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Educação

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 7 min

Filhos: É preciso se reeducar para dar educação

Texto: Fabiana Teófilo

Os pais do século 21 encontram dificuldades em educar os filhos dessa nova geração. A problemática gira em torno da liberdade excessiva existente atualmente. As crianças são mais espertas porque recebem muita informação. Com o avanço tecnológico, elas têm chances de desenvolver mais o lado criativo, ficando mais ágeis e questionando assuntos que, há alguns anos, eram debatidos somente entre adultos. Os pais têm que se moldar, criando novos conceitos, para educar os filhos de acordo com a realidade atual.

A infância nos dias de hoje é totalmente diferente se comparada à gerações anteriores. As brincadeiras, por exemplo, se resumem em jogos eletrônicos, enquanto que antigamente, as crianças brincavam nas ruas, com bolas, cordas e jogos típicos como pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, entre outros.

O processo evolutivo é normal e a educação tem que evoluir de acordo com o mundo. As brincadeiras de rua desapareceram quase que totalmente porque os perigos aumentaram e, atualmente, para uma criança ficar na rua é preciso que seja na companhia de um adulto e num lugar muito seguro.

As crianças passam mais horas diante da televisão e, com isso, absorvem uma gama de informações de todos os níveis. Elas passam a exigir mais, crescendo numa velocidade ágil e "perdendo" a fase infantil, passando muito rápido para a adolescência.

Outro fator que faz com que as crianças cresçam mais rápido, atingindo a maturidade antes do tempo ideal,

é a falta dos pais dentro de casa. Nos dias de hoje, os pais, geralmente, trabalham em tempo integral. Eles querem oferecer, financeiramente, o melhor para os filhos, dando a oportunidade para que as crianças possam fazer diferentes cursos, comprando os melhores brinquedos, tudo para tentar suprir a falta da companhia, já que por terem que trabalhar, as crianças, quando não estão estudando, ficam com empregadas. As crianças, então assumem responsabilidades que não deveriam ter.

Antigamente, os pais não tinham condições financeiras de matricular os filhos em cursos extras ou comprar muitos brinquedos. Eram poucas as famílias que mantinham esse nível social. Isso fazia com que as crianças desenvolvessem mais a criatividade com coisas simples e educativas. Elas brincavam de descobrir desenhos entre as nuvens do céu, de construir brinquedos, como caminhões de madeira, bichos feitos com frutas e legumes e os pais acompanhavam as brincadeiras, instruindo e ajudando os filhos.

Todos esses fatores fazem com que educar se transforme numa arte e os pais devem se reeducar dentro dos moldes atuais para poder auxiliar os filhos.

Para a psicóloga Ana Cláudia Comegno, os pais devem encontrar a melhor maneira, dentro das regras de cada família, para dar aos filhos uma boa educação. Ela acredita que os pais não podem ser muito rígidos como antigamente, mas também não podem ser liberais ao extremo. A criança deve ter limites e saber até onde pode chegar.

Ana Cláudia alerta que não basta apenas dizer não.

"É necessário explicar porque a criança não deve fazer certas coisas. Elas devem entender os motivos e não simplesmente não fazer porque é proibido", explicou.

Outra advertência da psicóloga para os pais é de que o proibido, deve continuar sendo, sempre. Ela disse que, geralmente, os pais ameaçam e depois com dó, voltam atrás. "Com isso, a criança perde o respeito e cria um conceito de que nunca vai perder nada, porque o pai sempre acaba 'deixando' no final". Ela explicou que é difícil, mas tem que ser firme e manter a palavra.

Na mesma língua

Os avós que convivem bastante com os netos podem interferir na educação das crianças. "Se na casa da vovó eu posso por que aqui não?", é uma pergunta muito comum, que os pais ouvem com freqüência.

De acordo com a psicóloga, Ana Cláudia, as famílias precisam entrar num acordo e falar a mesma língua, ou seja, o que é proibido, deve ser em qualquer lugar ou situação.

"A criança tem que entender que não deve fazer certas coisas, seja onde for. É necessário que exista um acordo entre pais e avós", afirmou.

Ela disse também que, dependendo da situação, os pais podem conversar com os filhos e explicar que na casa dos avós eles têm um pouco mais de liberdade porque não vivem ali e as regras dentro da casa onde moram são outras e que cada casa tem suas próprias regras.

O mais importante, segundo a psicóloga, é que os pais estejam atentos a tudo o que ocorre com os filhos. "Eles têm que dar espaço às crianças para que exponham tudo o que querem. O diálogo é muito importante", disse. (FT)

Liberais X Exigentes

Não existe uma fórmula mágica para educar filhos, mas os psicólogos afirmam que o ideal é conseguir chegar num ponto intermediário. Os pais não devem ser nem tão liberais e nem tão exigentes. Há que encontrar um equilíbrio entre os dois.

O casal Maria Antônia e Carlos Roberto Teixeira da Silva, que estão juntos há 15 anos e tem dois filhos, são excessivamente rígidos com as crianças. Eles acreditam que a educação dentro de casa deve ser como antigamente.

"Meus filhos têm hora prá tudo e eles nem precisam pedir, já sabem o que podem e o que não podem fazer", disse Carlos Roberto.

O filho mais velho, Carlos, tem 12 anos e contou que acorda todos os dias sozinho, às 7 horas, arruma sua cama, depois vai para a escola e no recreio come apenas uma fruta. "Eu não posso comer salgadinho, porque senão não almoço e meu pai fica bravo", explicou.

Seu irmão, Cássio, de 9 anos, também já tem suas obrigações. "Chego da escola, almoço e como bastante salada, depois descanso um pouco e vou fazer a tarefa para depois poder brincar", disse.

A mãe, que é secretária, disse que seus pais a educaram assim e ela acredita que hoje tem uma vida estável pela educação que recebeu. "O mundo já ensina muita coisa errada, então em casa precisamos ser mais exigentes", explicou.

Já para Renata Machado Miranda e José Augusto Miranda Júnior, casados há 11 anos, esse sistema não funciona. "Somos super liberais, os dois (filhos) fazem tudo o que querem, mas sozinhos eles sabem o que está errado", disse Renata.

Os irmãos Lucas, de 10 anos, e Lívia, de 8 anos, disseram que gostam mesmo é de brincar. Lucas deixa claro:

"eu sei que tenho que estudar para crescer e ter família, mas eu só gosto de brincar e odeio fazer tarefa."

Miranda Júnior contou que seus pais sempre foram muito rígidos na educação dos filhos. "Somos oito irmãos e, naquela época, a situação era diferente. Tínhamos que trabalhar desde novinhos e ter responsabilidade logo cedo. Se depender de mim, meus filhos vão brincar até 20 anos", disse. (FT)

Pais e escola devem educar juntos

Texto: Fabiana Teófilo

De acordo com a coordenadora pedagógica, Tereza Maria Craveiro De Sá Domingues, para atingir o nível educacional ideal das crianças, os pais devem ter interação com a escola e se envolver no dia-a-dia.

A diferença, segundo ela, da educação das crianças de antigamente com as de hoje, é a mudança na estruturação dentro de casa. Os pais, de acordo com Tereza, trabalham em tempo integral e se sentem culpados por não ficarem com os filhos. "Os pais carregam uma culpa que não existe e querem suprir isso deixando os filhos fazerem tudo o que querem", explicou. Ela disse que o fator principal não é a quantidade de tempo que os pais ficam com as crianças e sim a qualidade desse tempo.

Tereza afirmou que os pais, quando estão na companhia dos filhos, devem ser presentes, dialogando, brincando, lendo histórias.

"O importante é a participação", disse.

Para a professora de pré-primário, Cristiane Mary Pini, o importante é manter a auto-estima das crianças elevada. Ela explicou que as crianças, atualmente, não possuem auto-estima. "Se eles fazem 90 coisas erradas e uma certa, é a certa que temos que valorizar", disse.

Cristiane explicou que durante suas aulas ela deixa que os alunos exponham suas vontades, realizando-as e, em seguida, ela cobra o mesmo deles. "Dessa maneira eu faço com que eles respeitem e entendam que temos deveres e direitos", disse.

A fonoaudióloga Márcia Prado de Carvalho, explicou que as crianças recebem uma grande quantidade de informações e por isso são mais exigentes também na escola.

"Atualmente, o professor dentro da sala de aula com a lousa e o giz na mão, não é suficiente", disse, explicando que as atividades extras são importantes dentro da escola.

Ela disse que é importante a criança manter atividades como inglês, informática, música para se adequar nas exigências do mundo em que vivemos, mas sem deixar que essas atividades sobrecarreguem. "O ideal é que essas atividades façam parte do período em que a criança está dentro da escola", afirmou.

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