Fase de crescimento permite correções
Texto: Sabrina Magalhães
Algumas crianças apresentam crescimento irregular de mandíbula ou maxila, resultando em má oclusão
Boa parte das irregularidades na oclusão dos dentes está associada a problemas ósseos. Algumas vezes, a arcada é fechada demais, outras vezes, mandíbula e maxila têm tamanhos diferentes e não se encaixam. Todos esses problemas podem ser corrigidos ou amenizados enquanto o paciente está em fase de crescimento. Mais tarde, na vida adulta, as mesmas correções só são feitas cirurgicamente.
As irregularidades mais comuns neste sentido são as chamadas mordidas cruzadas, em que os dentes superiores não se encaixam perfeitamente nos inferiores. Esta diferença pode estar em um dos lados, no dois lados ou na parte frontal das arcadas. Para cada problema é usado um aparelho diferente, que também pode ser removível ou fixo, conforme a necessidade do caso, a vontade do paciente e a avaliação do profissional. Em qualquer dos casos é necessária um aparelho de expansão de arcada.
Outro problema que pode ocorrer é uma diferença no desenvolvimento de maxila e mandíbula, de modo que uma cresce mais que a outra. O paciente com esse problema acaba apresentando um aspecto estranho, com uma nítida projeção do queixo ou da parte superior da boca. Conseqüentemente, os dentes não se encontram. Para estes pacientes são adotados aparelhos ortopédicos.
Segundo Almeida, primeiro o especialista pede uma radiografia do crânio do paciente. Comparando maxila e mandíbula com as medidas do crânio é que ele pode determinar se foi a mandíbula que cresceu de mais ou a maxila que desenvolvem pouco (ou vice-versa). Então é indicado o aparelho.
Para pacientes em que a maxila está normal e a mandíbula tem um desenvolvimento acelerado, é indicado um aparelho ortopédico de tração. Um mecanismo de pistão que vai puxar a mandíbula para trás, tentando frear seu crescimento exagerado, até que as duas bases ósseas se encontrem e a oclusão seja corrigida.
Já para os casos em que a mandíbula tem seu desenvolvimento normal e é a maxila que não está se desenvolvendo, o aparelho ortopédico é de pró-tração, ou seja, o mecanismo usado visa a puxar a maxila para a frente. Pacientes com esta irregularidade têm que usar um aparelho extrabucal, que servirá de apoio para puxar a maxila.
Esta máscara facial é totalmente modelada no rosto da pessoa, apoiando-se no queixo e na testa. Um aparelho é fixado na cavidade interna da maxila e são usados elásticos para ligar uma a outra, de forma que o elástico force a maxila para a frente, sem que nenhuma outra estrutura do rosto seja projetada para trás.
"Mas todas essas correções ósseas só podem ser feitas na fase de crescimento do paciente. Porque depois de cessado o crescimento, só de modifica uma estrutura
óssea com cirurgia."
Extração pode ser necessária no adulto
Texto: Sabrina Magalhães
Alguns pacientes podem apresentar recidiva após tratamento, já que os dentes não são fixados em nenhuma base óssea
Por volta dos 18 ou 20 anos de idade, pára o crescimento. Então, muitas correções já não são mais possíveis. Segundo o ortodontista Renato Rodrigues de Almeida, no adulto é impossível alterar a abertura das arcadas ou o encaixe mandíbula/maxila, senão através de uma cirurgia ortognática. Então, para corrigir um apinhamento de dentes (os chamados encavalados) em caso de falta de espaço, a única alternativa pode ser a extração.
Inicialmente, o especialista tem que fazer uma avaliação, para saber se é possível afastar os demais dentes e colocar aquele no lugar certo. Havendo espaço, o paciente vai usar um aparelho fixo e ajustá-lo periodicamente até obter o resultado desejado. Mas se não houver espaço para movimentar os outros dentes, só a extração pode ajudar. O dente mal posicionado é retirado e um aparelho
é instalado para ajustar o espaço entre os outros, dando forma à arcada.
Para Almeida, o apinhamento de dentes facilita o acúmulo de sujeira na boca, aumentando os riscos de cárie. Ele explica que os músculos do rosto e a língua estão o tempo todo em atrito com os dentes, auxiliando na manutenção da limpeza deles. Se os dentes estão mal posicionados, esta limpeza é dificultada. Por isso, entre manter os dentes fora do lugar ou extrair algum para alinhá-los, é preferível alinhá-los, pois o paciente estaria facilitando a higiene bucal.
Prevenir?
Uma forte discussão entre especialistas e pacientes é a questão do tempo de tratamento e dos riscos de que o problema volta. Almeida comenta que jovens que fazem tratamento interceptor, certamente terão que usar aparelhos corretivos depois da dentadura permanente estar completa. Isso porque o primeiro aparelho atuou nos dentes de leite, atenuando o problema. Mas isso não impede que os dentes permanentes irrompam fora de lugar ou de rotação, exigindo que o paciente faça uma correção posterior.
Ele compara a interceptação a um resfriado: ninguém espera um resfriado se transformar em tuberculose para tratar. Da mesma forma com os dentes. Se as irregularidades forem sendo corrigidas conforme forem aparecendo, o resultado final certamente será melhor do que se buscar uma correção só depois da dentição permanente estar completa.
Recidiva
Da mesma forma, Almeida ressalta que um tratamento corretivo completo não é sinônimo de resultado definitivo. "Porque os dentes não são fixados em nenhuma base óssea. Eles estão soltos no alvéolo e podem sofrer a influência de muitos fatores." Segundo ele, se o paciente ficar passando a língua num dente para tentar remover uma casquinha de pipoca, por exemplo, estará exercendo uma pressão sobre o dente capaz de mudá-lo de posição.
"E nem sempre o que é esteticamente correto é o mais adequado para o equilíbrio da musculatura, por exemplo." Ou seja, mesmo tendo colocado os dentes no lugar, a musculatura pode exercer nova pressão e o problema volta a aparecer. Esta recidiva é rara, mas não pode ser descartada.