família afasta jovens das drogas

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Jaqueline (nome fictício) é uma prostituta que vive em Bauru há três anos. Chegou na cidade, por acaso, depois de ter deixado Alfenas/Minas Gerais e São Paulo, onde aprendeu e experimentou várias drogas. Viciada em crack, ela pesa pouco mais de 30 quilos e tornou-se um "avião"

(pequeno traficante), para sustentar o vício.

Da família, ela fala pouco, tenta disfarçar suas mágoas. Da sua história ela faz alguns recortes, lembrando apenas de algumas passagens. "Eu comecei cheirando cola e cheguei a cocaína, em São Paulo. Lá aprendi a tomar um "baque" na veia. Aqui em Bauru estava fumando crack, mas já parei", jura.

Segundo ela, há três meses, ela deixou de usar crack, embora todas as evidências apontem em sentido contrário.

"Não quero mais mexer com isso. Estou esperando meu companheiro sair da cadeia para mudar de vida", promete.

De suas viagens sob efeito das drogas, ela lembra que já teve muitas alucinações. "Toda vez que uso drogas fico encanada. Vejo bichos, sinto medo e parece que a polícia está chegando e vou ser presa." Sem profissão e apartada da família, ela é apenas um exemplo de quem se envolveu com a vida marginal e de viciada passou a traficante.

Essa história poderia ter sido totalmente diferente se Jaqueline tivesse uma família ou um apoio, de alguém que a orientasse para o caminho real e não o da fantasia. Assim como ela, milhares de brasileiros, que não tiveram a oportunidade de ter uma família, ou que apesar de tê-la, não encontra apoio suficiente na instituição, estão partindo para um caminho sem volta, o das drogas.

O médico legista e professor de Medicina Legal da Instituição Toledo de Ensino, Alberto Briani, aposta na instituição familiar para eliminar a presença do traficante na sociedade. Segundo ele, a única maneira de acabar com a droga é estimular a instituição familiar. " Se não houver o comprador da droga, o viciado, não haverá o vendedor."

Na opinião dele, enquanto houver o viciado, haverá a presença do traficante, do fabricante e do distribuidor.

"Não adianta prender traficante(avião), ele sempre será substituído. Não adianta queimar plantações. Quando o comércio não der mais lucro, ai sim, os traficantes estarão fora de atuação. Atualmente, o tráfico de drogas movimenta milhões de dólares, no mundo todo."

De acordo com o médico, a família, como um todo,

é a base de qualquer cidadão. "Família também, são as pessoas que convivem com a gente, na igreja, no clube, na comunidade. Quando as pessoas que nos rodeiam, não nos apoiam, na hora certa, o resultado pode ser um vida toda jogada fora."

Criança não tem experiência de vida

Na opinião do legista o vicio "nasce" na pré-adolescência, fase transitória entre a infância e a adolescência que, antecede o adulto. "Experiência de vida a gente adquire com a vivência, com o passar dos anos. A convivência diária em família faz com que o pré-adolescente crie bons hábitos e tenha uma visão melhor da vida. Ele aprende com exemplos dos mais velhos."

A criança, entre 11 e 13 anos tem pouca inteligência, pouca experiência e é nessa fase que ele pode se tornar um viciado. "Em psiquiatria, a pessoa nessa fase da vida é tida como pouco inteligente, porque lhe falta experiência de vida."

Briani frisa que na pré-adolescência, a pessoa não tem dados que a ajudem a pensar que o vício é uma coisa danosa, que oferece perigo. "Eles não têm noção do perigo. Eles não sabem o que é dependência. Quando experimenta a droga, sente que é gostoso."

Na opinião dele, o grande problema das drogas é que a sensação que elas proporcionam é gostosa.

"Elas causam uma sensação gostosa, no momento em que estão sendo usadas." Em função disso, segundo Briani é preciso discutir o assunto, abertamente, com os pré-adolescentes. "É preciso mostrar a eles que apesar da sensação gostosa, as drogas provocam danos irreversíveis no cérebro."

Drogas Depressoras

* maconha

* álcool

* barbitúricos

* calmantes

* derivados do ópio

* heroína

* morfina

* solventes

* lança perfumes

* cola de sapateiro

Sintomas: embriaguês. Deprimem o cérebro e dão sensação de sonolência. Diminui a atividade física e dependendo da dose pode causar euforia e coma.

Efeitos: destrói neurônios. A longo prazo significa diminuição da intectualidade.

Drogas Estimulantes

* cocaína

* crack

* anfetaminas

* alucinógenos

Efeitos: Essas drogas estimulam o cérebro e causam: euforia, aumento da fala, nervosismo e diminuição da fome, sede e sono. Por proporcionar uma hiperativadade motora, a abstinência causa depressão profunda. Essas drogas são as mais violentas, elas estimulam os sentimentos da pessoa. Se o usuário for agressivo, com o uso da droga ficará mais agressivo.

Dependência ocorre em poucas doses, em média nas 10 primeiras.

Pai herói afasta filho do tráfico

A figura do pai na vida dos filhos tem papel fundamental, segundo Alberto Briani. Ele defende a tese que o filho que tem bons exemplos dentro de casa e considera o pai, um herói, não vai para o caminho das drogas. "A prevenção

às drogas começa na infância. Os pais que acompanham os filhos e os auxiliam na resolução dos problemas, raramente terão problemas relacionados com as drogas."

Para ilustrar a tese, Briani diz: A criança perde no jogo, ou tem sua figurinha furtada na rua. Fica desapontado e não sabe como resolver o problema. "Para ele, este problema é um problemão e ele tem urgência em resolvê-lo. Quando chega em casa procura o apoio da família e todos lhe dão as costas. Todo mundo considera o problema de pequena importância."

A criança fica desiludida com a família e procura apoio na rua, normalmente, com pessoas mais velhas, segundo médico.

"O perigo está ai. O mais velho, normalmente na faixa etária de 15 a 17 anos, usuário de drogas, sabe como agir. Oferece o apoio e ajuda para a criança, resolvendo seus problemas e conquistando sua confiança. Quando a criança já confia nele é que a droga é apresentada."

A droga entra na vida do pré-adolescente como um "remédio" para amenizar as desilusões da vida. Algo que o ajuda a esquecer, por um tempo, seus problemas."

Já a criança que encontra apoio e atenção na família, raramente se encontrará com a figura do traficante. Mesmo que encontre, estará orientado e esclarecido, o bastante, para saber dizer não às drogas. "Os pais precisam acompanhar a vida dos filhos, desde pequeno."

Na opinião do médico, quando o pai vai ao futebol ou a outro esporte, torcer pelo filho. Acompanha sua vida escolar e dispensa muitos minutos para ouví-lo, raramente, o traficante terá alguma chance. "O filho precisa ver o pai como um herói. Esse título não pode ficar com o traficante."

O pai que chega em casa bêbado ou que fica paralisado em frente ao noticiário da TV e nem ouve o que o filho está falando, corre o risco de ter seu filho adotado por um traficante, arrisca Briani.

Uma vez viciado.....

O legista garante que menos de 1% dos viciados iniciaram no vício depois de 18 anos, na fase adulta. "A não ser que ele já tenha experimentado antes. Na fase adulta, a pessoa sabe distingüir aquilo que é bom e ruim para a vida dela."

Pelos relatos de quem está tentando se livrar do vício, segundo Briani, dá para notar que mesmo afastados da droga, eles sentem uma vontade imensa de usá-la. "Quem usou sabe que a sensação é boa. Os efeitos vão aparecer mais tarde."

Para o médico, o viciado exige atenção para sempre."Se ele tiver a oportunidade ou se passar por um problema e não tiver amparo suficiente, com certeza, ele procura a droga para amenizar a situação."

Exame antidoping

O legista acha que o exame antidoping para estudantes, mesmo com a autorização dos pais, não vai resolver o problema das drogas no Brasil. "Precisamos trabalhar com a educação para evitar que o pré-adolescente se aproxima das drogas. detectar que ele usa droga para depois tomar providências, não resolve."

Na opinião de Briani, o exame é uma coação imposta ao pré-adolescente estudante. "Está sendo imposto de cima para baixo. É mais um motivo de revolta." Ele pergunta o que será feito, caso detecte que aquele jovem está envolvido com droga.

O exame antidoping, segundo a perita toxicológica do Deinter 4, Marceli Quággio Augusto é um exame de urina que detecta a presença de algum tipo de droga, dependendo da reação que for feita. "Dependendo do metabolismo da pessoa, a presença da droga não é detectada. Na maioria dos casos, especialmente de cocaina e crack, após 24 horas do uso, não se encontra mais a presença na urina do usuário."

Já a maconha pode ser detectada até uma semana depois, uma vez que fica empregnada na gordura do corpo e vai sendo eliminada aos poucos. O exame, segundo ela é usado especialmente em casos de acidentes de trânsito. O usuário de drogas pode provocar acidentes violentos, uma vez que perde o medo e dirige sem cuidados.

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